Floresta! Até onde estamos dispostos a ir?
 A reflexão necessária que impõe a todos

Com grande sentido de oportunidade a Casa do Oeste promoveu uma conferência no passado dia 14 de Abril sobre a floresta e as leis mais recentes a propósito da necessária limpeza e reorganização da mesma. A intervenção foi da responsabilidade da Engª Rute Santos da APAS Floresta que para além de dar a conhecer esta instituição sediada no Cadaval, fez o ponto da situação florestal no Oeste, que aponta para a falta de ordenamento e gestão florestais, o absentismo dos proprietários e falta de fiscalização. Perante a urgência que é a necessidade de proteger pessoas, edificações e florestas, os desafios que se levantam são a formação dos intervenientes, a coordenação da gestão e a flexibilização de meios, da aplicação de normas e da reflorestação. Numa perspetiva mais imediata da urgência de proteger é decisivo que se faça a limpeza dos terrenos garantindo a faixa de gestão do combustível.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A APAS Floresta aposta forte na formação nomeadamente no que diz respeito ao uso do fogo, a faixa de segurança, a gestão o eucaliptal e a enxertia do pinheiro manso. Tudo ações que pode encontrar no site da APAS. Outro grande objetivo é a certificação da produção florestal do Oeste o que implica que haja rearborizações, que as novas plantações sejam sujeitas ao licenciamento obrigatório, que as normas técnicas sejam aplicadas bem como as boas práticas de gestão florestal. Estas boas práticas significam que a legislação florestal e laboral é cumprida, que não há mobilização de solos nos termos que a lei prevê e que há controlo e registo de vendas. A certificação facilita toda uma estratégia de marketing e consequentemente uma valorização da produção florestal.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Naturalmente a discussão acabou por se centralizar na lei que neste momento pressiona particulares e entidades pela obrigatoriedade de se proceder à limpeza das florestas e das ditas faixas de segurança. Apesar das dúvidas, defeitos e possíveis consequências económicas gravosas para alguns proprietários reconheceu-se que a lei atual tem a virtude de ter posto a sociedade, de modo geral, e os diretamente interessados, particularmente, a discutir a floresta. E nesse sentido sugeriu uma grande oportunidade de pensar e repensar tudo para levar a cabo uma verdadeira reforma da floresta e das práticas e políticas que lhe estão subjacentes. Alguns exemplos sugeriram que o leitor interessado nestes assuntos pode investigar melhor como é o caso do que está a fazer a população de Ferraria de S. João.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As cerca de 50 pessoas que participaram nesta iniciativa da Casa do Oeste tiveram intervenções muito diversificadas e notoriamente revelaram conhecimento de causa e muito interesse em contribuir para as mudanças que se impõem. Entre as muitas questões, surgiu uma que quase passou despercebida mas que parece ser da maior importância para o futuro das próximas gerações e do planeta. Aquilo de que se está a tratar neste momento é de Floresta ou de culturas ou mesmo monoculturas florestais? A floresta não será antes um ecossistema que deve ser mantido e protegido como tal? Ou seja não seria importante definir com rigor o que é a floresta e o que é a cultura florestal? Não precisarão as duas de tratamentos diferenciados? Não corremos o risco de transformar toda a floresta em cultura florestal com objetivos económicos comprometendo os equilíbrios ecológicos necessários para o futuro do planeta e da humanidade? Não teremos que ver um bocadinho mais longe?
Paulo Santos
 

JORNADA DE ATIVIDADES NA CASA DO OESTE

14 DE ABRIL
 
Sábado, dia 14 de Abril, realizam-se na Casa do Oeste, durante a tarde, várias atividades muito importantes para a instituição, contando, desde já, com a adesão de um número significativo de fundadores, amigos da Casa e outros interessados na problemática em discussão. 

·         15,30h- Sessão Ordinária do Conselho de Fundadores, com a seguinte ordem de trabalhos:
  1. Verificação de presenças
  2. Leitura da ultima Ata
  3. Informações
  4. Apreciação e votação do Relatório de Atividades e Contas de 2017
  5. Outros assuntos
Se à hora marcada para o início dos trabalhos não se encontrarem presentes mais de metade dos Fundadores, a reunião começará meia hora mais tarde com qualquer número. 

