FESTA DA FAMILIA RURAL…FESTA NA CASA DO OESTE

Decorreu no passado Domingo dia 4 de junho, a festa da família rural em Ribamar. O tema deste ano foi “O Desenvolvimento dos povos
Como habitual o dia teve inicio com um pequeno colóquio, desta vez sobre os 50 anos da encíclica do Papa  Paulo VI: “populorum progressio”. Na ausência imprevista do palestrante Dr Oliveira Martins, visionou-se uma apresentação alusiva à Encíclica e seguiu-se um debate aberto sobre o desenvolvimento na nossa Região do Oeste e o contributo concreto da Acção Católica da diocese de Lisboa no progresso dos povos, e na ideia do progresso integral do individuo.
Foi um debate muito rico com vários contributos, mas importa destacar  o que foi feito pelo desenvolvimento nestes 50 anos:  Cooperativas várias, entre outras: a Horticoop, em Salir de Matos, a Isicoop em Santo Isidoro,  a  Solidários,  a Biofrade na Lourinhã; a infancoop nas Caldas ;  a Associação Real 21 no Bombarral; a Salgueirinha em Óbidos; a ADL/Associação para Desenvolvimento da Lourinhã… o trabalho nas comunidades e união e trabalho em equipa e que se reviu em muitas colectividade, dinamismo associativo que a JARC e sobretudo a ACR  incentivaram a que fossem mais do que um bar… Também o incentivar  à participação e tomar o desenvolvimento nas próprias mãos, o combate à indiferença e o incentivo ao pensamento crítico, a metodologia do VER JULGAR e AGIR como forma de transformação e compromisso… O valor da criação do trabalho, o papel do espirito de empreendedorismo e como se repercute na criação do próprio emprego,
Evidenciou-se que a AC ajuda os Cristãos a entrelaçar a religião com a vida e serve para fazer crescer as pessoas, sendo talvez um dos Movimentos da Igreja que agarrou mais o Vaticano II…
Como propostas de atuação foi sugerido a criação de apoio e informação ao empreendedor. Neste sentido falou o presidente da Câmara da Lourinhã que esteve presente durante o dia, e ao qual se juntou de tarde o presidente da Câmara de Mafra. Aquele referiu a reabilitação de um edifício para a implementação de  startups (grupos de pessoas à procura de um modelo de negócios, trabalhando em condições de extrema incerteza) e apoio aos empreendedores, no município da Lourinhã.  
 Seguiu-se a celebração Eucaristia festiva com bênção dos campos, animada pelo Grupo Coral juvenil «Sons de Vida» de Ribamar, que contou com um pequeno testemunho do prof Raúl de visita a Portugal que testemunhou a  participação da Fundação João XXIII, em 28 anos de Solidariedade com a Guiné-Bissau, em particular com a CESJ/Cooperativa Escolar de São José de Mindará, de que é Director, em Bissau.
Depois de um almoço de convívio, com mais de 200 pessoas e um tarde cultural, com tema: «a família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral»  animada pelos grupos de bases com  teatro, canto, movimento e animação musical… Também com a habitual  «mostra e venda» de produtos da agricultura familiar da região.
Da sessão da manhã, a celebrar os 50 anos da Encíclica “Desenvolvimento dos Povos”, destaca-se a procura de um desenvolvimento integral e solidário da humanidade:
«o desenvolvimento é o novo nome da paz (pp nº76) na medida em que ele combate a miséria e a injustiça (nº 87)» (Paulo VI).
David Gamboa






 

ENCONTRO COM O SR PATRIARCA NA CASA DO OESTE 

Decorreu na Casa do Oeste, no dia 1 de maio, um Encontro do sr Patriarca com os responsáveis diocesanos dos Movimentos Rurais da Ação Católica e da Fundação João XXIII (equipa diocesana da ACR e JARC, núcleo do Diálogo Social, coordenação da solidariedade com a Guiné e Conselho de Administração da Fundação).

