ACREDITAR SEM TER VISTO

ELE NÃO ESTÁ AQUI. RESSUSCITOU

Cristo ressuscitou! É o pregão destes dias da Páscoa… E felizes os que acreditam sem terem visto!
Mas a Páscoa é um apelo a olhar para Jesus que nasceu em Belém e cresceu em Nazaré. Dedica a sua vida a fazer o bem. Ensina-nos a viver como irmãos e a construir um mundo melhor, mais justo e solidário. Por causa das incompreensões e invejas dos seus contemporâneos, é julgado e condenado à morte. Entrega a sua vida voluntariamente e assim aproxima a humanidade e dá-nos a vida eterna. Deus o Pai de Jesus, aceita a sua entrega de amor e devolve-lhe a vida, ressuscita-O. É com esta certeza que apregoamos: Cristo Ressuscitou!... e celebramos a Páscoa, a sua passagem da morte à vida.
Os apóstolos foram as testemunhas da ressurreição de Jesus. Eles puderam ver o ressuscitado e por isso acreditaram. Caso típico é Tomé. Nós não temos esse privilégio. Nós somos felizes se acreditamos sem ter visto. Mas para que isso seja possível, os apóstolos deixaram-nos os evangelhos (Jo, 30-31). A participação na fé dos apóstolos nos dá a possibilidade de «amar Cristo sem tê-lo visto» e de «acreditar n’Ele (como Senhor e fonte da nossa glória futura) embora ainda não O vejamos» (1Pe1,3-9). Acreditamos também na comunidade que, nessa fé, os apóstolos fundaram: comunidade de oração e de vida, envolvidos na comemoração de Cristo na «fração do Pão» e na comunhão de bens, repartindo em si. Pois para ser fiel a Cristo não basta rezar e celebrar; é preciso fazer o que Ele fez: repartir a vida com os irmãos. Nós acreditamos na Fé dos Apóstolos e da Igreja que eles nos deixaram. Assim a nossa Fé não é uma coisa privada. É apostólica e eclesial.
A Fé dos apóstolos exige de nós que acreditemos no seu testemunho sobre Jesus morto e ressuscitado ou seja que adiramos à mesma Fé. Exige também que pratiquemos a vida de comunhão fraterna na comunidade eclesial, que brotou da sua pregação. 

FELIZ  PÁSCOA !!!
JESUS RESSUSCITA PARA NOSSA SALVAÇÃO
 
Pe.  Batalha

 

UM DE ABRIL, EXPERIENCIAS E DESAFIOS, MIL

para pensar, ver, aprofundar… agir.

No sábado, em Ribamar da Lourinhã, muitos amigos se juntaram à volta da economia solidária, que se alarga e bebe nas fontes da sociedade em rede, hoje, também movimento dos bens comuns colaborativos.

A ideia dos comuns, sendo complexa, à primeira vista, pensando um pouco, torna-se mais clara.
Nesse dia percebemos que somos a pessoa comum que existe e troca, dá e recebe, semeia e partilha bens comuns - pensamentos e ideias, pontos de vista e afectos, questões e experiências, descobertas e sugestões… tendo como referência a aldeia, os velhos baldios, o bairro, a vila, a cidade - o território largo da natureza - mãe terra, com todos os recursos inesgotáveis que são de todos os vivos.
Empreendemos uma redefinição de conceitos que vão além do que aprendemos e da mentalidade materialista que sobressai, centrados na energia e na consciência que nos movem, como respiração que nos mantêm vivos, despertos, criativos e inovadores…

Alguém escreveu: “Se continuamos a sonhar, é porque a criação ainda não terminou.”

