INTERVENÇÃO DA FUNDAÇÃO

1ª Conferência sobre 25 anos de solidariedade Fundação João XXIII na Guiné.
 Lema: «Si bu na bulido costa, buli barriga» - Se alguém te ajudar, não fiques de braços cruzados.

 Intervenção  na conferência do Pe Batalha em nome da Fundação:

 “Paz e Bem, Alegria e saúde também a todos os presentes.
Queremos em primeiro lugar dizer “Deus Obrigado” por nos ter enviado à Guiné;
 e depois queremos dizer a vocês “Obrigado! Obrigado! Obrigado” pela vossa hospitalidade.
Pelo carinho e alegria com que nos acolheis sempre que vimos.
Obrigado! Obrigado Raúl não só pelo que fazes pelo teu povo, mas também por esta iniciativa da CONFERÊNCIA sobre os nossos 25 anos de solidariedade convosco.
Desde há 25 anos que percebemos que nós não vimos fazer mais do que criar laços de amizade e colaborar convosco naquilo que precisais da nossa ajuda, fazendo-nos companheiros na viagem do vosso desenvolvimento, com o Espírito do Evangelho no seu mandato missionário das obras de misericórdia e das bem-aventuranças.
O vosso testemunho de amizade, de alegria, de trabalho e desenvolvimento cultiva em nós esta solidariedade.
Não vimos à Guiné fazer negócios nem fazer turismo, vimos com o nosso voluntariado apoiar os vossos projetos de desenvolvimento local:

- Nós vimos nascer, crescer e desenvolver a Cooperativa Escolar de São José. Pela mão do Pe Casal Martins ofm, pároco de Bandim, em 1991, foi apresentado ao Grupo Solidários o projeto da Cooperativa Escolar de S. José de Mindará, informando de que se tratava de uma iniciativa de gente local muito válida que merecia e precisava de apoio. A partir daí fomos cooperando com os vossos sonhos, multiplicando em Portugal a solidariedade de muitas e muitas pessoas e instituições
- A iniciativa nasceu de poucas pessoas, que não dispunham de recursos financeiros. Contudo integrava-se na Fundação João XXIII, orientada por um forte espírito de serviço a favor do desenvolvimento de populações com base rural. Foram-se agregando outras pessoas, com as mesmas características básicas, sem acesso a apoios do Estado. O trabalho prestado por todas elas foi gratuito, assegurando o próprio pagamento das suas viagens. Deste modo, eleva-se a algumas centenas de pessoas que já participaram nesta missão de solidariedade, cada uma presta o seu serviço de acordo com as respetivas qualificações profissionais e outras capacidades de que disponha.
- A nossa Fundação não tem riqueza económica nem financeira. É uma Fundação pobre, mas é ao mesmo tempo muito rica. A sua grande riqueza é a solidariedade de muitos.
O nosso envolvimento na Guiné já dura há mais de 25 anos porque todos os que trabalham nesta solidariedade convosco o fazem voluntariamente e sem esperar qualquer recompensa monetária.
Temos em Portugal muitas pessoas individuais e muitas empresas que nos dão coisas e dinheiro e trabalho voluntário para ser possível apoiar os projetos onde nos temos envolvido ao longo destes anos convosco:
* Aqui em Bissau com a Cooperativa Escolar de São José;
* Em Ondame com o Centro materno infantil “Bom Samaritano; com  a EducArte cooperativa de educação; com a Biblioteca da Fundação; com a Rádio Comunitária N’Djerapa.Có de Biombo; o Infantário de Bissá;
* em Bloom com o Padre Ernesto que está a fazer uma escola profissional, agrícola e de manutenção de alfaias;
* em Canchungo apoiámos a cooperativa de jovens agricultores COAJOQ;
* em Quinhamel  ajudamos a criar a COAGRI cooperativa agrícola com 9 jovens e que já agregou a si mais de 60 mulheres que sustentam as suas 60 famílias;
* Ainda aqui em Bissau apoiamos a Casa Emanuel, orfanato, tanto na área da saúde como na educação;   
* Apoiamos um Centro de reabilitação física; o  Orfanato  Bombarem;  e o  Hospital de Cumura (nomeadamente com o projeto Visão/Guiné);
* Apoiamos AIDA que é uma ONG que dá apoio ao Hospital central Simão Mendes  e coordena em parceria connosco o projeto de famílias de acolhimento em Portugal;                                                                                         
* em Nhoma apoiamos a irmã Valéria com o seu novo centro materno infantil;
* em Ponta Gardete, o complexo escolar de surdos-mudos com o autocarro que agora trazemos (O Bojador) e equipamento que há de chegar no contentor.