O Pe. Batalha iniciou a reunião com uma oração a S. José Operário tendo de seguida, agradecido a presença do sr Patriarca, dizendo que a sua presença neste encontro com os Movimentos Rurais se podia inscrever nas visitas pastorais que estavam a ser feitas na diocese e que era uma oportunidade de  partilhar os trabalhos, projetos, desafios e preocupações destes movimentos que, na Casa do Oeste, têm o seu denominador comum e integram a família diocesana.

Seguiram-se as apresentações por um representante de cada um dos movimentos/equipas presentes: pela ACR, a Dina Franco, pela JARC, a Inês Isabel e Cristiana Palma, pelo Diálogo Social, o Jacinto Filipe, pela Coordenadora da Solidariedade com a Guiné, a Filomena Almeida e finalmente pela Fundação, o Luis Gonzaga. Cada um explanou sucintamente as linhas de força de cada setor e as atividades principais, frisando o grande envolvimento e empenho de todos em levar por diante a missão de estar ao serviço do desenvolvimento local, numa perspetiva integral e á luz da mensagem evangélica.

A intervenção do vice- Presidente da Fundação, Luís Gonzaga, relembrou o sonho da Casa do Oeste, que teve inicio material em 1973 e 45 anos depois continua forte e ativo pondo todos os dias em prática o seu lema: “sonhada por alguns, construída por muitos, para serviço de todos”, assente no voluntariado e na solidariedade.

 Esta Casa é fundamentalmente um projeto dos leigos militantes da Ação Católica Rural, a que se juntaram outros amigos e tem sempre estado ao serviço dos leigos e sobretudo dos que menos posses têm, daí a prestação de serviços a preços quase simbólicos.

Lamentou a recente e profunda alteração estatutária, proposta, pelos serviços da Curia diocesana, que, por ocasião de uma pequena revisão dos estatutos  das IPSS, coloca a Fundação completamente dependente, em termos decisórios, da autoridade eclesiástica, quando sempre (Estatutos de 1991 e revisão de 2010, homologados pelos   Vigários Gerais da altura) foi e se constituiu como uma instituição de leigos, com autonomia, em comunhão com a hierarquia, apresentando sempre para homologação  os planos, orçamentos e relatórios competentes. Mantém, por isso, a esperança de uma reavaliação.

Destacou, finalmente, que os novos projetos e os sonhos continuam a mobilizar militantes e amigos.

A terminar o Encontro o Sr Patriarca manifestou o seu agrado por esta oportunidade tendo referido que de há muito conhece e acompanha este trabalho, referindo a importância da vitalidade da ação católica.  Depois explanou todo o trabalho realizado pela diocese, nestes 2 últimos anos, com a preparação e realização do Sínodo diocesano e que agora se encontra na fase da receção, pelas comunidades. Importa agora discutir as formas efetivas de nas comunidades e nos movimentos aplicarem tais conclusões.

 Referiu ainda a propósito o recente encontro  do Papa Francisco com a Ação Católica e elogiou, neste contexto, o documento “Ser cristão no trabalho: um desafio”- Contributo da Plataforma “Compromisso Social Cristão” para o dia 1 de maio de 2017, de que fazem parte vários organismos da Ação Católica.

O Encontro encerrou com um pequeno lanche e uma foto de grupo. 

António Ludovino






O PAPA E A AÇÃO CATÓLICA
Ao receber, no Vaticano, os participantes no congresso do Fórum Internacional da Ação Católica, Francisco sugeriu várias pistas concretas para os leigos e lembrou que «a paixão da Igreja» é viver a doce e reconfortante alegria de evangelizar»  num discurso do dia 27.4.2017.
Esta abertura, que passa por «uma Ação Católica mais popular, mais incarnada», vai colocar «problemas, porque vão querer tomar parte da instituição pessoas que aparentemente não estão em condições: famílias em que os pais não estão casados pela Igreja, homens e mulheres com um passado ou presente difícil mas que lutam, jovens desorientados e feridos».
Trata-se de «um desafio à maternidade eclesial da Ação Católica; receber todos e acompanhá-los no caminho da vida com as cruzes que levam às costas».
«Evitem cair na tentação perfecionista da eterna preparação para a missão e das eternas análises, que quando terminam já passaram de moda ou estão desatualizadas. O exemplo é Jesus com os apóstolos: enviava-os com o que tinha», recomendou o papa, que insistiu no abandono do «velho critério: sempre se fez assim».
Francisco quer «uma Ação Católica entre o povo, na paróquia, na diocese, no país, bairro, na família, no estudo e no trabalho, no rural, nos âmbitos próprios da vida», porque é nesses «novos areópagos» que se «tomam decisões e se constrói a cultura».