Com essa energia recebida / transmitida, continuamos a alargar a onda da economia solidária, na perspectiva do bem comum colaborativo e do trabalho cooperativo solidário - sabendo que dele todos podemos usufruir.
A. Pinto
 
 
 
 

 



2º. ENCONTRO DA ECONOMIA SOLIDÁRIA

CARTA DE RIBAMAR


Com a presença de 70 pessoas decorreu, ontem, dia 1 de Abril,  o 2º Encontro da Economia Solidária, na Casa do Oeste, onde foram debatidos com grande vivacidade e forte participação: “DESAFIOS DE HOJE - COMPREENDER O MUNDO / AGIR NO MUNDO”.
A encerrar os trabalhos foi lida e apresentada, como proposta, aos presentes para que fique como documento desafiador e compromisso de ação a CARTA DE RIBAMAR…que vai ser enviada a todos os presentes que poderão, ainda,  sugerir alterações e acrescentos para que o texto final seja verdadeiramente uma CARTA ORIENTADORA DE AÇÃO:

“Considerando que os Desafios que hoje se nos colocam nos domínios económico, social e cultural exigem que os compreendamos e que os enfrentemos com conhecimento, racionalidade e determinação;

Considerando que situações anteriores provaram que o desconhecimento e o desinteresse face aos sucessivos desafios permitem e incentivam a ação oportunista dos poderes financeiros, sem qualquer sensibilidade social, em gravoso prejuízo dos interesses da esmagadora maioria das populações, nomeadamente dos mais desprotegidos;

Considerando que, como fundamento da liberdade de falar e crer, da justiça, da paz e da proteção dos recursos naturais, é essencial a proteção dos direitos inalienáveis e da dignidade das pessoas;

Considerando que é indispensável libertar as pessoas, nomeadamente as mais desprotegidas, do medo e da miséria para que não sejam compelidos, em supremo recurso, à revolta contra a tirania e a opressão económica e social;

ENCONTRARAM-SE VOLUNTARIAMENTE EM RIBAMAR – LOURINHÃ, a 1 de Abril de 2017, com iniciativa e organização da Fundação João XXIII-CASA DO OESTE, dos AMIGOS DE APRENDER, da Cooperativa TERRA CHÃ de Rio Maior, do Centro de Desenvolvimento Comunitário do LANDAL, Caldas da Rainha e da CASA DO SAL da Figueira da Foz, várias dezenas de pessoas atentas e interessadas a e na realidade que nos cerca, com o objetivo de, livremente, a debater e contribuir com ideias e ações que a alterem e melhorem.
Assim, com a preciosa colaboração de conceituados especialistas e companheiros com vasta ação efetiva no terreno, os presentes analisaram e discutiram, em plenário ou em grupos de trabalho:
  - OS DESAFIOS DE HOJE - COMPREENDER O MUNDO

 - GENTE NO TERRENO (INICIATIVAS, EXPERIÊNCIAS e PRÁTICAS em Miro – Penacova, Lousã, Vale da Trave)

 - AGIR NO MUNDO (INOVAÇÃO SOCIAL, DEMOCRACIA, PODER, ÉTICA DAS/NAS ORGANIZAÇÕES, REPENSAR O TRABALHO, bem escasso, EDUCAÇÃO, DESENVOLVIMENTO, APRENDER NA VIDA, BENS COMUNS, COMUNIDADES e REDES COLABORATIVAS)

  - PARA QUE MUNDO VAMOS? POR ONDE VAMOS? COMO VAMOS?

-  DESAFIOS E OPORTUNIDADES.

Por considerarem que a realidade atual necessita com urgência de alteração que a ponha mais de acordo com os valores fundamentais da humanidade e  das necessidades das populações,  os participantes comprometeram-se em divulgar o espírito e as ações debatidas, bem como agir junto dos seus grupos naturais com o objetivo de cada vez mais se criar uma conceção comum de intervenção na sociedade, bem como invocar e defender os seus direitos e os das pessoas sempre que a situação o exija. “

Ribamar, 1 de Abril de 2017

 


 

 

 


 





 
 





  