·         17,00h- Debate sobre o futuro da Casa do Oeste: ideias, projetos, públicos, etc

Esta  reflexão que se deseja aberta deve conter estes dois pressupostos:
a)    Pensar a longo prazo e traçar um plano a 10 ou a 20 anos para o  futuro,
b)    Pensar em estratégias de renovação  e de abertura… 
·         19,00h- Celebração Eucarística 

·         20,00h- Jantar e Conferência: “A limpeza das florestas, ordenamento do território, problemas ecológicos, biodiversidade, ponto da situação no oeste…” Engª Rute Santos  da Associação Florestal APAS)
Contamos com a presença de muitos amigos e interessados na discussão destas problemáticas. A participação e os contributos de cada um são fundamentais.
 
É necessário confirmar a presença para o jantar, até ao dia 12 de Abril, para o Secretariado tel. 261 422 790 ou 915779037, e-mail: geral@casadooeste.pt

 


ENCONTRO DE CRISTÃOS DO OESTE
Decorreu ontem, dia 18 de março, na Casa do Oeste, o “Encontro de Cristãos do Oeste, Caminhos e desafios”, organizado pela Plataforma de Diálogo e Intervenção Social, comemorando o 20º aniversário do Congresso de Cristãos do Oeste, realizado em 1997.
A equipa de animação deste Encontro relembrou, a uma centena de participantes, os grandes temas debatidos no Congresso de há 20 anos e laçou para discussão e apresentação de propostas, os desafios que hoje se continuam a pôr aos cristãos do oeste.
Na abertura do Encontro foi lida a mensagem do Sr Patriarca que devido aos seus compromissos pastorais não pode estar presente. (Para grande contentamento dos presentes, o Sr. Patriarca apareceu de surpresa durante o almoço deixando mais uma mensagem de apoio a esta importante iniciativa).
MENSAGEM DO SR PATRIARCA:
É com muita amizade e companhia que saúdo a todos os participantes no Encontro de Cristãos do Oeste, felizmente realizado em Ribamar neste Domingo 18 de março de 2018. Recordo com muito boa lembrança o Congresso de há 20 anos, em que tive o gosto e o proveito de participar. Estou certo de que muito do que lá se disse ficou a ecoar na consciência ativa de muita gente, com resultado benéfico de militância evangélica. A Casa do Oeste tem sido local de sucessivos momentos eclesiais que não deixam apagar-se a chama então acesa. A realização deste Encontro é expressão e prova disso mesmo. Parabéns a todos!
O mesmo se diga da receção há meio século da magnífica encíclica "Populorum progressio", do grande Paulo VI, cuja canonização está para breve. Mais realçado ficará o seu papel de incansável evangelizador, para nos incentivar a todos. Especialmente quando nos disse que "o desenvolvimento é o novo nome da paz" e que o desenvolvimento há de ser "de todos os homens e do homem todo".
O Papa Francisco alertou-nos, entretanto, para a urgência duma "ecologia integral", em que o homem e a natureza vivam em perfeita harmonia e equilíbrio. Em que cuidemos da criação para que ela nos corresponda igualmente, a cada homem e mulher deste mundo que Deus nos confia..
Caros amigos: Estou convicto de que o presente Encontro de Cristãos do Oeste vai ser igualmente um passo importante para a receção da Constituição Sinodal de Lisboa, especialmente quando esta nos diz no seu número 57: «A pastoral social abrange uma diversidade de formas de presença da Igreja na sociedade e um vasto campo de intervenção. A igreja é chamada a estar presente em todos os âmbitos da vida social contribuindo para a edificação da cidade dos homens. [...] A inserção eclesial dos leigos não se deverá restringir à vida interna das comunidades cristãs, mas abrir-se ao vasto campo do diálogo Igreja-mundo onde são chamados a exercer o seu apostolado nos mais diversos âmbitos.»
Estou certo e seguro de que os participantes neste Encontro de Cristãos do Oeste responderão a esta chamada. Por isso rezo e convosco fico, irmão e amigo!
+ Manuel Clemente