 Discurso aos participantes no congresso da Ação Católica
Papa
Francisco (27.4.2017)
Carisma: recreação à luz da "Evangelii gaudium"

Historicamente, a Ação Católica teve a missão de formar leigos que assumam a sua responsabilidade no mundo. Hoje, concretamente, é a formação de discípulos missionárias. Obrigado por terem assumido decididamente a "Evangelii gaudium" como carta magna. (...)
O apostolado missionário precisa de oração, formação e sacrifício. (...)
Formem: oferecendo um processo de crescimento na fé, um itinerário catequético permanentemente orientado para a missão, adequado a cada realidade, apoiados na Palavra de Deus, para animar a uma feliz amizade com Jesus e à experiência de amor fraterno.
Rezem: nessa santa extroversão que coloca o coração nas necessidades do povo, nas suas angústias, nas suas alegrias. Uma oração que caminhe, que os leve muito longe. Assim evitarão estar a olharem-se continuamente para si mesmos.
Sacrifiquem-se: mas não para se sentirem mais limpos, sacrifício generoso é o que faz bem aos outros. Ofereçam o vosso tempo procurando saber como fazer para que os outros cresçam, ofereçam o que têm nos bolsos, partilhando com os que menos têm, ofereçam sacrificadamente o dom da vocação pessoal para embelezar e fazer crescer a casa comum.

 Renovar o compromisso evangelizador - "diocesaneidade" - paróquias
(...) É vital renovar e atualizar o compromisso da Ação Católica com a evangelização, chegando a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, a todas as periferias existenciais, de verdade e não como uma simples formulação de princípios. Isto implica repensar os vossos planos de formação, as vossas formas de apostolado e até a vossa própria oração, para que não sejam essencialmente, nem ocasionalmente, missionários. Abandonar o velho critério: sempre se fez assim. Há coisas que foram realmente muito boas e meritórias, mas que hoje ficariam fora de contexto se as quiséssemos repetir. (...)
A Ação Católica tem de oferecer à Igreja diocesana um laicado maduro que sirva com disponibilidade os projetos pastorais de cada lugar como um modo de realizar a sua vocação. Precisam de se incarnar concretamente.
Não podem ser esses grupos tão universais que não assentam o pé em lado nenhum, que não respondem a nada e andam à procura do que mais lhes agrada de cada lugar.
Agentes - Todos sem exceção

Todos os membros da Ação Católica são dinamicamente missionários. As crianças evangelizam as crianças, os jovens os jovens, os adultos os adultos, etc. Nada melhor do que um par para mostrar que é possível viver a alegria da fé.
Evitem cair na tentação perfecionista da eterna preparação para a missão e das eternas análises, que quando terminam já passaram de moda ou estão desatualizadas. O exemplo é Jesus com os apóstolos: enviava-os com o que tinha. Depois voltava a reuni-los e ajudava-os a discernir sobre o que viveram.
Que a realidade vos vá marcando o ritmo e deixem que o Espírito Santo os vá conduzindo. Ele é o mestre interior que vai iluminando o nosso trabalhar quando estamos livres de pressupostos ou condicionamentos. Aprende-se a evangelizar evangelizando, como se aprende a rezar rezando se temos o coração devidamente disposto.
Todos podem missionar ainda que nem todos possam sair para a rua ou para o campo. É muito importante o lugar que dais às pessoas que são membros desde há muito tempo ou que se incorporam. Poder-se-ia dizer: podem ser a secção contemplativa e intercessora dentro das diferentes secções da Ação Católica. Elas são as que podem criar o património de oração e de graça para a missão. O mesmo com os doentes. A sua oração é escutada por Deus com ternura especial. Que todos eles se sintam parte, se descubram ativos e necessários.

