COMUNICADO DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
                                                  FUNDAÇÃO JOÃO XXIII-CASA DO OESTE

Alguns meios de comunicação social, a partir do dia 6 deste mês, difundiram notícias que envolvem o P. Joaquim L. Batalha, na qualidade de Presidente do Conselho de Administração da Fundação João XXIII-Casa do Oeste, com sede em Ribamar (Lourinhã), acusando-o do desvio de verbas resultantes da venda de peças de roupa, doadas para distribuição à população da Guiné-Bissau.
 Os restantes membros do Conselho, surpreendidos e chocados com tamanha calúnia, informam o seguinte:
1- Confirmam a ocorrência de uma operação policial, com buscas efetuadas às instalações da Fundação e aos armazéns no Sobreiro (Mafra), onde se encontram os bens doados para envio para a Guiné, não tendo sido feita qualquer apreensão de bens;
2. Não faz parte dos/as voluntários/as da Fundação a pessoa referida como tal, nalguns meios de comunicação social;
3. O apoio ao desenvolvimento de projetos locais com populações da Guiné-Bissau resultou da iniciativa de membros da Fundação e teve a cobertura imediata deste Conselho, bem como a adesão subsequente de vários/as voluntários/as e doadores. São inúmeros os donativos registados ao longo de 28 anos de solidariedade e de horas de trabalho voluntário (5.852 horas em 2016 -in Relatório de Atividades,), refletidos nas múltiplos projetos de solidariedade efetuados na Guiné-Bissau e conhecidos de todos;
4. A obtenção de fundos, vai-se conseguindo através de pequenos donativos e de iniciativas específicas, não havendo, propriamente, grandes financiadores (privados ou públicos);
5. É possivel que algumas destas iniciativas incorram, pontualmente, em incorreções de procedimento e, eventualmente, de legalidade; aceitamos singelamente essa limitação, e procuramos ultrapassá-la, tal como todas as outras;
6. O Pe. Joaquim Luís Batalha, tal como os seus pares, acompanha a angariação e a aplicação dos dinheiros velando pela sua correta aplicação e pelas decisões da Comissão Coordenadora dos Voluntários da Guine; ele próprio vem atuando permanentemente, sem remuneração, como seu presidente e como voluntário em pé de igualdade com todos os outros, que pagam dos seus bolsos todas as suas deslocações à Guiné, como podem atestar as largas centenas de voluntários que têm nelas participado;
7. O Conselho de Administração, no seu todo, responde pela Fundação, honra-se nos seus/suas voluntários/as, renova a disponibilidade para cooperar fraternalmente com as referidas populações da Guiné-Bissau e assume, com naturalidade, as suas responsabilidades pelas decisões tomadas e pelos riscos inerentes a quem procura resolver problemas graves, com notória escassez de meios.
Ribamar,08-09-2017
O Conselho de Administração:
Pe Joaquim Luis Batalha
Luis Gonzaga Nunes
Maria Leonor Batalha
António Ferreira Ludovino
David Gamboa
Luis Cipriano
Cristina Bento