O ISLÃO – Aspetos culturais e religiosos…conhecer para compreender

No passado sábado, dia 25 de Março, realizou-se na Casa do Oeste uma conferência / debate dirigida pelo Dr. Paulo Mendes Pinto, professor da universidade Lusófona, subordinada ao tema: “O ISLÃO – Aspetos culturais e religiosos…conhecer para compreender”.
A conferência foi particularmente importante para desmistificar muitas das falsas notícias – ou pior do que isso, meias-verdades – com que somos diariamente presenteados pela nossa imprensa, nomeadamente a mais sensacionalista.
O orador referiu que, como todos sabemos, o Islão é uma religião monoteista, que tal como o Cristianismo tem a sua origem no Antigo Testamento e uma das figuras centrais do Islão é, precisamente, Maria, Mãe de Jesus. O próprio Jesus, que é sempre referido como filho de Maria, é um dos Profetas mais importantes para os Muçulmanos. Há, por isso, do ponto de vista teológico, muitos pontos de contacto entre a religião cristã e o islão.
Então, se Jesus e Maria são duas figuras centrais do Islão e se muitos dos princípios consignados na sua mensagem são muito próximos (com algumas diferenças, naturalmente, significativas) como é possível que, em nome do Islão, seja aceite O TERRORISMO e que muitos dos seus seguidores o incentivem?

 Para dar resposta a estas questões o orador enquadrou historicamente os terríveis acontecimentos que temos vindo a testemunhar no Médio Oriente de onde são oriundos a esmagadora maioria dos refugiados dos quais, muitos milhares, como sabemos têm morrido no Mar Mediterrâneo.

Os problemas que estamos a viver hoje, de acordo com o orador, têm a sua origem na queda do Império Otomano e, mais recentemente, na desagregação dos diversos países da região do Médio Oriente com a “primavera” árabe.

Os permanentes conflitos existentes na região, a invasão do Iraque e a desagregação da Síria, promovida, em grande parte pelas potências ocidentais, (ninguém consegue perceber porque é que os Sírios sendo um povo pacífico, desenvolvido, com níveis muito bons de educação, saúde, emprego, de um momento para o outro vê as suas principais cidades destruídas e atirados para a miséria), originaram por parte das populações do Médio Oriente um sentimento de crescente ressentimento contra o Ocidente, o qual têm sido aproveitado, quer em termos políticos, quer, principalmente em termos religiosos por alguns líderes religiosos.

Foram referidos dois aspetos que potenciam esta realidade:
1 – Por um lado não há  uma entidade que unifique os diversos grupos muçulmanos…
2 – Por outro lado, perante toda a instabilidade existente (de guerra quase permanente) verificou-se um enorme aumento da prática religiosa.

Então é esta a principal causa do terrorismo, nomeadamente na Europa? Não.
Estas são as razões pelas quais os muçulmanos, e talvez com razão, estão cada vez mais ressentidos com o Ocidente, (eventualmente incentivados por alguns dos líderes daqueles grupos) por um lado e estão eles próprios com alguma falta de sentido para a vida  - deixando-se instrumentalizar mais facilmente por esse motivo - face às enormes privações e atrocidades de que são alvo diariamente…

 Na conferência foi ainda referido o papel dos fabricantes de armas…..os únicos que verdadeiramente têm tudo a ganhar com situações como as que se passam no Médio Oriente,(segundo dados da revista The Economist de 2015 em 2008, dos 20 maiores fabricantes de armas 14 são americanos, 2 Ingleses, 1 Francês, 1 Russo, 1 Italiano e 1 da União Europeia).
Na conferência foram ainda divulgados alguns dados que, falam por si da dimensão desta catástrofe humana no Médio Oriente:
1 – Só na Síria devido à guerra civil já morreu mais de 1 milhão de pessoas…no Iraque o número de civis que morreram devido à invasão dos EUA até 2008 já era superior a 1,2 milhões…
2 - Só a Alemanha já recebeu cerca de 1 milhão de refugiados (a maior parte dos quais da Síria…)…
3 - Só no mediterrâneo já morreram mais de 10 000 pessoas nos últimos 4 anos (só em 2015 morreram cerca de 3 700 pessoas e em 2016 mais de 3 800 pessoas).
E, os atentados?
Quantas pessoas morreram em atentados terroristas na Europa nos últimos 4 anos? O número de mortos, apesar de nos aterrorizar a todos, é inferior a 300…..e…..90% desses atentados de terroristas na Europa foram efetuados por…. INDIVIDUOS DE  ORIGEM OU COM RESIDÊNCIA HÁ VÁRIOS ANOS NA EUROPA.…onde vivem atualmente mais de 15 milhões de Muçulmanos só em três países: França 8 milhões; Alemanha 5 milhões e Reino Unido 3 milhões.
E, nós cristãos/ocidentais, vamos continuar a pensar que os refugiados são “um perigo”? E que os muçulmanos são todos “terroristas”? ou, afinal, que os muçulmanos, são, na sua generalidade, tão humanos como nós, muitas das vezes mais religiosos e crentes do que nós, cumprindo os preceitos religiosos e culturais com grande rigor…que importa conhecer com mais profundidade para compreender e não fazer juízos apressados e generalistas.