Durante o Encontro foi também lido um TESTEMUNHO de uma das  dinamizadoras do Congresso,  Irmã Maria Celeste Lúcio, Franciscana Missionária de Maria:

Há 20 anos levantava-se o alvoroço do Congresso.
Eu própria acompanhei alguns  grupos inter-paroquiais da vigararia de Torres Vedras, que iam aqui e ali anunciar o Congresso no contexto da celebração dominical  A estranheza de muitos, a admiração de outros e a indiferença de alguns  eram sinal da novidade do evento, pretendendo envolver as pessoas como cristãos que são.
Participei  e colaborei nas grandes celebrações de Torres Vedras, Caldas da Rainha e Bombarral, cada uma com sua dinâmica e participação crescente da população.
  Eu própria sugeri um símbolo que a equipa organizadora aceitou: plantar uma árvore de longa duração,  que ficaria como desafio às conclusões de vida do Congresso, a continuar ao longo do tempo.
Lá apareceu pela primeira vez na celebração de Torres Vedras uma oliveira.  Era o Timóteo, experiente agricultor e membro da ACR, creio eu, que tomava conta da oliveira, que apareceu depois nas Caldas da Rainha e depois em Bombarral, até ser plantada junto do  Senhor Jesus  do Carvalhal.  
O logótipo muito expressivo indicava marcha de irmãos guiada pela Cruz.  A oliveira desafiaria a continuar sempre a marcha, com entusiasmo crescimento, ao longo dos tempos.
Na Sessão conclusiva, no Bombarral, com elaboração da Acta do Congresso, presidida por D. António Vitalino, então Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa e recém designado para a região do Oeste, ouvi   dizer a ele  publicamente: “Apoiando-me no meu próprio nome, eu vinha com vontade de vos exortar vitalidade, mas, afinal, já encontro Cristãos cheios de vida, como se vê neste Congresso”.
A celebração eucarística que se seguiu foi uma apoteose eclesial.  Pouco tempo antes,  aquele amplo pavilhão gimno-desportivo do Bombarral rapidamente ficou florido com giesta nas suas galerias de cima, por iniciativa do jovem Domingos António, da Moçafaneira, S.Mamede da Ventosa, que procurou arranjar giesta em quantidade abundante, servindo-se do seu próprio transporte,  ferramentas necessárias e cestos para a colocar.   O Congresso ia envolvendo participação.
Naquela solene celebração eucarística estava a Igreja do Oeste em torno do Senhor Patriarca D. António Ribeiro, que já muito debilitado na saúde, fez esforço em acompanhar este acto significativo da zona do Oeste.   Além da multidão, lá estavam  os párocos e também autarcas: expressão da Igreja na sua missão para o mundo.
O Espírito Santo é que conduz a Igreja na sua vida e missão, mas também se serve de pessoas carismáticas e tenazes.   Toda a gente reconheceu o P. Joaquim Batalha como  o grande impulsionador do Congresso de Cristãos do Oeste e da dinâmica que dali decorre até ao presente, envolvendo progressivamente, capacidades, competências, dons variados, numa atenção às circunstâncias da história e às necessidades concretas. 
Eu muito admirei as várias comissões e jornadas realizadas logo a seguir ao Congresso, para concretização das linhas de acção em horizontes de futuro.  Em especial admirei a plataforma do diálogo cristão  entre empresários e trabalhadores.
A Casa do Oeste, «Fundação João XXIII» em Ribamar da Lourinhã, é o grande centro propulsor da pastoral desta zona rural do Patriarcado de Lisboa, e dinamizador da ACR (Acão Católica Rural) do Patriarcado,  com imensas acções  de formação, animação e colaboração de famílias e pessoas de todas as camadas etárias.
Um dos frutos do Congresso na minha paróquia de origem, S. Mamede da Ventosa, Torres Vedras, foi melhoria litúrgica no Tríduo Pascal pela envolvência dos vários lugares da freguesia,  e uma acção anual de formação sistemática de vários dias para todos.
A minha simples colaboração no Congresso, na área da espiritualidade, segundo  as várias comissões de preparação,  a devo à protecção da minha irmã M. da Nazaré Gomes Lúcio, para deslocações grandes e pequenas e tudo o que fosse necessário, ela que fazia parte da comissão organizadora; ela faleceu em 2006.
Tenho presente várias pessoas dinâmicas e dedicadas, que eu encontrei nos meus contactos de preparação do Congresso, especialmente em Torres Vedras.  Não pretendo fazer um relatório, mas simplesmente dar o meu testemunho de partilha de vida, sem deixar de sentir orgulho de ser natural do Oeste.
Ao P. Batalha, aos Congressistas e a todos os participantes nesta celebração aniversariante do Congresso de Cristãos do Oeste, os meus PARABENS e comunhão, com toda a estima e também com muita emoção.”