SEMANA DAS FAMÍLIAS- SEMANA DE ESTUDOS
FAMILIA,CULTURA E SOCIEDADE SUSTENTÁVEL

Entre os dias 24 e 27 de Agosto de 2017 decorreu a Semana das Famílias (Semana de Estudos) na Casa do Oeste, em Ribamar da Lourinhã.
Do primeiro ao último dia, o número de participantes foi aumentando pois, como o programa prevê, os interessados podem optar pelo programa completo, pelos dias cujos temas lhes despertem maior interesse ou, se for caso disso, participarem de acordo com a sua disponibilidade. (O número de participantes variou entre 18 e 39 adultos e mais as crianças - 10).
O final de tarde de Quinta-Feira acolheu os primeiros participantes com criativos jogos de apresentação e música, tendo o mar como cenário.
Na Sexta-Feira, de manhã, a Fátima Cardoso e o Cláudio Esteves deram dois testemunhos marcantes. A primeira falou enquanto mulher, esposa, mãe e profissional/professora reflectindo a sua maneira de ser e de estar neste mundo atribulado em que vivemos e sobre a importância da Família na educação para uma economia sustentável.  O segundo partilhou as suas opções de vida e relatou os momentos difíceis que viveu com o flagelo dos incêndios, na zona de Mação, onde vive.
Na tarde de Sexta-Feira, cada um ocupou o seu tempo da forma que melhor entendeu: uns privilegiaram o ar livre e foram até à praia; outros participaram numa Oficina de Escrita Criativa, na Biblioteca, com a Maria João Batalha; outros ainda aproveitaram para conversar no bar ou no pátio, aproveitando assim, os diferentes espaços e actividades à sua disposição.
O serão foi extremamente divertido com a animação do Paulo Santos e a brilhante representação de duas peças de teatro.
E o Sábado chegou!  De manhã, foi a vez do professor  Paulo César Santos nos apresentar o projecto da "Associação de Aprendizagem Enraizar". Creio poder afirmar que nenhum dos presentes ficou indiferente àquela vontade de fazer melhor e, sobretudo, diferente, tanto no ensino como na comunidade.
Depois do almoço rumámos à Salgueirinha exemplo acabado de um projecto de vida em comum sonhado e concretizado acerca de quarenta anos e que chegou aos nossos dias!
Para que este dia terminasse em beleza, foi proposta uma actividade que despertou enorme entusiasmo. Foi um corrupio até aos camarins à procura da indumentária que melhor se adequasse ao evento - "Danças do Mundo" Só quem presenciou pôde avaliar o quão inesperado foi o serão… Destaco apenas dois personagens espectacularmente recriados: o prof. Raúl e o tocador de gaita de foles!!!
No quarto e último dia, o Domingo, foi a vez de Joana Viegas  falar dos “Desafios do Papa Francisco à família” (a partir da Exortação Apostólica "A Alegria do Amor"  a que se seguiu trabalho de grupo e debate final em plenário.
Quer as diferentes actividades realizadas ao longo destes dias, quer os tempos de oração ao final da tarde, quer ainda a celebração da Eucaristia, foram momentos de intensa união e partilha.
  Helena Santos

 Semana das Famílias - Interpelações /Desafios
Os temas abordados nesta Semana tinham por objectivo contribuir para ganharmos mais consciência sobre o nosso papel rumo a um Desenvolvimento mais sustentável.
Esse papel passa por:
·         Acreditar que os pequenos gestos e atitudes do dia a dia fazem a diferença, na mudança de hábitos que é necessário implementar para a redução do consumo de recursos…
·         Ser capaz de dar testemunho daquilo em que acreditamos
·         Ter coragem de denunciar situações que são lesivas do bem comum
·         Ser interventivos nas nossas comunidades
·         Ser interpelativos face ao tipo de Ensino público que deve promover o desenvolvimento integral das crianças e jovens. 

Na Celebração  de encerramento desta semana fomos convidados a responder à seguinte questão: Neste encontro das famílias o que entendes que Jesus te pede?

Ficam estas respostas como desafios para todos:
Jesus pede-me: - que eu fortaleça e renove a família a que pertenço;
                          -  que seja capaz de seguir mais Jesus, tendo mais Amor pela Vida, estando mais atenta aos outros (principalmente aos mais necessitados), sendo capar de perdoar, pondo em prática na vida o que rezo no "Pai Nosso";
                           - que seja mais ativo na construção de um mundo melhor, que também passa pela denuncia de injustiças e de actos de corrupção;
                           - que as minhas obras e atitudes sejam fonte de esperança para os que encontro no meu "caminho" .