 Desde o início foi entendido que o trabalho, na Guiné, seria orientado pelas populações e líderes locais, recebendo a cooperação das equipas da Fundação João XXIII.
Faz, por conseguinte, todo o sentido o lema desta «1ª Conferência sobre os 25 anos de Solidariedade da Fundação João XXII/Casa do Oeste na Guiné-Bissau» - «Se Alguém te ajudar não fiques de braços cruzados » -
O trabalho realizado pelas populações guineenses e seus líderes justifica o nosso mais alto apreço, devido à união de esforços que o animou, aos resultados conseguidos,  bem como à prioridade que soube dar às necessidades básicas. Quando vemos os projetos vingarem, as pessoas locais empenharem-se neles, beneficiarem e terem uma vida mais digna, ficamos felizes.
Felizes porque decidimos pôr os pés ao caminho na direção dos que precisam, felizes porque vencemos o comodismo e a indiferença entrando na estrada do bom samaritano… Felizes porque acreditamos que não há futuro sem solidariedade, que não há futuro sem caridade e que não há esperança sem que cada um dê alguma coisa de si. Tudo isso dá-nos imensa alegria e entusiasmo para continuar a missão.
Então, para desenvolver todos estes apoios,  o que fazemos em Portugal?
A Fundação tem uma Equipa Coordenadora da Solidariedade com a Guiné cujos membros vêm ao meio de vós colher os vossos projetos e respetivas necessidades.
Reunimos uma ou duas vezes por mês para analisar os vossos pedidos. Para organizarmos os pedidos a fazer e as recolhas a efetuar, campanhas a mobilizar… e para organizarmos as vindas de Grupos de voluntariado à Guiné e decidirmos e preparamos a vinda de contentores. 
São centenas os solidários da retaguarda com os seus apoios.
Por isso há um grupo de voluntários que semanalmente faz recolha de todo o tipo de materiais, desde o papel e cartão para reciclagem, roupas, livros, móveis, etc… o que é bom e útil para vos trazer.  Muitas outras coisas vendemos para fazer dinheiro para pagarmos as despesas dos contentores que nos custam cerca de 5.000 € cada um. Não basta que nos dêem as coisas. Trazê-las sai caro. O despacho e desalfandegamento aqui na Guiné e o seu respetivo transporte para o local da descarga.
Os apoios prestados à «Solidariedade com a Guiné» são muitos e concretizam-se de formas tão variadas como: organização de festas e convívios, jantares de solidariedade, venda de rifas, organização de bazares pelo Natal e no Verão, campanhas para angariação de fundos por grupos paroquiais de catequese, agrupamentos de escuteiros…todos com o objetivo concreto de comprar, por exemplo, um carro, um trator, uma ambulância, ou comprar cimento, ferro e chapas metálicas a trazer para edificação duma escola ou de um centro de enfermagem…
Existem entidades públicas, designadamente escolas e hospitais, mas também Câmaras Municipais, Tribunais… que têm doado muitos móveis e equipamentos por motivos de modernização.
E muitos bens doados por pessoas, instituições e empresas do nosso país, sendo os materiais de construção, a roupa, o material escolar, o mobiliário, os medicamentos e os carros, os mais significativos.
São, contudo, as ofertas monetárias mensais de alguns amigos, as receitas dos eventos que se organizam e dos bazares que se fazem que vão permitindo o envio regular de todos estes bens para a Guiné… Quantos anónimos que nos entregam dinheiro: 10, 50, 100, 200, 500 euros e até mais… A título de exemplo a transinsular responsabilizou-se por meia dúzia de contentores, a Bombóleo-Central Diesel que todos os anos suporta um frete marítimo dum contentor.
Mencionar nomes de amigos desta «Solidariedade com a Guiné» é sempre um risco de esquecer alguns, quando se sabe que são muitas as pessoas, empresas e entidades envolvidas nesta cadeia de solidariedade:
- Empresários e estabelecimentos na área da construção civil que ofereceram muitos materiais, como sanitários, ladrilhos, mosaicos, ferro, cimento, madeiras…
- Laboratórios farmacêuticos e farmácias que doam, sobretudo, medicamentos, mobiliário hospitalar e material de enfermagem…
- Empresas de confeção de calçado que oferecem artigos de boa qualidade…
- Editoras, escolas e livrarias que doam imenso material escolar, livros, material informático e móveis…
- Pessoas e empresas que oferecem carros e diversos equipamentos agrícolas….
 Por fim, refiro a família Pedroso que ao longo destes anos nos tem cedido um armazém (no Sobreiro –Mafra) para recolher e guardar os bens doados à Fundação, destinados a esta solidariedade com o vosso país.
Em todo este empenhamento e entreajuda sobressai a alegria exuberante que todos sentem do dever cumprido e daquela afirmação de S. Francisco de Assis: É dando que se recebe.
Temos consciência de que temos feito pouco, dada a dimensão das vossas necessidades e problemas com que sois confrontados, mas sabemos que ajudando a desenvolverem-se estamos a estabelecer a justiça e a paz, estamos a contribuir para a vossa felicidade como povo irmão e amigo que nos acolhe de braços abertos.