Destinatários - Todos os homens e todas as periferias

É necessário que a Ação Católica esteja presente no mundo político, empresarial, profissional, não para que se creiam cristãos perfeitos e formados, mas para servir melhor. É imprescindível que a Ação Católica esteja nas prisões, nos hospitais, na rua, nos bairros degradados, nas fábricas. Se não for assim, vai ser uma instituição de exclusivos que não diz nada a ninguém, nem à própria Igreja. Quero uma Ação Católica entre o povo, na paróquia, na diocese, no país, bairro, na família, no estudo e no trabalho, no rural, nos âmbitos próprios da vida. Nestes novos areópagos é onde se tomam decisões e se constrói a cultura.
 Agilizem os modos de incorporação. Não sejam portagem. Não podem ser mais restritivos que a própria Igreja nem mais papistas que o papa. Abram as portas, não façam exames de perfeição cristã, porque procedendo assim estais a promover um farisaísmo hipócrita. Faz falta misericórdia ativa.
O compromisso que assumem os leigos que se integram na Ação Católica olha para a frente. É a decisão de trabalhar pela construção do Reino. Não é preciso "burocratizar" esta graça particular porque o convite do Senhor vem quando menos o esperamos; tampouco podemos "sacramentalizar" a oficialização com requisitos que respondem a outro âmbito da vida da fé e não ao do compromisso evangelizador. Todos têm direito a ser evangelizadores.

Que a Ação Católica ofereça o espaço de acolhimento e de experiência cristã àqueles que se sentem por motivos pessoais como "cristãos de segunda".
Modo - No meio do povo

Dos destinatários depende o modo. Como nos disse o Concílio e rezamos muitas vezes na missa: atentos e partilhando as lutas e esperanças dos homens para mostrar-lhes o caminho da salvação. A Ação Católica não pode estar longe do povo, mas vem do povo e tem de estar no meio do povo. Deveis popularizar a Ação Católica. Esta não é uma questão de imagem, mas de veracidade e de carisma. Também não é demagogia, mas seguir os passos do mestre que não experimentou repugnância por nada.
Para poder seguir este caminho, é bom receber um bairro popular. Partilhar a vida da gente e aprender a descobrir quais os seus interesses e procuras, quais os seus anseios e feridas mais profundas; e o que precisam de nós. Isto é fundamental para não cair na esterilidade de dar respostas a perguntas que ninguém faz. Os modos de evangelizar podem pensar-se num gabinete, mas depois de se ter estado no meio do povo, e não ao contrário.
Uma Ação Católica mais popular, mais incarnada, vai trazer-vos problemas, porque vão querer tomar parte da instituição pessoas que aparentemente não estão em condições: famílias em que os pais não estão casados pela Igreja, homens e mulheres com um passado ou presente difícil mas que lutam, jovens desorientados e feridos. É um desafio à maternidade eclesial da Ação Católica; receber todos e acompanhá-los no caminho da vida com as cruzes que levam às costas.
Todos podem tomar parte a partir do que têm e com o que podem. (...)
Aguçai o olhar para ver os sinais de Deus presentes na realidade, sobretudo nas expressões de religiosidade popular. A partir daí poderão compreender melhor o coração dos homens e descobrirão os modos surpreendentes a partir dos quais Deus atua mais além dos nossos conceitos.

 Projeto - Ação Católica em saída - Paixão por Cristo, paixão pelo nosso povo
(...) A saída significa abertura, generosidade, encontro com a realidade mais além das quatro paredes da instituição e das paróquias. Isto significa renunciar a controlar demasiadamente as coisas e a programar os resultados. Essa liberdade, que é fruto do Espírito Santo, é a que vos vai fazer crescer.
O projeto evangelizador da Ação Católica tem de passar por estes passos: "primeirar", isto é, tomar a iniciativa, participar, acompanhar, frutificar e festejar. (...) Contagiem a alegria da fé, que se note a alegria de evangelizar em todas a ocasiões, a tempo e fora de tempo.
Não caiam na tentação do estruturalismo. Sejam audazes, não são mais fiéis à Igreja por estarem à espera, a cada passo, que lhes digam o que têm de fazer.