                                                                     A Equipa Organizadora

COMUNICADO DA DIREÇÃO NACIONAL DA AÇÃO CATÓLICA RURAL
Reunidos em Conselho Nacional, os representantes de 12 Dioceses em que a ACR está implantada (Aveiro, Braga, Coimbra, Funchal, Guarda, Leiria-Fátima, Lisboa, Porto, Santarém, Viana do Castelo, Vila Real e Viseu), à luz das linhas de força da VIII Assembleia Nacional de Delegados, projetaram e definiram o plano de ação para 2017/2018. 
 O presidente manifestou esperança de que este Conselho Nacional fosse um tempo de reflexão, com o objetivo de discernir aquilo a que Deus chama a Ação Católica Rural enquanto Movimento. À semelhança do que disse o Papa Francisco à Ação Católica, afirmou ser necessário repensar a forma de apostolado e de oração da ACR, de modo a sermos um Movimento missionário, onde todos se sintam participantes, ativos e necessários.
O Conselho Nacional avaliou como muito positivas as atividades realizadas em cada Diocese e as atividades realizadas pela Equipa Nacional, sendo necessário continuar a investir na formação dos militantes, proporcionando-lhes a participação nestas iniciativas. A ACR reafirma a determinação na sua renovação e revitalização e no prosseguimento da sua Missão Eclesial e Social. Neste âmbito, definiu-se uma proposta de percurso de itinerância infantil e juvenil da ACR.
Para o programa de 2017/2018 propõe-se:
- estudar as temáticas da dignidade humana e da ecologia integral, traduzidas no lema «Abraçar a Vida, Cuidar da Criação»;
- mobilizar os jovens à participação nos desafios que lhes são colocados na preparação do Sínodo dos Bispos sobre os jovens;
- concluir o percurso tripartido da Escola de Dirigentes, iniciada no Ano Pastoral transato, sendo um percurso fundamental para a formação, liderança e militância no Movimento.
A ACR reassumiu a Revista Mundo Rural como um órgão integrante e fundamental, para a formação e informação dos militantes e simpatizantes do Movimento.
O trabalho cooperante em Dioceses de Proximidade continua a ser um instrumento essencial para o fortalecimento das equipas e dos grupos, reafirmando-se também como estratégia de trabalho fundamental a constituição de GARA’s (grupos de análise, reflexão e ação).
O Conselho Nacional refletiu sobre o futuro da ACR, tendo reafirmado a necessidade da sua existência no meio rural, continuando a ser uma mais-valia pelo percurso de formação que disponibiliza, bem como pelo incentivo à ação nos meios onde está presente. Uma das formas de dar continuidade à ACR, é cultivar relações pessoais gratuitas e de proximidade.
O Conselho Nacional demonstrou-se solidário com as vítimas dos incêndios que ciclicamente assolam o país. Neste sentido, assume a responsabilidade de fazer uma campanha para o Movimento, com vista a sensibilizar para a ordenação e gestão florestal, em especial, ao redor das povoações.
A ACR reafirma a sua vontade de fazer crescer o Movimento em cada uma das Dioceses e afirma o seu propósito de ALEGRAR-SE NA VERDADE!
A Direção Nacional
 

MEDALHA DE MÉRITO MUNICIPAL
Amigos
A nossa Fundação foi homenageada pela Câmara Municipal de Mafra com a Medalha de Mérito Municipal, Grau Ouro. Fruto com certeza do apreço que o Presidente da Câmara tem manifestado pelo nosso trabalho na Guiné e pelo grande favor que a Equipa lhe fez ao despejar as instalações antigas da Câmara.
No dia da exaltação da identidade local, a Câmara Municipal de Mafra organizou uma Sessão Solene em que foram distinguidas pessoas singulares e colectivas que prestaram serviços meritórios. A Fundação João XXIII/Casa do Oeste que desenvolve a sua actividade também no concelho de Mafra, onde reúne muitos voluntários que tem vindo a ser o motor da solidariedade prestada à Guiné-Bissau, nas áreas da educação, saúde e agricultura. 
Estamos todos de Parabéns. Graças a Deus!
Pe Joaquim Batalha