 
 

Para terminar, não podemos deixar de referir algumas pessoas que nos têm marcado pela sua personalidade de guineenses:
·         Em primeiro lugar o 1º Bispo de Bissau, D. Settímio Ferrazetta, que alguns de nós conhecemos e que nos deu o testemunho da sua simplicidade, da bondade e da esperança no meio das tribulações, incutindo-nos a paixão pela Guiné, pelo seu acolhimento e pela sua doação ao povo que amou e serviu. Tinha o espírito e a simplicidade do Bom Papa João XXIII.  Ele é para vós um pai. Foi um grande líder prò desenvolvimento do país, pelo diálogo e pela paz.    
·         Fernando Cá, ilustre guineense (falecido há pouco mais de um ano, 10.12.2015) natural de Biombo que nós conhecemos emigrante em Lisboa. Foi a sua mão que nos indicou o caminho de Ondame e nos apresentou em 1992, o Régulo João Longa que nos cedeu terreno para instalarmos o Centro Social João XXIII que é sede da nossa Fundação. Fernando Cá criou a APRODEP, associação dos emigrantes guineenses em Portugal, dando apoio aos doentes idos da Guiné, - tanto em fornecimento de roupas, comida, como  auxilio na legalização, - organismo  a que presidia. Tinha um sonho para o desenvolvimento da sua região de Biombo que era criar um centro de formação agrícola. Faltando-lhe a saúde para o conseguir doou à nossa Fundação o terreno na chamada zona do Mar Azul, pedindo-nos para levar por diante esse seu sonho que é o desenvolvimento da agricultura de hortícolas que a Cooperativa Agrícola João XXIII/COAGRI, está a concretizar.

·         Duas outras figuras marcantes são o prof. Raul e o Du, Leónico da Silva – os dois Delegados guineenses  da nossa Fundação, com quem trabalhamos há muitos ano. O Du foi-se formando com o prof. Raúl na Cooperativa de S. José e hoje lidera a Cooperativa Agrícola João XXII/COAGRI em Quinhamel. O prof. Raúl a quem devemos esta CONFERÊNCIA, tem mostrado uma rara capacidade de líder pelo desenvolvimento cooperativo e de Diretor da Escola. É um exímio organizador de eventos, como muito bem exemplifica esta «1ª Conferência dos 25 anos da Solidariedade da Fundação João XXIII» Temos por ele uma grande admiração, pela capacidade de pôr a render todas as potencialidades.”


 

 

 

 