Encorajem os vossos membros a desfrutar da missão corpo a corpo casual ou a partir da ação missionária da comunidade.
Não clericalizem o laicado. Que a aspiração dos vossos membros não seja formar parte do sinédrio das paróquias que rodeiam o pároco, mas a paixão pelo Reino. Mas não se esqueçam de colocar a questão vocacional com seriedade. Escola de santidade que passa necessariamente por descobrir a própria vocação, que não é ser um dirigente ou padre licenciado, mas, sobre todas as coisas, um evangelizador.
Têm de ser lugar de encontro para o resto dos carismas institucionais e movimentos que há na Igreja sem medo de perder a identidade. Além disso, dos vossos membros têm de sair os evangelizadores, catequistas, missionários, trabalhadores sociais que continuarão a fazer crescer a Igreja.
Muitas vezes disse-se que a Ação Católica é o longo braço da hierarquia, e isto, longe de ser uma prerrogativa que faz olhar as pessoas acima do ombro, é uma responsabilidade muito grande que implica fidelidade e coerência ao que a Igreja vai mostrando em cada momento da história sem pretender ancorar-se em formas passadas como se fossem as únicas possíveis. A fidelidade à missão exige essa "boa plasticidade" de quem tem um ouvido no povo e outro em Deus.
Na publicação "A Ação Católica à luz da teologia tomista", de 1937, lê-se: «Por acaso a Ação Católica não deve converter-se em Paixão Católica?». A paixão católica, a paixão da Igreja é viver a doce e reconfortante alegria de evangelizar. Isto é o que precisamos da Ação Católica.

Extraido do site do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura
http://snpcultura.org/abram_as_portas_nao_sejam_mais_papistas_que_o_papa.html

 

CARTA DE RIBAMAR - Uma Economia Solidária é possível


A encerrar o 2º Encontro de Economia Solidária foi lido este documento/compromisso dos participantes no Encontro. Foi enviada a carta a todos os presentes e pedido propostas de alterações, acrescentos, etc. Recolhidas as sugestões deu-se por concluído este texto:
 
Os desafios que hoje se nos colocam a nível político, económico, social e cultural exigem que os enfrentemos com conhecimento, realismo, determinação e capacidade de ação coletiva. Fundamentados nos valores da liberdade, da justiça, da paz, da dignidade das pessoas e da proteção dos recursos naturais, queremos exercer, conscientemente, os nossos inalienáveis direitos e deveres de cidadania, no dia a dia.
Como em situações anteriores, as desigualdades salariais, os bloqueios, o desconhecimento e o desinteresse, incentivam a ação oportunista dos poderes financeiros, que, sem qualquer sensibilidade social, agravam e prejudicam a esmagadora maioria das populações. Por isso, afirmamos: é indispensável libertar as pessoas, nomeadamente as mais desprotegidas; é urgente que nos libertemos do medo, da inação, com um esforço coletivo, para podermos trabalhar contra a opressão económica, financeira, social e cultural.
Com esta perspetiva, encontrámo-nos, voluntariamente no 2º. ENCONTRO DA ECONOMIA SOLIDÁRIA, em Ribamar - Lourinhã, a 1 de Abril de 2017, mais de sete dezenas de pessoas que aderiram à iniciativa da Fundação João XXIII-CASA DO OESTE, dos AMIGOS DE APRENDER, da Cooperativa TERRA CHÃ (Rio Maior), do Centro de Desenvolvimento Comunitário do LANDAL (Caldas da Rainha) e da CASA DO SAL (Figueira da Foz). Assim, organizados atentos e motivados, debatemos a realidade que nos cerca, com o objectivo de contribuir com sugestões de ação individual e coletiva, para a alterar. Com a preciosa colaboração de especialistas e companheiros com intervenção efetiva no terreno, analisámos OS DESAFIOS DE HOJE - COMPREENDER O MUNDO; - INICIATIVAS, EXPERIÊNCIAS e PRÁTICAS (de Miro - Penacova, Lousã, Vale da Trave), e discutimos, em grupos de trabalho - Inovação Social; Democracia, Poder, Ética das/nas organizações; Repensar o Trabalho; Educação, Desenvolvimento, Aprender na vida; Bem Comum, Comunidades e Redes Colaborativas, como podemos agir para transformar.
A partir daí, interrogámo-nos acerca dos DESAFIOS E OPORTUNIDADES: PARA QUE MUNDO VAMOS? POR ONDE VAMOS? COMO VAMOS?
Face à pertinência de uma transformação substancial e urgente da situação atual, para a pôr de acordo com os valores fundamentais da humanidade e o respeito pelos valores da Biodiversidade e da Sustentabilidade dos Ecossistemas, os participantes comprometeram-se em viver, divulgar e praticar o sentido e as ações debatidas, bem como agir dentro dos seus grupos naturais e das comunidades em que se inserem, de modo a criar uma conexão comum de intervenção na sociedade, invocando, defendendo e exercendo os seus direitos e os das pessoas, sempre que a situação o exija, numa visão plural e ecocêntrica.