FESTA DA FAMILIA RURAL…FESTA NA CASA DO OESTE

Decorreu no passado Domingo dia 4 de junho, a festa da família rural em Ribamar. O tema deste ano foi “O Desenvolvimento dos povos
Como habitual o dia teve inicio com um pequeno colóquio, desta vez sobre os 50 anos da encíclica do Papa  Paulo VI: “populorum progressio”. Na ausência imprevista do palestrante Dr Oliveira Martins, visionou-se uma apresentação alusiva à Encíclica e seguiu-se um debate aberto sobre o desenvolvimento na nossa Região do Oeste e o contributo concreto da Acção Católica da diocese de Lisboa no progresso dos povos, e na ideia do progresso integral do individuo.
Foi um debate muito rico com vários contributos, mas importa destacar  o que foi feito pelo desenvolvimento nestes 50 anos:  Cooperativas várias, entre outras: a Horticoop, em Salir de Matos, a Isicoop em Santo Isidoro,  a  Solidários,  a Biofrade na Lourinhã; a infancoop nas Caldas ;  a Associação Real 21 no Bombarral; a Salgueirinha em Óbidos; a ADL/Associação para Desenvolvimento da Lourinhã… o trabalho nas comunidades e união e trabalho em equipa e que se reviu em muitas colectividade, dinamismo associativo que a JARC e sobretudo a ACR  incentivaram a que fossem mais do que um bar… Também o incentivar  à participação e tomar o desenvolvimento nas próprias mãos, o combate à indiferença e o incentivo ao pensamento crítico, a metodologia do VER JULGAR e AGIR como forma de transformação e compromisso… O valor da criação do trabalho, o papel do espirito de empreendedorismo e como se repercute na criação do próprio emprego,
Evidenciou-se que a AC ajuda os Cristãos a entrelaçar a religião com a vida e serve para fazer crescer as pessoas, sendo talvez um dos Movimentos da Igreja que agarrou mais o Vaticano II…
Como propostas de atuação foi sugerido a criação de apoio e informação ao empreendedor. Neste sentido falou o presidente da Câmara da Lourinhã que esteve presente durante o dia, e ao qual se juntou de tarde o presidente da Câmara de Mafra. Aquele referiu a reabilitação de um edifício para a implementação de  startups (grupos de pessoas à procura de um modelo de negócios, trabalhando em condições de extrema incerteza) e apoio aos empreendedores, no município da Lourinhã.  
 Seguiu-se a celebração Eucaristia festiva com bênção dos campos, animada pelo Grupo Coral juvenil «Sons de Vida» de Ribamar, que contou com um pequeno testemunho do prof Raúl de visita a Portugal que testemunhou a  participação da Fundação João XXIII, em 28 anos de Solidariedade com a Guiné-Bissau, em particular com a CESJ/Cooperativa Escolar de São José de Mindará, de que é Director, em Bissau.
Depois de um almoço de convívio, com mais de 200 pessoas e um tarde cultural, com tema: «a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral»  animada pelos grupos de bases com  teatro, canto, movimento e animação musical… Também com a habitual  «mostra e venda» de produtos da agricultura familiar da região.
Da sessão da manhã, a celebrar os 50 anos da Encíclica “Desenvolvimento dos Povos”, destaca-se a procura de um desenvolvimento integral e solidário da humanidade:
«o desenvolvimento é o novo nome da paz (pp nº76) na medida em que ele combate a miséria e a injustiça (nº 87)» (Paulo VI).
David Gamboa






 

ENCONTRO COM O SR PATRIARCA NA CASA DO OESTE 

Decorreu na Casa do Oeste, no dia 1 de maio, um Encontro do sr Patriarca com os responsáveis diocesanos dos Movimentos Rurais da Ação Católica e da Fundação João XXIII (equipa diocesana da ACR e JARC, núcleo do Diálogo Social, coordenação da solidariedade com a Guiné e Conselho de Administração da Fundação).

O Pe. Batalha iniciou a reunião com uma oração a S. José Operário tendo de seguida, agradecido a presença do sr Patriarca, dizendo que a sua presença neste encontro com os Movimentos Rurais se podia inscrever nas visitas pastorais que estavam a ser feitas na diocese e que era uma oportunidade de  partilhar os trabalhos, projetos, desafios e preocupações destes movimentos que, na Casa do Oeste, têm o seu denominador comum e integram a família diocesana.

Seguiram-se as apresentações por um representante de cada um dos movimentos/equipas presentes: pela ACR, a Dina Franco, pela JARC, a Inês Isabel e Cristiana Palma, pelo Diálogo Social, o Jacinto Filipe, pela Coordenadora da Solidariedade com a Guiné, a Filomena Almeida e finalmente pela Fundação, o Luis Gonzaga. Cada um explanou sucintamente as linhas de força de cada setor e as atividades principais, frisando o grande envolvimento e empenho de todos em levar por diante a missão de estar ao serviço do desenvolvimento local, numa perspetiva integral e á luz da mensagem evangélica.

A intervenção do vice- Presidente da Fundação, Luís Gonzaga, relembrou o sonho da Casa do Oeste, que teve inicio material em 1973 e 45 anos depois continua forte e ativo pondo todos os dias em prática o seu lema: “sonhada por alguns, construída por muitos, para serviço de todos”, assente no voluntariado e na solidariedade.