CELEBRAR OS 25 ANOS DE SOLIDARIEDADE – A FORÇA DO VOLUNTARIADO
No dia 7 de março chegou finalmente o Bojador a Bissau depois de muitas peripécias e de muitas horas de viagem.  Os 10 passageiros vinham cansados mas felizes por terem conseguido chegar ao destino depois de perfazerem 4600km. A noite foi longa e o serão muito animado contando as histórias e as aventuras do caminho aos restantes 8 elementos do grupo que os esperavam em Bissau desde o dia 2.
No dia 9 a manhã foi passada na Granja, cooperativa agricola João XXIII,  em Quinhamel, para entrega de diplomas às mulheres que ai trabalham e têm as suas hortas para sustentarem as suas familias. À tarde foi a entrega oficial do Bojador ao centro de deficientes. O Bojador transportou pela 1º vez crianças surdas até à escola que dista 15 km de Bissau.
No dia 10 realizou-se a  CONFERÊNCIA  para comemorar os 25 anos de solidariedade com o povo da Guiné.
PROGRAMA:
9,00h - Abertura solene
 -Astear das bandeiras (Guiné-Bissau e Portugal)  acompanhados com a  entoação dos Hinos dos 2 paises.
-Acolhimento
- Palavras de boas Vindas e abertura da conferência
-Animação cultural com o Grupo Cultural N´delugan, Musicos etc…
- Exibição do filme de curta metragem dos parceiros da fundação João XXIII
 Exposição dos projetos nos seguintes dominios : Saúde,Educação, Agricultura, Comunicação Social
- Depoimento de Fundação João XXIII
- Intervenções:
- Representante de Diocese de Bissau (Bispo de Bissau)
 Delegado da Fundação João XXIII na Guiné-Bissau
 Presidente da Fundação João XXIII
 Ministro de Plano e Integração regional
13,00h - almoço
13,30h- Sarau cultural
17,00h – entrega dos presentes e encerramento das atividades
17,30 - Missa
 
 
 
 
 
 

 
 
 
 
 
 