Manuel Azenha.



2º ENCONTRO DE ECONOMIA SOLIDÁRIA

Vai realizar-se na próxima sexta-feira e sábado,  dias 31 de março e 1 de Abril, o 2º Encontro de Economia Solidária, na Casa do Oeste subordinado ao tema:

  DESAFIOS DE HOJE – COMPREENDER O MUNDO/AGIR NO MUNDO

 “Primeiro, eles ignoram-te. Depois, riem-se de ti. Depois, combatem-te. Depois, tu vences”. Bunker Roi (Aldeia da Tilónia, India)

 O mundo está em grandes e rápidas mudanças e infelizmente, muitas delas causam-nos grandes preocupações…sobretudo porque põem em causa alguns princípios e orientações  que considerávamos  adquiridas e consolidadas. Se é certo que muitos avanços se têm verificado ao nível do conhecimento, da tecnologia, da irradicação de alguns males que afligem o mundo: fome, subdesenvolvimento, pobreza, acesso á educação e á saúde, também é verdade que aumentam os contrastes entre ricos e pobres, que há uma grande dominação/exploração pelos sistemas financeiros, pelos mercados, pelo capital que se concentra em, cada vez menos pessoas, alguns empregos escandalosamente pagos em contraste com os salários sofríveis da maior parte dos trabalhadores, que se acentuam os atropelos nos direitos dos trabalhadores e que estamos perante uma escalada de regras e princípios liberais, sem qualquer pudor e controle regulador.
Mas estão a surgir novos caminhos, experiencias inovadoras, redes colaborativas, banca ética, instituições com princípios de economia solidária… 
SÃO, POR ISSO, GRANDES OS DESAFIOS DE HOJE.
Neste encontro vamos escutar alguns  especialistas (os professores universitários: Carvalho da Silva e José Fialho) que farão uma análise à atual sociedade e nos lançarão alguns desafios para o futuro que começa agora
Vamos  ouvir o relato de experiencias, práticas de gente que está no terreno:
·         Uma aldeia em modo colaborativo - Miro (Penacova). - Manuel Nogueira
·          Desenvolvimento do e no local - ActivarLousã -  Fernanda Vaz
·          Baldios do Vale da Trave - Um caso de economia solidária - Luís Ferreira
Teremos discussões em grupo sobre temas da maior atualidade…
PROGRAMA
·         Sexta - Feira / 31 de Março  - Oficinas -“ Faz, Tu Mesmo” (das 18,30h às 20,30h)
  - Fazer Pão - Bernardino Jorge
  - Horta na Varanda - Carlos Fernandes
  - Escrita Criativa - José M. Vieira
·         Sábado, 1 de Abril. 2017
9,30h - Enquadramento - DESAFIOS DE HOJE - COMPREENDER O MUNDO
              M. Carvalho da Silva (professor e investigador)
10,30h - GENTE NO TERRENO - INICIATIVAS - EXPERIÊNCIAS - PRÁTICAS
                   . Uma aldeia em modo colaborativo
                   . Desenvolvimento do e no local
                   . Baldios do Vale da Trave - Um caso de economia solidária
11,30h - AGIR NO MUNDO - Questões que se nos levantam
Grupo 1. INOVAÇÃO SOCIAL - Pedro Pinto
Grupo 2. DEMOCRACIA, PODER, ÉTICA DAS/NAS ORGANIZAÇÕES - António Chiquita
Grupo 3. REPENSAR O TRABALHO, bem escasso - Américo Monteiro
Grupo 4. EDUCAÇÃO, DESENVOLVIMENTO, APRENDER NA VIDA – Julio Ricardo
Grupo 5. BENS COMUNS, COMUNIDADES e REDES COLABORATIVAS - José João
13,00h - Almoço
14,30h - INTER - ACÇÃO A PARTIR DAS CONCLUSÕES DE GRUPOS
              . Como é que o mundo nos compreende?
              . Como queremos ser compreendidos pelo mundo?
16,00h - ESPAÇO E VOZ DE OUTRAS ORGANIZAÇÕES - O que levo deste dia…
17,15h. - PARA QUE MUNDO VAMOS? POR ONDE VAMOS? COMO VAMOS?
                 José Feliciano Fialho (professor e investigador)
                * DESAFIOS E OPORTUNIDADES - Carta de RIBAMAR