 Esta Casa é fundamentalmente um projeto dos leigos militantes da Ação Católica Rural, a que se juntaram outros amigos e tem sempre estado ao serviço dos leigos e sobretudo dos que menos posses têm, daí a prestação de serviços a preços quase simbólicos.

Lamentou a recente e profunda alteração estatutária, proposta, pelos serviços da Curia diocesana, que, por ocasião de uma pequena revisão dos estatutos  das IPSS, coloca a Fundação completamente dependente, em termos decisórios, da autoridade eclesiástica, quando sempre (Estatutos de 1991 e revisão de 2010, homologados pelos   Vigários Gerais da altura) foi e se constituiu como uma instituição de leigos, com autonomia, em comunhão com a hierarquia, apresentando sempre para homologação  os planos, orçamentos e relatórios competentes. Mantém, por isso, a esperança de uma reavaliação.

Destacou, finalmente, que os novos projetos e os sonhos continuam a mobilizar militantes e amigos.

A terminar o Encontro o Sr Patriarca manifestou o seu agrado por esta oportunidade tendo referido que de há muito conhece e acompanha este trabalho, referindo a importância da vitalidade da ação católica.  Depois explanou todo o trabalho realizado pela diocese, nestes 2 últimos anos, com a preparação e realização do Sínodo diocesano e que agora se encontra na fase da receção, pelas comunidades. Importa agora discutir as formas efetivas de nas comunidades e nos movimentos aplicarem tais conclusões.

 Referiu ainda a propósito o recente encontro  do Papa Francisco com a Ação Católica e elogiou, neste contexto, o documento “Ser cristão no trabalho: um desafio”- Contributo da Plataforma “Compromisso Social Cristão” para o dia 1 de maio de 2017, de que fazem parte vários organismos da Ação Católica.

O Encontro encerrou com um pequeno lanche e uma foto de grupo. 

António Ludovino






O PAPA E A AÇÃO CATÓLICA
Ao receber, no Vaticano, os participantes no congresso do Fórum Internacional da Ação Católica, Francisco sugeriu várias pistas concretas para os leigos e lembrou que «a paixão da Igreja» é viver a doce e reconfortante alegria de evangelizar»  num discurso do dia 27.4.2017.
Esta abertura, que passa por «uma Ação Católica mais popular, mais incarnada», vai colocar «problemas, porque vão querer tomar parte da instituição pessoas que aparentemente não estão em condições: famílias em que os pais não estão casados pela Igreja, homens e mulheres com um passado ou presente difícil mas que lutam, jovens desorientados e feridos».
Trata-se de «um desafio à maternidade eclesial da Ação Católica; receber todos e acompanhá-los no caminho da vida com as cruzes que levam às costas».
«Evitem cair na tentação perfecionista da eterna preparação para a missão e das eternas análises, que quando terminam já passaram de moda ou estão desatualizadas. O exemplo é Jesus com os apóstolos: enviava-os com o que tinha», recomendou o papa, que insistiu no abandono do «velho critério: sempre se fez assim».
Francisco quer «uma Ação Católica entre o povo, na paróquia, na diocese, no país, bairro, na família, no estudo e no trabalho, no rural, nos âmbitos próprios da vida», porque é nesses «novos areópagos» que se «tomam decisões e se constrói a cultura».

 Discurso aos participantes no congresso da Ação Católica
Papa
Francisco (27.4.2017)
Carisma: recreação à luz da "Evangelii gaudium"

Historicamente, a Ação Católica teve a missão de formar leigos que assumam a sua responsabilidade no mundo. Hoje, concretamente, é a formação de discípulos missionárias. Obrigado por terem assumido decididamente a "Evangelii gaudium" como carta magna. (...)
O apostolado missionário precisa de oração, formação e sacrifício. (...)
Formem: oferecendo um processo de crescimento na fé, um itinerário catequético permanentemente orientado para a missão, adequado a cada realidade, apoiados na Palavra de Deus, para animar a uma feliz amizade com Jesus e à experiência de amor fraterno.
Rezem: nessa santa extroversão que coloca o coração nas necessidades do povo, nas suas angústias, nas suas alegrias. Uma oração que caminhe, que os leve muito longe. Assim evitarão estar a olharem-se continuamente para si mesmos.
Sacrifiquem-se: mas não para se sentirem mais limpos, sacrifício generoso é o que faz bem aos outros. Ofereçam o vosso tempo procurando saber como fazer para que os outros cresçam, ofereçam o que têm nos bolsos, partilhando com os que menos têm, ofereçam sacrificadamente o dom da vocação pessoal para embelezar e fazer crescer a casa comum.