ENCONTRO DE APROFUNDAMENTO DA FÉ:
A POBREZA NA DINÂMICA DOS TEMPOS E DAS SOCIEDADES
 No 1º Domingo da quaresma - 5 de Março - cerca de 50 militantes e amigos da ACR,  reuniram-se, na  Casa do Oeste, para  aprofundar o sentido da sua Caminhada Quaresmal para a Páscoa.
Pretendendo rezar a vida, das comunidades representadas, os grupos de base partilharam: o seu  olhar e reflexão sobre algumas  das realidade problemáticas das suas comunidades. Partilharam também como é que os grupos têm procurado ser "Igreja em saída", ao encontro dos mais pobres e que ajude a dar passos rumo a uma Ecologia Integral, como nos propõe o Papa Francisco.
Dessa partilha destaco o seguinte «O nosso agir é frequentemente condicionado pela forma como julgamos os outros, sobretudo quando se trata de pessoas ou situações que são do nosso conhecimento local e pessoal, pois o mais fácil, para nada fazermos em ordem a resolver esses casos concretos, é fazermos o julgamento superficial e parcial das pessoas e dos problemas que temos pela frente, pelo que é importante que estas questões sejam refletidas em grupo, pois essa forma permite limpar dos nossos olhos "as palhas" que nos impedem de ver os outros com menos parcialidade e com mais clareza e fraternidade. Só o grupo nos poderá ajudar a estarmos atentos à gravidade da crise cultural, ecológica e aos nossos “maus hábitos”.
Os empenhamentos dos grupos passam por acções de solidariedade com famílias das suas comunidades; solidariedade com Guiné; colaboração com outras "organizações" no apoio a situações de carência, nomeadamente, "os sem abrigo", apoio a famílias de refugiados; participação e promoção de tempos de formação, tais como: Escola Paroquial, Círculos de Diálogo, etc….
Este tempo de quaresma é um tempo propício à conversão, a abrir o coração - à escuta de Deus e ao amor aos irmãos, principalmente os irmãos mais carenciados.
Neste Encontro olhámos com "profundidade" para a "Pobreza" - uma realidade constante na nossa História Humana - uma realidade que somos desafiados a transformar.
A socióloga,  Maria Engrácia Leandro (professora catedrática emérita da Universidade do Minho), presenteou-nos com uma  palestra seguida de debate onde se abordou  - A  origem da pobreza; a "pobreza na Bíblia"; a pobreza nas sociedades modernas.
 Muitas foram as ideias, as questões abordadas, não pretendendo fazer um resumo do que ouvimos e refletimos, partilho, apenas, alguns pontos da reflexão que para mim foram importantes:
Os estudos sociológicos fazem notar que os problemas de pobreza remontam ao neolítico, período em que os seres humanos deixaram de ser nómadas e passaram  a cultivar a terra ou seja pode dizer-se, de forma simplista, que a origem da Pobreza está na propriedade privada - na posse da terra.
O cuidado do "pobre" é uma questão que é referenciada na Bíblia desde o Antigo Testamento…O livro do Deuteronómio referencia três tipos aos pobres: Levitas (na sociedade judaica os que não possuíam terra; estrangeiros (emigrantes); as viúvas, os orfãos; e recomenda é preciso dar-lhes o auxilio de que precisam…
Já no Deutronómio se faz notar que mais que a "esmola" a ajuda ao pobre deverá passar pela justiça social.
O Profeta Amós foi um profeta muito perseguido no seu tempo, porque ele viveu numa época de grande esplendor para alguns, mas de grande miséria para outros. Ele denunciava a corrupção, a vida de luxo e isso não agradava aos poderosos…
No Livro do Êxodo é claro o sentimento de que " Somos um Povo - se todos somos um povo temos que cuidar de todos".
Com Jesus Cristo esta atenção ao "pobre" ganha nova expressão e são numerosos os episódios em que Jesus pratica e recomenda o "cuidar" do outro como irmão, como igual em dignidade.
A problemática da Pobreza ao longo da História da humanidade não acaba, vai é mudando para outros cambiantes.
Pode-se dizer que é na era moderna - sec XVIII, com a revolução industrial - que a questão da pobreza se agudiza…na era anterior em que a economia dependia da posse da terra, apesar das situações de grande pobreza havia "proximidade" da terra (campo) donde algum provento se poderia tirar; os proprietários das terras tinham deveres de protecção dos pobres…Na era da industrialização o êxodo das pessoas para as cidades cria situações de pobreza extrema - pauperismo - as pessoas trabalhavam em condições miseráveis; e há um "exército de desempregados".
Estas condições de miséria extrema conduzem também a situações de extrema violência.
A pobreza abrange a pessoa humana muito para além da questão da sobrevivência material, quebram-se os laços sociais, a pessoa em situação de pobreza, sente-se excluído da sociedade; são-lhe retiradas as oportunidades de ter um projecto de vida digna. "Todo o homem se define pelo seu projecto" - diizia Jean Paul Sartre.
Nas ditas sociedades democráticas - onde pela lei há direitos iguais para todos - as desigualdades sociais  são cada vez maiores. Há riqueza, mas muito mal distribuída. Mesmo com educação dita para todos, as oportunidades e possibilidades de "singrar" na vida  não são iguais para quem provém de famílias, bairros pobres ou para quem nasce em famílias com boas condições económicas.
São vários os documentos da Doutrina Social da Igreja que falam destas questões, e que apelam à Caridade verdadeira - solidariedade e justiça social, mas acções concretas são pouco representativas.
Deste olhar reflexivo sobre a realidade "Pobreza" fica-nos o grande desafio de nos esforçarmos ainda mais para sermos uma "Igreja em saída" que caminha com os "pobres" ajudando-os a adquirirem a sua dignidade humana. Dignidade que "lhes foi tirada"… Um autor cristão disse: o que se dá aos pobres, não é mais do que o que lhe foi tirado…
Não podemos ficar no pessimismo, temos de fazer apelo à esperança, mas não pode ser uma esperança esvaziada de sentido, há que com as pessoas criar pequenas acções que possam fazer a diferença na sua vida, promovendo a sua dignidade e integração na sociedade. Assim  trabalhamos por uma Ecologia Integral.
Porque é Cristo que nos alimenta e envia a ser "as mãos de Deus" neste mundo, terminámos o Encontro com a Celebração da Eucaristia.
Dina Franco Silva


 