 O futuro próximo está ao virar da esquina, quando agimos com criatividade, agilidade, acreditando que somos capazes, de o construir, solidariamente.
Casa do Oeste, Ribamar, 1 de Abril de 2017

 

PÁSCOA EM BISSAU – TESTEMUNHO

O Pe Batalha recebeu do nosso Delegado da Fundação João XXIII/Casa do Oeste, da Guiné-Bissau, o Prof guineense Raúl Daniel, este belo testemunho:

«Do fundo do coração estou feliz, por pertencer a uma das paróquias mais dinâmica em Bissau, Santo António de Bandim. Vivi a Pascoa olhando admiravelmente  o crescimento das 4 comunidades   da paróquia. Perante milhares de pessoas que cantaram, rezaram com ramos de palmeiras nas mãos pelas Avenidas do Bairro , celebrando a entrada do Rei em Jerusalém no Domingos de Ramos. Como se não bastasse, milhares dos paroquianos só de comunidade Central Bandim, rezaram sem cansar toda a  noite e todo o  dia de quinta-feira e sexta-feira Santa. Fizeram via-sacra ao vivo, percorrendo a volta ao  Bairro de Mindará, sem se preocupar com sol ardente   e o muito calor que fazia. Tudo veio a terminar  só as 18 horas depois de adoração de cruz e comunhão. Sábado santo  perante milhares de pessoas só comunidade de Bandim, participaram na celebração litúrgica que começou 21 horas com a bênção do Fogo e só terminou  as duas (2) horas de madrugada com 212 batismos de novos cristãos -  isto é,5 horas de tempo. Que Jesus Cristo Ressuscitado  faça mais Cristãos capazes de converter do fundo de coração e mudar a mentalidade dos cidadãos sobretudo os políticos Guineenses.  Continuação de Boa, feliz e santa Páscoa».
Raul Daniel