 Renovar o compromisso evangelizador - "diocesaneidade" - paróquias
(...) É vital renovar e atualizar o compromisso da Ação Católica com a evangelização, chegando a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, a todas as periferias existenciais, de verdade e não como uma simples formulação de princípios. Isto implica repensar os vossos planos de formação, as vossas formas de apostolado e até a vossa própria oração, para que não sejam essencialmente, nem ocasionalmente, missionários. Abandonar o velho critério: sempre se fez assim. Há coisas que foram realmente muito boas e meritórias, mas que hoje ficariam fora de contexto se as quiséssemos repetir. (...)
A Ação Católica tem de oferecer à Igreja diocesana um laicado maduro que sirva com disponibilidade os projetos pastorais de cada lugar como um modo de realizar a sua vocação. Precisam de se incarnar concretamente.
Não podem ser esses grupos tão universais que não assentam o pé em lado nenhum, que não respondem a nada e andam à procura do que mais lhes agrada de cada lugar.
Agentes - Todos sem exceção

Todos os membros da Ação Católica são dinamicamente missionários. As crianças evangelizam as crianças, os jovens os jovens, os adultos os adultos, etc. Nada melhor do que um par para mostrar que é possível viver a alegria da fé.
Evitem cair na tentação perfecionista da eterna preparação para a missão e das eternas análises, que quando terminam já passaram de moda ou estão desatualizadas. O exemplo é Jesus com os apóstolos: enviava-os com o que tinha. Depois voltava a reuni-los e ajudava-os a discernir sobre o que viveram.
Que a realidade vos vá marcando o ritmo e deixem que o Espírito Santo os vá conduzindo. Ele é o mestre interior que vai iluminando o nosso trabalhar quando estamos livres de pressupostos ou condicionamentos. Aprende-se a evangelizar evangelizando, como se aprende a rezar rezando se temos o coração devidamente disposto.
Todos podem missionar ainda que nem todos possam sair para a rua ou para o campo. É muito importante o lugar que dais às pessoas que são membros desde há muito tempo ou que se incorporam. Poder-se-ia dizer: podem ser a secção contemplativa e intercessora dentro das diferentes secções da Ação Católica. Elas são as que podem criar o património de oração e de graça para a missão. O mesmo com os doentes. A sua oração é escutada por Deus com ternura especial. Que todos eles se sintam parte, se descubram ativos e necessários.

Destinatários - Todos os homens e todas as periferias

É necessário que a Ação Católica esteja presente no mundo político, empresarial, profissional, não para que se creiam cristãos perfeitos e formados, mas para servir melhor. É imprescindível que a Ação Católica esteja nas prisões, nos hospitais, na rua, nos bairros degradados, nas fábricas. Se não for assim, vai ser uma instituição de exclusivos que não diz nada a ninguém, nem à própria Igreja. Quero uma Ação Católica entre o povo, na paróquia, na diocese, no país, bairro, na família, no estudo e no trabalho, no rural, nos âmbitos próprios da vida. Nestes novos areópagos é onde se tomam decisões e se constrói a cultura.
 Agilizem os modos de incorporação. Não sejam portagem. Não podem ser mais restritivos que a própria Igreja nem mais papistas que o papa. Abram as portas, não façam exames de perfeição cristã, porque procedendo assim estais a promover um farisaísmo hipócrita. Faz falta misericórdia ativa.
O compromisso que assumem os leigos que se integram na Ação Católica olha para a frente. É a decisão de trabalhar pela construção do Reino. Não é preciso "burocratizar" esta graça particular porque o convite do Senhor vem quando menos o esperamos; tampouco podemos "sacramentalizar" a oficialização com requisitos que respondem a outro âmbito da vida da fé e não ao do compromisso evangelizador. Todos têm direito a ser evangelizadores.