UM OLHAR SOBRE MAIS DE 25 ANOS DE SOLIDARIEDADE COM O POVO DA GUINÉ
1ª CONFERÊNCIA SOBRE SOLIDARIEDADE DIA 10 DE MARÇO, EM BISSAU
A Cooperativa de Ensino de São José vai realizar, no dia 10 de Março, com uma dezena de  instituições, que temos apoiado desde há 25 anos, a «1ª Conferência sobre 25  anos de solidariedade na Guiné» da Fundação João XXIII/Casa do Oeste, com o Lema: «Si bu na bulido costa, buli barriga» - Se alguém te ajudar, não fiques de braços cruzados,) e homenagear o prof. Raúl Daniel.
Estaremos presentes com um grupo de 18 voluntários. Esta missão é constituída por duas equipas: uma de 7 elementos que vai de avião e outra de 11 elementos que vai por terra com o autocarro Bojador e a partida oficial é às 17 h do dia 24 de Fevereiro, junto do convento de Mafra com transmissão mediática pela Dina Aguiar no Programa «Portugal em Direto» e também pela «RTP África». O autocarro será entregue  ao Centro escolar da Associação de Surdos. O Bojador», que vai ter o nome de “A sorrir para a Escola”.
VIAGEM DO BOJADOR
Bojador, foi o nome atribuído a um autocarro que se pensa poder vir a passar o cabo com este nome, mas como não é anfíbio terá de o fazer por estrada.
Se  Gil Eanes e Bartolomeu Dias, apesar dos perigos que sabiam ir correr, dos bancos de areia que lhes podiam encalhar as naus ou dos recifes de arestas agudas que lhes rasgariam os cascos, não deixaram de o tentar, chamaram-lhe cabo do medo, das tormentas, mas também foi cabo da boa esperança, levou-os a descobrir novos caminhos e a ver que o mundo não acabava ali.
Embora embuídos de outro espirito, que não o do comercio, mas de solidariedade, vai partir um grupo de 13 elementos jovens, entre os 54 e 73 anos, com destino à Guiné, o facto de ir por via terrestre, deve-se  à dificuldade e custo do seu envio por via marítima.
Esta viatura foi oferecida pela empresa BARRAQUEIRO TRANSPORTES SA., que desde o primeiro contacto se mostrou disponível a colaborar em tão nobre missão, tem sido mesmo emocionante, ver o empenho de tanta gente envolvida, desde a direção, escritório, limpeza, documentação, inspeção, mecânicos, eletricistas, pintores e motoristas no aprontamento, criando as condições necessárias para uma viagem sem problemas.
Tem como destino uma associação de surdos mudos de Bissau com cerca de 400 utentes.
Vamos colhendo alguns apoios e estímulos de vária ordem a que desde já agradecemos.
Faremos uma partida simbólica junto da ala sul do convento de Mafra no dia 24.02.2017 pelas 17 horas.
O itinerário será: Portugal,  Espanha, Marrocos, Mauritânia, Gâmbia , Senegal e Guiné.
Contamos ir dando boas notícias ao longo do percurso.
Um grande BEM HAJA a todos quantos nos têm, das mais diversas formas, incentivado e encorajado a levar por diante esta odisseia. (Francisco Filipe, in Grito Rural)

 PROJETOS QUE ESTÃO A SER APOIADOS
Há 28 anos que a Fundação João XXIII/Casa do Oeste percorre os caminhos da Guiné.
- Que vamos fazer à Guiné?
- Não vamos fazer negócios nem turismo, vamos com o nosso voluntariado (e cada voluntário assumindo as suas despesas de viagem e estadia) apoiar pequenos projetos de desenvolvimento local:
1- O primeiro que começámos a apoiar iniciou-se debaixo duma árvore, com o prof. Raúl, em Bissau. Hoje é a Cooperativa de Ensino de São José/CESJ que  tem 3 estabelecimentos de ensino, em três bairros da cidade com mais de 4.500 alunos;
2- Em Ondame, onde construímos a nossa casa, (Centro Social João XXIII) somos parceiros da EducArte- cooperativa de educação que abrange da pré-primária a jovens de 12 anos; da Biblioteca da Fundação; da Rádio N’Djerapa.Có de Biombo; do Infantário de Bissá e do Centro materno infantil “Bom Samaritano”.
3- Em Blom apoiamos o Padre Ernesto que está a fazer uma escola profissional, agrícola e de manutenção de alfaias;
4- Em Quinhamel  criámos a COAGRI- cooperativa agrícola - com 9 jovens e que já agregou a si mais de 60 mulheres que sustentam as suas 60 famílias;
5- Em Canchungo apoiámos uma cooperativa de jovens agricultores - a COAJOQ
6- Em Bissau apoiamos, ainda,  a Casa Emanuel, orfanato, tanto na área da saúde como na educação;  um centro de reabilitação física; o orfanato  Bombarem;  o  hospital de Cumura; a AIDA, que é uma ONG que dá apoio ao hospital central Simão Mendes  e coordena,  em parceria connosco, o projeto de famílias de acolhimento em Portugal que recebem crianças guineenses que vêm para tratamentos hospitalares.                                                                                        
7- Finalmente (o mais recente projeto) apoio à irmã Valéria do centro materno infantil em Nhoma.