 
 




 





 


A família como célula base da educação para uma ecologia integral
Este foi o tema do Encontro de aprofundamento da fé, que juntou os militantes da ACR neste início de quaresma e se realizou na Casa do Oeste no domingo 25 de fevereiro de 2018.
A sessão, que contou com meia centena de participantes, teve início com um momento de oração que nos levou a um olhar sobre a tragédia dos incêndios, ao mesmo tempo que nos questionava relativamente às nossas atitudes e comportamentos para com a Natureza que potenciam situações como as que vivemos no verão passado.
O passo seguinte foi o de conhecermos uma súmula do trabalho de reflexão que os grupos da ACR fizeram antes deste Encontro, em jeito de preparação, refletindo sobre a Encíclica Laudato Si.
Como orientador deste dia tivemos o Dr. Juan Ambrósio que nos sublinhou alguns aspetos importantes relativos a esta nossa descoberta da Encíclica Laudato Si que tanto nos interpela e entusiasma para o cuidado da nossa “Casa comum”.
Na nota introdutória o nosso perito falou de situações de crise e de oportunidades que elas também suscitam e afirmou que estamos hoje num contexto de mudança de paradigma e essa mudança pode ser para o melhor ou para o pior, importando por isso estarmos com a atitude que nos propõe o Evangelho: “é preciso que o Evangelho esteja presente nesta dinâmica, pois as mudanças serão sempre feitas” (mesmo sem a nossa presença).
Para não sermos levados pela cultura do eu o Papa Francisco já na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (nº10) nos desafiava à doação, pois com ela a vida alcança outra plenitude…
Na Encíclica Laudato Si aprendemos que renovar a Igreja significa também cuidar da “Casa Comum, promover um mundo diferente.
- Como relacionar a Igreja com o mundo? Perguntava Juan Ambrósio. Através do Amor, da Misericórdia.” Ela não pode ser um parêntesis na vida da Igreja, ela constitui a sua própria existência…” (Mm1) É nessa relação de misericórdia que aprendemos a amar a Casa Comum.
Sendo objetivo da ACR destacar a família nesta dinâmica de educação para uma ecologia integral, o nosso perito ajudou-nos a perceber o que entendemos por família:
Família comunidade: membros que partilham a vida vivida em comum, numa dinâmica de afetos e numa relação de cuidado. Espaço familiar: espaço humano, habitado, aquele que é vivido e simbolizado; a casa da família, como exercício do habitar (precisamos de mapear o nosso lugar, o sítio para onde voltamos todos os dias).Tempo familiar: o exercício do tempo total (passado, presente e futuro); tempo humanizador; tempo para mim e para o outro, tempo para nós.
Fomos interiorizando os apelos do Papa na Encíclica Laudato Si, ele que nos diz que, antes de tudo, “ é a humanidade que precisa de mudar, é preciso desenvolver novas convicções, atitudes e estilos de vida”. Estamos perante um grande desafio educativo e aqui lembra que “na família se cultivam os primeiros hábitos de amor e cuidado, da vida e das coisas, como por exemplo o respeito pelo ecossistema e a proteção de todas as criaturas”. Precisamos desta conversão ecológica, que promove a aliança entre a humanidade e o ambiente.
Num trabalho de reflexão em pequenos grupos procurámos elaborar propostas de atitudes a tomar no sentido do cuidar da Casa Comum, no nosso dia-a-dia, nas nossas comunidades. De uma lista extensa destaco três exemplos:
. Sensibilização para a importância da separação do lixo (fundamentar com as consequências para o planeta se continuarmos a ignorar estes gestos e atitudes);
. Poupança e reaproveitamento da água que utilizamos;
. Casa do Oeste com práticas de reciclagem, sendo modelo na formação para estas atitudes;
Juan Ambrósio concluiu com um desafio: É preciso praticar; é indispensável ensaiarmos estilos de vida diferentes, começando por aquilo que é possível conseguir”.
O Encontro terminou com a celebração da eucaristia, presidida pelo nosso Assistente, padre Batalha.
Tiago Isabel