Organização: Fundação JOÃO XXIII - CASA DO OESTE / AMIGOS DE APRENDER / Cooperativa TERRA CHÃ (Rio Maior) / Centro de Desenvolvimento Comunitário do LANDAL (Caldas  da Rainha) / Casa do Sal (F. da Foz).

A.L.

O ISLÃO: ASPECTOS CULTURAIS E RELIGIOSOS…CONHECER PARA COMPREENDER

 Amanhã sábado, dia 25, realiza-se na CASA DO OESTE um JANTAR/CONFERÊNCIA  para abordar uma questão muito atual e que a muitas pessoas preocupa.

O conferencista será o professor Paulo Mendes Pinto, da área de Ciência das Religiões da Univ. Lusófona e diretor do Instituto Al-Muhaidid de Estudos Islâmicos-

 Com os atentados terroristas (muitos deles atribuídos a indivíduos muçulmanos) e com o acolhimento na Europa  de refugiados de países maioritariamente de religião islâmica são muitos os receios e anticorpos relativamente ao acolhimento destas pessoas.

 O Papa Francisco respondendo ao apelo das organizações humanitárias e traduzindo para os nossos tempos concretos a mensagem evangélica, pede que cada paróquia e cada instituição da igreja acolha uma família.

 Algumas famílias e instituições do oeste (é o caso da nossa Fundação João XXIII) estão a acolher famílias de refugiados  de países árabes em guerra.
Esta CONFERÊNCIA é um contributo para melhor se conhecer, compreender e apoiar estas pessoas.
Algumas questões que estão subjacentes ao tema da CONFERÊNCIA:
- Queremos conhecer os aspetos culturais e religiosos fundamentais, de que os muçulmanos não abdicam, para compreender melhor as pessoas acolhidas e não criar graves suscetibilidades…
- Entre as sociedades de religião  maioritariamente católica e islâmica o que mais nos pode aproximar ou afastar.
- Como fazer pontes, como religare?
- Estas oportunidades de conhecimento, de diferentes aprendizagens e de partilha serão um contributo efetivo para um mundo mais próximo, mais tolerante, mais pacífico?
- O islamismo: uma religião que gera fundamentalismos e alimenta costumes anacrónicos?
- Verdades ou preconceitos: islamismo é caminho  para o terrorismo? O islamismo dominará a europa num futuro muito próximo?  Acolher refugiados vindos de países muçulmanos é acolher potenciais terroristas?
- O mundo ocidental tem que permitir e aceitar publicamente e em termos de organização social, todos os usos e costumes muçulmanos: indumentária, horários para as preces, relação homem/ mulher, etc 
Aqui ficam algumas questões que dão pano para mangas!
A.L.

 

 

 

INTERVENÇÃO DA FUNDAÇÃO

1ª Conferência sobre 25 anos de solidariedade Fundação João XXIII na Guiné.
 Lema: «Si bu na bulido costa, buli barriga» - Se alguém te ajudar, não fiques de braços cruzados.