 



 


ENCONTRO DE APROFUNDAMENTO DA FÉ
  "IGREJA EM SAÍDA - UM COMPROMISSO PESSOAL COM VISTA A UMA ECOLOGIA INTEGRAL"
 
 
A Ação Católica Rural convida-te a vir à Casa do Oeste no dia 5 de Março iniciar de uma forma mais profunda a caminhada Quaresmal.
Queremos rezar a Vida, a nossa vida, de modo a sermos capazes de encontrar maneira de sermos uma "Igreja em saída" que sai ao encontro dos mais pobres e que ajuda a dar passos rumo a uma Ecologia Integral.
PROGRAMA:
9H 15 – Acolhimento
9H30 – Desenvolvimento da temática:
 Igreja em saída - um compromisso pessoal rumo a uma ecologia integral"
  Animador: Padre Joaquim Domingues (Missionário)
13h – Almoço
14. 30- Plenário e conclusões
17h- Eucaristia
Aproximamo-nos, rapidamente, da realização do Encontro de Aprofundamento da Fé (5  de Março de 2017) é pois necessário prepará-lo quer individualmente quer em grupo.
Tendo em linha de conta o lema que abraçámos na última Assembleia Diocesana "A família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral” propomo-nos neste encontro aprofundar a seguinte temática: "IGREJA EM SAÍDA - UM COMPROMISSO PESSOAL COM VISTA A UMA ECOLOGIA INTEGRAL"
Durante o percurso que fizemos participando na preparação do Sínodo Diocesano, e refletindo na palavra do papa Francisco na Exortação Apostólica, “A alegria do Evangelho”, tomámos uma maior consciência de como é urgente sermos capazes de fazer uma leitura crente e ativa da realidade que vivemos. Crente porque acreditamos que Jesus caminha connosco, ativa porque confiamos que é possível agir para a mudança.
Queremos ser a "Igreja em saída" a que o Papa tanto nos exorta; queremos também trabalhar por uma "ECOLOGIA INTEGRAL" apelo que o  Papa Francisco faz a todos, na   Encíclica Laudato Si.
A preparação do encontro e o Encontro em si serão uma primeira etapa deste refletir/agir nesta questão: ECOLOGIA INTEGRAL.
Questões para reflexão:
1 - Ver/Julgar - Identificar no nosso contexto de vida (familiar, paroquial/comunidade, trabalho, problemas sociais, problemas ambientais...) situações que requerem a presença de "uma Igreja em saída".
2- Agir - Que compromissos devemos assumir individualmente ou em grupo face a essas situações?

 «20. Na Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de «saída», que Deus quer provocar nos crentes. Abraão aceitou a chamada para partir rumo a uma nova terra (cf. Gn 12, 1-3). Moisés ouviu a chamada de Deus: «Vai; Eu te envio» (Ex 3, 10), e fez sair o povo para a terra prometida (cf. Ex 3, 17). A Jeremias disse: «Irás aonde Eu te enviar» (Jr 1, 7). Naquele «ide» de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova «saída» missionária. Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho.   (Exortação Apostólica “A alegria do Evangelho” do Papa Francisco).

209. A consciência da gravidade da crise cultural e ecológica precisa de traduzir-se em novos hábitos. Muitos estão cientes de que não basta o progresso atual e a mera acumulação de objetos ou prazeres para dar sentido e alegria ao coração humano, mas não se sentem capazes de renunciar àquilo que o mercado lhes oferece. Nos países que deveriam realizar as maiores mudanças nos hábitos de consumo, os jovens têm uma nova sensibilidade ecológica e um espírito generoso, e alguns deles lutam admiravelmente pela defesa do meio ambiente, mas cresceram num contexto de altíssimo consumo e bem-estar que torna difícil a maturação doutros hábitos. Por isso, estamos perante um desafio educativo. (Laudato si- Papa Francisco).




 