 

 

 

ENCONTRO DE CRISTÃOS DO OESTE, CAMINHOS E DESAFIOS
Próximo domingo, dia 18 de Março no auditório da Casa do Oeste
Horário: 9,30 às 17,00
Abertura: mensagem do Sr Patriarca
Inscrição: 10€ inclui almoço
Celebração da Eucaristia às 12,30h                           
"Em 1997, realizou-se o Congresso de Cristãos do Oeste, no Bombarral, Caldas da Rainha e Torres Vedras; nele participaram cerca de 900 pessoas e, na celebração eucarística de encerramento, estiveram cerca de 4000. Os congressistas aprovaram 14 conclusões e várias moções, respeitantes a vários domínios da vida dos cristãos na família, na Igreja e no mundo.
Agora, volvidos mais de 20 anos, vai realizar-se o Encontro de Cristãos do Oeste, aqui na Casa do Oeste, destinado a: comemorar o Congresso; analisar o cumprimento das conclusões; e assumir novos compromissos para o futuro. O Encontro é promovido pela Plataforma de Diálogo e Intervenção Social, integrada pela Ação Católica Rural, Fundação João XIII e Núcleo de Diálogo Social. Muitas conclusões do Congresso não tiveram a sequência esperada; mas sabemos que muitas iniciativas se realizaram nas vidas pessoais e familiares dos participantes, bem como nas suas comunidades e movimentos - em especial na Ação Católica - e também no desenvolvimento das suas terras. Espera-se agora que o novo impulso, proveniente do Encontro do dia 18, dê origem a ações mais articuladas e mais consistentes na construção do nosso futuro coletivo, pensando especialmente nas gerações mais novas. A comunidade paroquial de Ribamar, onde se situam as entidades promotoras do Encontro, também é convidada a participar: ou através de inscrições individuais; ou mediante a reflexão pessoal, familiar e em grupo. Para esta reflexão, talvez se recomendem as seguintes perguntas: 1ª. O que é que os membros da  minha famíllia têm feito para a solução dos problemas sociais na nossa freguesia? (Entre esses problemas podem realçar-se: a pobreza, os baixos salários, a doença ou deficiência graves, a toxicodependência, a marginalidade...); 2ª. Que compromissos estão eles disponíveis para assumir em ordem ao futuro? 3ª. Que é que pode ser feito na nossa freguesia para que, a pouco e pouco, não existam situações graves de pobreza, seguindo o exemplo das primeiras comunidades cristãs (cf. At. 4, 32).
O compromisso na solução dos problemas sociais e no desenvolvimento humano integral constitui um ponto fundamental da vocação dos leigos na santificação do mundo. Existem, naturalmente, outras responsabilidades para esta santificação; e existem responsabilidades no interior da Igreja e de natureza estritamente religiosa, que vêm sendo consideradas no âmbito da vida eclesial. Aqui e agora, justifica-se realçar a questão dos problemas sociais, dada a sua gravidade e também porque aí se cumpre o mandamento «amarás o próximo como a ti mesmo» (Mc. 31). "              
Acácio Catarino

 

 