 DISCURSO DO PE BATALHA (presidente do Conselho de Administração da Fundação João XXIII) no encerramento em Bissau da Conferencia sobre 25 anos de Solidariedade com a Guiné
Amigos
Esta Conferência faz-me recordar a vocação abraâmica da nossa Fundação: «Deixa a tua terra e vai à terra que Eu te indicar…» e viemos parar à Guiné.
Hoje podemos alegrar-nos e, contemplando a solidariedade realizada, também podemos dizer que vimos que é bom o que fizemos.
Abrindo as nossas portas, saímos às periferias dos mais pobres, conforme nos propõe o papa Francisco. Abrimos a nossa relação ecuménica na dimensão humanitária: com a Igreja evangélica em Ondame, com a Casa Emanuel em Bissau e com vários muçulmanos.
Deus obrigado ! Graças a Deus.
Assim alcançámos os objectivos da Fundação João XXIII que são baseados em valores e princípios partilhados, inspirados na Sagrada Escritura e na doutrina social da Igreja, com a ideia de construir uma civilização do amor (Paulo VI) fundamentada nos valores da fraternidade em confiança mútua e diálogo franco e aberto, do respeito pela dignidade da pessoa humana, da opção pelos mais pobres, da solidariedade que não é um simples sentimento de compaixão, mas determinação firme e perseverante de trabalhar para o bem comum, de todos e de cada um, do respeito pela cultura e tradição local.
Porque acreditamos que o desenvolvimento é fruto da justiça, da paz e da solidariedade.
Os voluntários que se disponibilizam a participar no projecto “Férias Solidárias”, organizadas pela Fundação João XXIII/Casa do Oeste, são pessoas do meio rural e de modestos recursos financeiros, como já referi na 1ª comunicação. Porém o que nunca é demais sublinhar, é o facto de o povo da Guiné ter abraçado esta iniciativa promovendo-a e desenvolvendo-a como sua, conseguindo-se, nesta partilha evangélica, realizar a obra que se tem visto crescer. Mas convosco também nós aprendemos muito:
1.      Aprendemos a valorizar o nosso País e as coisas que têm;
2.      A entender, com muito mais clara evidência, as coisas que são essenciais à vida e as que são perfeitamente supérfluas;
3.      Aprendemos a tomar consciência de que tudo o que possuímos não pode ser gasto de qualquer maneira, quando milhões de seres humanos, todos os dias, lutam desesperadamente pela sobrevivência.
Temos consciência de que os nossos gestos de solidariedade não chegam para salvar o mundo. Porém, ajudam a desenvolver o povo guineense ou ajudam a salvar a vida de uma criança… São gestos tão marcantes que nos acompanharão muito para além do espaço e do tempo.
Verificamos que na vossa sociedade civil se tem operado uma grande mudança no aspecto juvenil do desenvolvimento. A nova geração está a assumir as responsabilidades com qualidade: o prof Raúl Daniel nesta Escola/CESJ, o Leandro na COAJOQ, os jovens da Rádio da Região de Biombo e outras, a Francisca na AIDA, no Hospital Simão Mendes, o director da Clínica de BOR preocupados com a honestidade no trabalho (eliminando as cunhas), a limpeza, a higiene e a dedicação…
O nosso olhar é de esperança. Apenas faço algumas referências  a exemplificar:
- O projecto da Visão, liderado pelo Dr. Luís Gonçalves. A partir da Cumura, não só pelas maravilhas que aí realizam, recuperando a vista a muita gente, mas sobretudo que ele possa ajudar a formar oftalmologistas guineenses para servir as populações e não apenas os interesses pessoais…
- O projecto do barco-ambulância ainda por concretizar…
- O projecto de Parceria com a AIDA (Ajuda-Intercâmbio-Desenvolvimento em Associação) para salvar vidas, recuperando a saúde a muitas crianças que vão a Portugal ser operadas…
- O projecto de desenvolvimento agrícola com a COAGRI em Quinhamel…
- Mais referências haveria para fazer…
Uma só conclusão: a Guiné tem futuro com a sua juventude.
Nós, na Fundação João XXIII, vamos também prosseguir a cooperação, com todo o sentido das nossas responsabilidades e de acordo com as nossas possibilidades.
Teremos sempre bem presentes dois grandes desejos muito fortes:
um para vós e outro para nós.
·         A vós desejamos que tenhais condições para continuar a atender, prioritariamente, as necessidades mais prementes.
·         E a nós desejamos que, a partir da aprendizagem convosco, saibamos realizar, algo de semelhante, em Portugal, ao que vem sendo realizado aqui;
na verdade, as nossas perspectivas económicas e sociais, particularmente no que se refere ao desemprego, são pouco animadoras, e convidam-nos a descobrir caminhos diferentes dos  percorridos até agora.
Termino com uma referência especial à nossa retaguarda em Portugal:
·         Primeiro: gratidão, um grande «BEM-HAJAM» a todos os voluntários que já fizeram esta experiência de virem à Guiné e aos que, em acções de sensibilização em diversas escolas de Portugal divulgaram os projectos e sensibilizaram jovens e adultos para a solidariedade convosco; mas também aos muitos (já referidos na m/ 1ª comunicação) que na retaguarda nos têm ajudado a levar por diante esta luta pelo bem da «Casa comum», aqui na Guiné.
·         Segundo: a nossa muita gratidão aos nossos dois Delegados. Prof. Raúl Daniel e Leónico da Silva/DU a vós Obrigado! Obrigado! Obrigado!
·         Por último, não menos importante: agradecemos, especialmente aos nossos familiares, todo o apoio incondicional que nos prestam, o que nos permite ser voluntários e estar aqui convosco, a todos se estende o nosso Abraço.
Paz e Bem! Ámen!