 CASA DO OESTE NOMEADA PARA DISTINÇÃO NA CATEGORIA DE ASSOCIATIVISMO E VOLUNTARIADO

Como vem acontecendo há vários anos a Associação de Desenvolvimento da Lourinhã (ADL) organiza uma gala/ evento denominado “Distinções ADL” para premiar com um galardão de mérito, por categorias, instituições, empresas, associações e personalidades do concelho da Lourinhã, que tiveram um desempenho relevante na comunidade, durante o ano anterior.
Este ano foi nomeada a Fundação João XXIII/Casa do Oeste, para categoria Associativismo e Voluntariado pelo facto de ao longo de mais de 40 anos, muitos milhares de crianças, jovens e adultos terem beneficiado desta Casa/Fundação, participando em atividades de formação, convívio e lazer, incluindo cursos, retiros, Semanas de estufo, colónias de férias, etc.
A cerimónia foi muito cuidada e bem organizada, mas o mais importante foi o podermos apreciar e reconhecer o que de muito bom se faz no concelho…
A ADL foi criada em 1997 tendo a Fundação João XXIII- Casa do Oeste, tido uma intervenção determinante para o seu arranque, através dos seus dirigentes na altura, nomeadamente do Pe Batalha e do Acácio Catarino.
Estão de parabéns todos os que têm contribuído para que a ADL se mantenha viva e atuante para bem do desenvolvimento do concelho e região. A.L.

 

AS NOSSAS PROXIMAS MISSÕES NA GUINÉ

1.      Em dezembro saíram do nosso centro de recolha, armazém da família Pedroso, no Sobreiro, mais dois contentores, com destino à Guiné-Bissau, com diversos materiais, nomeadamente uma camioneta, para apoiar os vários projetos em curso nas áreas da saúde, educação e agricultura. Estes materiais foram doados por empresas, paróquias, autarquias e pessoas anónimas. Há uma grande equipa de voluntários que embora alguns nunca tenham ido à Guiné, estão cá, prontos a ajudar na recolha, triagem e carregamento dos contentores. É também importante destacar o espírito de solidariedade manifestado pelas empresas que ofereceram estes dois contentores: a Bombóleo - Sociedade Reparadora de Bombas Injectoras Lda. e o empresário Sr. Vicente, residente em Fátima, ligado à área da construção.
2.      A COAGRI, Cooperativa Agrícola João XXIII, em Quinhamel, quer ser uma Escola Agrícola para ajudar o povo daquela região de Biombo a diversificar a agricultura. A Cooperativa envolve mais de 60 famílias, que encontram ali condições para “ganhar para comer” com o seu trabalho. Tem como objectivos para 2017: criar um espaço de apoio para crianças de colo, para que as mulheres possam continuar a desenvolver a cooperativa; maior abrangência do sistema de rega e furo com sistema de painel solar. Para que este último objetivo seja alcançado é fundamental implantar a Energia Solar que permitia não só o sistema do furo mas também toda a iluminação da Granja, funcionamento dos aviários, sistema de rega e ter mais água. Apesar de já existir um furo para ir buscar água potável a cerca de 150 m de profundidade, porque as águas de superfície são salobras, esta energia vinha permitir que a cooperativa avançasse e se desenvolvesse. É um projeto que custa 7.000 €. Confiantes na colaboração de muitos, acreditamos que é possível implementar este projeto. Se queres e podes colaborar, contacta a Fundação.
3.      Dia 25 de janeiro mais um grupo dos nossos voluntários vai à Guiné-Bissau dar apoio logístico a uma instituição de solidariedade “Mães do Mundo” da Figueira da Foz- Coimbra. São estes exemplos que nos fazem sentir que a Solidariedade vive em rede. Este grupo vai também legalizar um terreno agrícola doado pelo nosso amigo e ilustre guineense já falecido, o Dr. Fernando Cá.
4.      Neste mesmo dia vai também um grupo do Projeto Visão, com médicos do Norte e Centro do País com  um total de 14 voluntários da área da oftalmologia, vão tratar e operar nos hospitais da Cumura-Bissau e Buba.
5.      A 25 de fevereiro parte um grupo de voluntários com o autocarro baptizado com o nome de Bojador, de 51 lugares, doado pela empresa de viação Mafrense (grupo Barraqueiro) da nossa região, e com carro de apoio, via terrestre, até à Guiné-Bissau. O autocarro destina-se a um Hospital-Escola de Surdos-Mudos. Quem se quiser voluntariar nesta aventura “viajar de autocarro” e viver uma experiência única na vida, entre em contacto com a Fundação.
6.      Logo de seguida, dia 2 de março parte outro grupo de voluntários, via aérea. Este grupo e os voluntários do autocarro têm como principais objetivos fazer a entrega do Bojador, visitar os projetos que a Fundação tem vindo a apoiar e participar 1ª Conferência da Comemoração dos 25 anos da Fundação João XXIII nas terras da Guiné-Bissau.
Todas estas dádivas e voluntariado são feitos incondicional e generosamente, como diz o povo, de “Alma e Coração”.
(in Grito Rural)
António Figueira