8ª Missão Humanitária Visão Guiné
 

Realizou-se no mês de Fevereiro de 2018 mais uma missão humanitária (a 8ª) na Guiné-Bissau no âmbito do Projeto Visão Guiné.
Esta 8ª missão contou com a participação de 6 médicos oftalmologistas, três enfermeiras, uma psicóloga e um elemento de secretariado. Decorreu entre 17 de Fevereiro e 1 de Março no Hospital de Cumura.
Os participantes nesta missão são oriundos de vários pontos do país como seja Guimarães, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, ou Leiria.
Trata-se de uma cooperação destes elementos com a Fundação João XXIII/Casa do Oeste e a Missão Católica do Hospital de Cumura em Bissau.
Esta missão teve o apoio de uma associação de oftalmologistas portugueses (GER- Grupo de Estudos de Retina), da Wells e de vários laboratórios.
Como sempre, todos os apoios são canalizados para materiais cirúrgicos e medicamentos, assumindo cada um dos voluntários as suas próprias despesas.
Realizaram-se 78 cirurgias oftalmológicas prioritariamente em pessoas carenciadas que se apresentassem cegas por cataratas.
Realizaram-se ainda cerca de 1000 consultas de oftalmologia e cerca de 2000 observações de rastreio.
Nesta missão houve ainda, durante dois dias, uma incursão ao Centro Sanitário Madre M. Catarina Troiani em Nhacra, donde depois vieram pacientes para serem operados no Hospital de Cumura.

Obrigado Rufino, Dionísio, Dalila, Mónica, Vânia, Marta, Ivone, Regina, Aida, Joaquina e Joana.
Luis Gonçalves, médico oftalmologista
 
 

FUNDAÇÃO JOÃO XXIII EM MISSÃO NA GUINÉ
 
A obra missionária da Fundação João XXIII/Casa do Oeste é em primeiro lugar a promoção da solidariedade entre nós e junto do povo Guineense nas suas tabancas e instituições. É a nossa partilha para ajudar a desenvolver as pessoas na saúde, na educação/ensino escolar e na agricultura.
Assim durante este mês de março um grupo grande de voluntários da Fundação vai estar na Guiné : uns já foram e regressaram, outros acabaram de chegar lá e outros ainda hão de seguir para lá brevemente. Levam consigo objetivos distintos. Duas equipas de medicina - uma de oftalmologia (Projeto Visão) e outra de cardiologia (para preparar o apoio a crianças que vêm a Portugal para tratamentos de cardiologia. Um terceiro Grupo de Solidários vai visitar, dar apoio e acompanhar os vários projetos apoiados pela Fundação, com especial relevo para a Cooperativa Agrícola João XXIII.
 No dia um de março saiu mais um contentor com bens doados: uma Ambulância dos Bombeiros de Barcelinhos, paletes de ladrilho para a Coop. Escolar de São José, muito material hospitalar, roupa e livros e ainda medicamentos e leite para o Orfanato Bombaran, de deficientes profundos.
 
Mensagem do Pe Batalha aos missionários da solidariedade

Amigos e companheiros na solidariedade com a Guiné.
Saúde, Paz e Bem, Força na fraternidade também!
 
Na hora de partirdes como voluntários para a Guiné levai no coração este apelo do nosso hino: «Vem comigo, deixa tuas vaidades, teu egoísmo; é o desafio feito aos voluntários que Deus envia; é amor, batalha que vencemos com alegria; esta força brota da Divina Sabedoria.».
 
Pegando nas palavras do Jacinto Duarte: “para mim ir à Guiné é fazer um retiro”.
 
Então sugiro-vos umas dicas para este vosso Retiro:

1. - Tende presente o exemplo do papa Francisco que é sensível à realidade social que visitava os bairros pobres assiduamente em Buenos Aires e costumava dizer: O meu povo é pobre e eu sou deles. Sempre que podia e, agora, sempre que pode, encontra-se com os pobres e doentes, visita os frágeis e doentes… Costumava dizer aos padres: dedicai-vos aos pobres, mas não vos esqueçais de rezar. Insistia na força da Oração e no Testemunho de vida.
Sois missionários da solidariedade com o povo guineense, não com palavras, mas cristãos verdadeiramente com o testemunho. Não por obrigação, mas como quem partilha uma alegria.
2. - Jesus indica-nos a estrada e Jesus propõe-nos um estilo.
O verdadeiro culto a Deus não se exprime em atos religiosos e em lugares sagrados, mas sim o que realizamos com os irmãos antes e depois das cerimónias e fora das igrejas. O primeiro ato de culto a Deus é o amor ao próximo  e a defesa dos direitos humanos. «Quem não pratica a justiça e quem não ama o seu irmão, não é de Deus» (1 Jo 3, 10).
O papa Francisco: «Jesus não é somente um amigo. É um mestre de verdade e de vida, que revela o caminho para alcançar a felicidade…Se queremos seguir Cristo de perto, não podemos procurar uma vida cómoda e tranquila. Será uma vida empenhada, mas cheia de alegria.
3. - Saborear a vida na Guiné. Algumas sugestões:
- As refeições: Deus proporciona-te não só pão para a boca, mas alimenta-te com o pão da fraternidade dos companheiros com quem te sentas à mesa
  - Conversa e brinca com as crianças que te dão as mãos e te abraçam
- Faz a experiência de que a vida é para se viver calmamente e não para estar continuamente a olhar para o relógio
- Ouve o chilrear dos pássaros e o ru-ru das rolas. Ouve toda a sua melodia. A música e a natureza são dádivas, mas só serão se te deixares encantar por elas
- Observa a beleza das noites
- Quando estiveres a conversar com Deus, escuta o sentido das tuas palavras. Para ouvir a Deus é preciso aprender a contemplá-Lo e sentir a sua presença na nossa vida. É preciso parar e dialogar com Ele. Seguir Jesus significa ir contra a corrente, renunciando ao mal e ao egoísmo
- Para e admira o que te rodeia, porque sem contemplação a vida é uma mera existência. Observa tudo o que está à tua disposição, tudo o que Deus te oferece em cada dia.
- Cultiva e estimula o teu sentido do humor. Pode haver sempre um sorriso escondido em qualquer lugar.
- Perdoa àqueles que por qualquer razão te magoarem.
- Tenta sempre dar o melhor daquilo que tens, mesmo que te pareça pouco
- Procura encarar os problemas com desafios e novas oportunidades.
- Trabalha no sentido de encontrares soluções criativas.
- Sempre que estejas triste partilha os teus sentimentos com alguém. O que é partilhado torna-se mais fácil transportar
- Sempre que te pareça que a tua vida está virada do avesso, nunca desistas de tentar melhorá-la.
- Toma consciência de que é o teu Batismo que te dá a força e a luz que vem de Cristo, «Vinde ver! Eu estou no mar e na bolanha…Vinde ver! Sou Eu que estou convosco a caminhar…» (do nosso Hino)
Enfim, repetindo: Sois missionários da solidariedade, não com palavras, mas como testemunho de tudo o que tendes feito pela Guiné. Não por obrigação, mas como quem partilha uma alegria.
Ide em Paz para a terra da Promessa que o Senhor vai na vossa companhia!
 
Casa do Oeste, 5 de Março de 2018
 
Pe Joaquim Batalha
                       
Testemunhos:
 
Elementos de um destes Grupos de Voluntários que acaba de regressar da Guiné dão-nos o seu testemunho:

1. -Grata pela oportunidade que me deram. Estou de coração cheio por tudo o que vivi nesta última semana lá na Guiné. Uma missão onde a ajuda, a compreensão, a partilha mas acima de tudo o AMOR nos uniu nesta causa.
Um obrigada muito especial á minha querida Mena que é um ser humano lindo, ao Fiúza e a vós, Fundação João XXIII-Casa Oeste. È de louvar toda a dedicação. Só quem está no terreno pode testemunhar todo o trabalho desenvolvido e o quanto a Fundação é tão querida pelo povo da Guiné. (por Fátima Lourenço).

2. -Desde já agradecemos a oportunidade de conhecer a Guiné e conhecer o trabalho fantástico feito pela Fundação no território. É realmente de louvar o trabalho de todos os envolvidos, um trabalho feito com paixão, sem pensar em reconhecimento publico. Ninguém faz ideia da dimensão da vossa boa vontade e ajuda que dão a tantas organizações.
É fantástico ver a forma como os locais tratam os colaboradores da Fundação. São reconhecidos em qualquer parte como pessoas de bom coração, como mães e pais de muitos.
Muito, muito, obrigada por terem proporcionado ao nosso coração receber tantos ensinamentos em tão pouco tempo. Um grande abraço de gratidão. (por Sara e João Fernandes)