Que a Ação Católica ofereça o espaço de acolhimento e de experiência cristã àqueles que se sentem por motivos pessoais como "cristãos de segunda".
Modo - No meio do povo

Dos destinatários depende o modo. Como nos disse o Concílio e rezamos muitas vezes na missa: atentos e partilhando as lutas e esperanças dos homens para mostrar-lhes o caminho da salvação. A Ação Católica não pode estar longe do povo, mas vem do povo e tem de estar no meio do povo. Deveis popularizar a Ação Católica. Esta não é uma questão de imagem, mas de veracidade e de carisma. Também não é demagogia, mas seguir os passos do mestre que não experimentou repugnância por nada.
Para poder seguir este caminho, é bom receber um bairro popular. Partilhar a vida da gente e aprender a descobrir quais os seus interesses e procuras, quais os seus anseios e feridas mais profundas; e o que precisam de nós. Isto é fundamental para não cair na esterilidade de dar respostas a perguntas que ninguém faz. Os modos de evangelizar podem pensar-se num gabinete, mas depois de se ter estado no meio do povo, e não ao contrário.
Uma Ação Católica mais popular, mais incarnada, vai trazer-vos problemas, porque vão querer tomar parte da instituição pessoas que aparentemente não estão em condições: famílias em que os pais não estão casados pela Igreja, homens e mulheres com um passado ou presente difícil mas que lutam, jovens desorientados e feridos. É um desafio à maternidade eclesial da Ação Católica; receber todos e acompanhá-los no caminho da vida com as cruzes que levam às costas.
Todos podem tomar parte a partir do que têm e com o que podem. (...)
Aguçai o olhar para ver os sinais de Deus presentes na realidade, sobretudo nas expressões de religiosidade popular. A partir daí poderão compreender melhor o coração dos homens e descobrirão os modos surpreendentes a partir dos quais Deus atua mais além dos nossos conceitos.

 Projeto - Ação Católica em saída - Paixão por Cristo, paixão pelo nosso povo
(...) A saída significa abertura, generosidade, encontro com a realidade mais além das quatro paredes da instituição e das paróquias. Isto significa renunciar a controlar demasiadamente as coisas e a programar os resultados. Essa liberdade, que é fruto do Espírito Santo, é a que vos vai fazer crescer.
O projeto evangelizador da Ação Católica tem de passar por estes passos: "primeirar", isto é, tomar a iniciativa, participar, acompanhar, frutificar e festejar. (...) Contagiem a alegria da fé, que se note a alegria de evangelizar em todas a ocasiões, a tempo e fora de tempo.
Não caiam na tentação do estruturalismo. Sejam audazes, não são mais fiéis à Igreja por estarem à espera, a cada passo, que lhes digam o que têm de fazer.

Encorajem os vossos membros a desfrutar da missão corpo a corpo casual ou a partir da ação missionária da comunidade.
Não clericalizem o laicado. Que a aspiração dos vossos membros não seja formar parte do sinédrio das paróquias que rodeiam o pároco, mas a paixão pelo Reino. Mas não se esqueçam de colocar a questão vocacional com seriedade. Escola de santidade que passa necessariamente por descobrir a própria vocação, que não é ser um dirigente ou padre licenciado, mas, sobre todas as coisas, um evangelizador.
Têm de ser lugar de encontro para o resto dos carismas institucionais e movimentos que há na Igreja sem medo de perder a identidade. Além disso, dos vossos membros têm de sair os evangelizadores, catequistas, missionários, trabalhadores sociais que continuarão a fazer crescer a Igreja.
Muitas vezes disse-se que a Ação Católica é o longo braço da hierarquia, e isto, longe de ser uma prerrogativa que faz olhar as pessoas acima do ombro, é uma responsabilidade muito grande que implica fidelidade e coerência ao que a Igreja vai mostrando em cada momento da história sem pretender ancorar-se em formas passadas como se fossem as únicas possíveis. A fidelidade à missão exige essa "boa plasticidade" de quem tem um ouvido no povo e outro em Deus.
Na publicação "A Ação Católica à luz da teologia tomista", de 1937, lê-se: «Por acaso a Ação Católica não deve converter-se em Paixão Católica?». A paixão católica, a paixão da Igreja é viver a doce e reconfortante alegria de evangelizar. Isto é o que precisamos da Ação Católica.

Extraido do site do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura
http://snpcultura.org/abram_as_portas_nao_sejam_mais_papistas_que_o_papa.html