 Intervenção  na conferência do Pe Batalha em nome da Fundação:

 “Paz e Bem, Alegria e saúde também a todos os presentes.
Queremos em primeiro lugar dizer “Deus Obrigado” por nos ter enviado à Guiné;
 e depois queremos dizer a vocês “Obrigado! Obrigado! Obrigado” pela vossa hospitalidade.
Pelo carinho e alegria com que nos acolheis sempre que vimos.
Obrigado! Obrigado Raúl não só pelo que fazes pelo teu povo, mas também por esta iniciativa da CONFERÊNCIA sobre os nossos 25 anos de solidariedade convosco.
Desde há 25 anos que percebemos que nós não vimos fazer mais do que criar laços de amizade e colaborar convosco naquilo que precisais da nossa ajuda, fazendo-nos companheiros na viagem do vosso desenvolvimento, com o Espírito do Evangelho no seu mandato missionário das obras de misericórdia e das bem-aventuranças.
O vosso testemunho de amizade, de alegria, de trabalho e desenvolvimento cultiva em nós esta solidariedade.
Não vimos à Guiné fazer negócios nem fazer turismo, vimos com o nosso voluntariado apoiar os vossos projetos de desenvolvimento local:

- Nós vimos nascer, crescer e desenvolver a Cooperativa Escolar de São José. Pela mão do Pe Casal Martins ofm, pároco de Bandim, em 1991, foi apresentado ao Grupo Solidários o projeto da Cooperativa Escolar de S. José de Mindará, informando de que se tratava de uma iniciativa de gente local muito válida que merecia e precisava de apoio. A partir daí fomos cooperando com os vossos sonhos, multiplicando em Portugal a solidariedade de muitas e muitas pessoas e instituições
- A iniciativa nasceu de poucas pessoas, que não dispunham de recursos financeiros. Contudo integrava-se na Fundação João XXIII, orientada por um forte espírito de serviço a favor do desenvolvimento de populações com base rural. Foram-se agregando outras pessoas, com as mesmas características básicas, sem acesso a apoios do Estado. O trabalho prestado por todas elas foi gratuito, assegurando o próprio pagamento das suas viagens. Deste modo, eleva-se a algumas centenas de pessoas que já participaram nesta missão de solidariedade, cada uma presta o seu serviço de acordo com as respetivas qualificações profissionais e outras capacidades de que disponha.
- A nossa Fundação não tem riqueza económica nem financeira. É uma Fundação pobre, mas é ao mesmo tempo muito rica. A sua grande riqueza é a solidariedade de muitos.
O nosso envolvimento na Guiné já dura há mais de 25 anos porque todos os que trabalham nesta solidariedade convosco o fazem voluntariamente e sem esperar qualquer recompensa monetária.
Temos em Portugal muitas pessoas individuais e muitas empresas que nos dão coisas e dinheiro e trabalho voluntário para ser possível apoiar os projetos onde nos temos envolvido ao longo destes anos convosco:
* Aqui em Bissau com a Cooperativa Escolar de São José;
* Em Ondame com o Centro materno infantil “Bom Samaritano; com  a EducArte cooperativa de educação; com a Biblioteca da Fundação; com a Rádio Comunitária N’Djerapa.Có de Biombo; o Infantário de Bissá;
* em Bloom com o Padre Ernesto que está a fazer uma escola profissional, agrícola e de manutenção de alfaias;
* em Canchungo apoiámos a cooperativa de jovens agricultores COAJOQ;
* em Quinhamel  ajudamos a criar a COAGRI cooperativa agrícola com 9 jovens e que já agregou a si mais de 60 mulheres que sustentam as suas 60 famílias;
* Ainda aqui em Bissau apoiamos a Casa Emanuel, orfanato, tanto na área da saúde como na educação;   
* Apoiamos um Centro de reabilitação física; o  Orfanato  Bombarem;  e o  Hospital de Cumura (nomeadamente com o projeto Visão/Guiné);
* Apoiamos AIDA que é uma ONG que dá apoio ao Hospital central Simão Mendes  e coordena em parceria connosco o projeto de famílias de acolhimento em Portugal;                                                                                         
* em Nhoma apoiamos a irmã Valéria com o seu novo centro materno infantil;
* em Ponta Gardete, o complexo escolar de surdos-mudos com o autocarro que agora trazemos (O Bojador) e equipamento que há de chegar no contentor.