 

ACREDITAR SEM TER VISTO

ELE NÃO ESTÁ AQUI. RESSUSCITOU

Cristo ressuscitou! É o pregão destes dias da Páscoa… E felizes os que acreditam sem terem visto!
Mas a Páscoa é um apelo a olhar para Jesus que nasceu em Belém e cresceu em Nazaré. Dedica a sua vida a fazer o bem. Ensina-nos a viver como irmãos e a construir um mundo melhor, mais justo e solidário. Por causa das incompreensões e invejas dos seus contemporâneos, é julgado e condenado à morte. Entrega a sua vida voluntariamente e assim aproxima a humanidade e dá-nos a vida eterna. Deus o Pai de Jesus, aceita a sua entrega de amor e devolve-lhe a vida, ressuscita-O. É com esta certeza que apregoamos: Cristo Ressuscitou!... e celebramos a Páscoa, a sua passagem da morte à vida.
Os apóstolos foram as testemunhas da ressurreição de Jesus. Eles puderam ver o ressuscitado e por isso acreditaram. Caso típico é Tomé. Nós não temos esse privilégio. Nós somos felizes se acreditamos sem ter visto. Mas para que isso seja possível, os apóstolos deixaram-nos os evangelhos (Jo, 30-31). A participação na fé dos apóstolos nos dá a possibilidade de «amar Cristo sem tê-lo visto» e de «acreditar n’Ele (como Senhor e fonte da nossa glória futura) embora ainda não O vejamos» (1Pe1,3-9). Acreditamos também na comunidade que, nessa fé, os apóstolos fundaram: comunidade de oração e de vida, envolvidos na comemoração de Cristo na «fração do Pão» e na comunhão de bens, repartindo em si. Pois para ser fiel a Cristo não basta rezar e celebrar; é preciso fazer o que Ele fez: repartir a vida com os irmãos. Nós acreditamos na Fé dos Apóstolos e da Igreja que eles nos deixaram. Assim a nossa Fé não é uma coisa privada. É apostólica e eclesial.
A Fé dos apóstolos exige de nós que acreditemos no seu testemunho sobre Jesus morto e ressuscitado ou seja que adiramos à mesma Fé. Exige também que pratiquemos a vida de comunhão fraterna na comunidade eclesial, que brotou da sua pregação. 

FELIZ  PÁSCOA !!!
JESUS RESSUSCITA PARA NOSSA SALVAÇÃO
 
Pe.  Batalha

 

UM DE ABRIL, EXPERIENCIAS E DESAFIOS, MIL

para pensar, ver, aprofundar… agir.

No sábado, em Ribamar da Lourinhã, muitos amigos se juntaram à volta da economia solidária, que se alarga e bebe nas fontes da sociedade em rede, hoje, também movimento dos bens comuns colaborativos.

A ideia dos comuns, sendo complexa, à primeira vista, pensando um pouco, torna-se mais clara.
Nesse dia percebemos que somos a pessoa comum que existe e troca, dá e recebe, semeia e partilha bens comuns - pensamentos e ideias, pontos de vista e afectos, questões e experiências, descobertas e sugestões… tendo como referência a aldeia, os velhos baldios, o bairro, a vila, a cidade - o território largo da natureza - mãe terra, com todos os recursos inesgotáveis que são de todos os vivos.
Empreendemos uma redefinição de conceitos que vão além do que aprendemos e da mentalidade materialista que sobressai, centrados na energia e na consciência que nos movem, como respiração que nos mantêm vivos, despertos, criativos e inovadores…

Alguém escreveu: “Se continuamos a sonhar, é porque a criação ainda não terminou.”

Com essa energia recebida / transmitida, continuamos a alargar a onda da economia solidária, na perspectiva do bem comum colaborativo e do trabalho cooperativo solidário - sabendo que dele todos podemos usufruir.
A. Pinto