 Desde o início foi entendido que o trabalho, na Guiné, seria orientado pelas populações e líderes locais, recebendo a cooperação das equipas da Fundação João XXIII.
Faz, por conseguinte, todo o sentido o lema desta «1ª Conferência sobre os 25 anos de Solidariedade da Fundação João XXII/Casa do Oeste na Guiné-Bissau» - «Se Alguém te ajudar não fiques de braços cruzados » -
O trabalho realizado pelas populações guineenses e seus líderes justifica o nosso mais alto apreço, devido à união de esforços que o animou, aos resultados conseguidos,  bem como à prioridade que soube dar às necessidades básicas. Quando vemos os projetos vingarem, as pessoas locais empenharem-se neles, beneficiarem e terem uma vida mais digna, ficamos felizes.
Felizes porque decidimos pôr os pés ao caminho na direção dos que precisam, felizes porque vencemos o comodismo e a indiferença entrando na estrada do bom samaritano… Felizes porque acreditamos que não há futuro sem solidariedade, que não há futuro sem caridade e que não há esperança sem que cada um dê alguma coisa de si. Tudo isso dá-nos imensa alegria e entusiasmo para continuar a missão.
Então, para desenvolver todos estes apoios,  o que fazemos em Portugal?
A Fundação tem uma Equipa Coordenadora da Solidariedade com a Guiné cujos membros vêm ao meio de vós colher os vossos projetos e respetivas necessidades.
Reunimos uma ou duas vezes por mês para analisar os vossos pedidos. Para organizarmos os pedidos a fazer e as recolhas a efetuar, campanhas a mobilizar… e para organizarmos as vindas de Grupos de voluntariado à Guiné e decidirmos e preparamos a vinda de contentores. 
São centenas os solidários da retaguarda com os seus apoios.
Por isso há um grupo de voluntários que semanalmente faz recolha de todo o tipo de materiais, desde o papel e cartão para reciclagem, roupas, livros, móveis, etc… o que é bom e útil para vos trazer.  Muitas outras coisas vendemos para fazer dinheiro para pagarmos as despesas dos contentores que nos custam cerca de 5.000 € cada um. Não basta que nos dêem as coisas. Trazê-las sai caro. O despacho e desalfandegamento aqui na Guiné e o seu respetivo transporte para o local da descarga.
Os apoios prestados à «Solidariedade com a Guiné» são muitos e concretizam-se de formas tão variadas como: organização de festas e convívios, jantares de solidariedade, venda de rifas, organização de bazares pelo Natal e no Verão, campanhas para angariação de fundos por grupos paroquiais de catequese, agrupamentos de escuteiros…todos com o objetivo concreto de comprar, por exemplo, um carro, um trator, uma ambulância, ou comprar cimento, ferro e chapas metálicas a trazer para edificação duma escola ou de um centro de enfermagem…
Existem entidades públicas, designadamente escolas e hospitais, mas também Câmaras Municipais, Tribunais… que têm doado muitos móveis e equipamentos por motivos de modernização.
E muitos bens doados por pessoas, instituições e empresas do nosso país, sendo os materiais de construção, a roupa, o material escolar, o mobiliário, os medicamentos e os carros, os mais significativos.
São, contudo, as ofertas monetárias mensais de alguns amigos, as receitas dos eventos que se organizam e dos bazares que se fazem que vão permitindo o envio regular de todos estes bens para a Guiné… Quantos anónimos que nos entregam dinheiro: 10, 50, 100, 200, 500 euros e até mais… A título de exemplo a transinsular responsabilizou-se por meia dúzia de contentores, a Bombóleo-Central Diesel que todos os anos suporta um frete marítimo dum contentor.
Mencionar nomes de amigos desta «Solidariedade com a Guiné» é sempre um risco de esquecer alguns, quando se sabe que são muitas as pessoas, empresas e entidades envolvidas nesta cadeia de solidariedade:
- Empresários e estabelecimentos na área da construção civil que ofereceram muitos materiais, como sanitários, ladrilhos, mosaicos, ferro, cimento, madeiras…
- Laboratórios farmacêuticos e farmácias que doam, sobretudo, medicamentos, mobiliário hospitalar e material de enfermagem…
- Empresas de confeção de calçado que oferecem artigos de boa qualidade…
- Editoras, escolas e livrarias que doam imenso material escolar, livros, material informático e móveis…
- Pessoas e empresas que oferecem carros e diversos equipamentos agrícolas….
 Por fim, refiro a família Pedroso que ao longo destes anos nos tem cedido um armazém (no Sobreiro –Mafra) para recolher e guardar os bens doados à Fundação, destinados a esta solidariedade com o vosso país.
Em todo este empenhamento e entreajuda sobressai a alegria exuberante que todos sentem do dever cumprido e daquela afirmação de S. Francisco de Assis: É dando que se recebe.
Temos consciência de que temos feito pouco, dada a dimensão das vossas necessidades e problemas com que sois confrontados, mas sabemos que ajudando a desenvolverem-se estamos a estabelecer a justiça e a paz, estamos a contribuir para a vossa felicidade como povo irmão e amigo que nos acolhe de braços abertos.

 
 

Para terminar, não podemos deixar de referir algumas pessoas que nos têm marcado pela sua personalidade de guineenses:
·         Em primeiro lugar o 1º Bispo de Bissau, D. Settímio Ferrazetta, que alguns de nós conhecemos e que nos deu o testemunho da sua simplicidade, da bondade e da esperança no meio das tribulações, incutindo-nos a paixão pela Guiné, pelo seu acolhimento e pela sua doação ao povo que amou e serviu. Tinha o espírito e a simplicidade do Bom Papa João XXIII.  Ele é para vós um pai. Foi um grande líder prò desenvolvimento do país, pelo diálogo e pela paz.    
·         Fernando Cá, ilustre guineense (falecido há pouco mais de um ano, 10.12.2015) natural de Biombo que nós conhecemos emigrante em Lisboa. Foi a sua mão que nos indicou o caminho de Ondame e nos apresentou em 1992, o Régulo João Longa que nos cedeu terreno para instalarmos o Centro Social João XXIII que é sede da nossa Fundação. Fernando Cá criou a APRODEP, associação dos emigrantes guineenses em Portugal, dando apoio aos doentes idos da Guiné, - tanto em fornecimento de roupas, comida, como  auxilio na legalização, - organismo  a que presidia. Tinha um sonho para o desenvolvimento da sua região de Biombo que era criar um centro de formação agrícola. Faltando-lhe a saúde para o conseguir doou à nossa Fundação o terreno na chamada zona do Mar Azul, pedindo-nos para levar por diante esse seu sonho que é o desenvolvimento da agricultura de hortícolas que a Cooperativa Agrícola João XXIII/COAGRI, está a concretizar.

·         Duas outras figuras marcantes são o prof. Raul e o Du, Leónico da Silva – os dois Delegados guineenses  da nossa Fundação, com quem trabalhamos há muitos ano. O Du foi-se formando com o prof. Raúl na Cooperativa de S. José e hoje lidera a Cooperativa Agrícola João XXII/COAGRI em Quinhamel. O prof. Raúl a quem devemos esta CONFERÊNCIA, tem mostrado uma rara capacidade de líder pelo desenvolvimento cooperativo e de Diretor da Escola. É um exímio organizador de eventos, como muito bem exemplifica esta «1ª Conferência dos 25 anos da Solidariedade da Fundação João XXIII» Temos por ele uma grande admiração, pela capacidade de pôr a render todas as potencialidades.”