UM OLHAR SOBRE MAIS DE 25 ANOS DE SOLIDARIEDADE COM O POVO DA GUINÉ
1ª CONFERÊNCIA SOBRE SOLIDARIEDADE DIA 10 DE MARÇO, EM BISSAU
A Cooperativa de Ensino de São José vai realizar, no dia 10 de Março, com uma dezena de  instituições, que temos apoiado desde há 25 anos, a «1ª Conferência sobre 25  anos de solidariedade na Guiné» da Fundação João XXIII/Casa do Oeste, com o Lema: «Si bu na bulido costa, buli barriga» - Se alguém te ajudar, não fiques de braços cruzados,) e homenagear o prof. Raúl Daniel.
Estaremos presentes com um grupo de 18 voluntários. Esta missão é constituída por duas equipas: uma de 7 elementos que vai de avião e outra de 11 elementos que vai por terra com o autocarro Bojador e a partida oficial é às 17 h do dia 24 de Fevereiro, junto do convento de Mafra com transmissão mediática pela Dina Aguiar no Programa «Portugal em Direto» e também pela «RTP África». O autocarro será entregue  ao Centro escolar da Associação de Surdos. O Bojador», que vai ter o nome de “A sorrir para a Escola”.
VIAGEM DO BOJADOR
Bojador, foi o nome atribuído a um autocarro que se pensa poder vir a passar o cabo com este nome, mas como não é anfíbio terá de o fazer por estrada.
Se  Gil Eanes e Bartolomeu Dias, apesar dos perigos que sabiam ir correr, dos bancos de areia que lhes podiam encalhar as naus ou dos recifes de arestas agudas que lhes rasgariam os cascos, não deixaram de o tentar, chamaram-lhe cabo do medo, das tormentas, mas também foi cabo da boa esperança, levou-os a descobrir novos caminhos e a ver que o mundo não acabava ali.
Embora embuídos de outro espirito, que não o do comercio, mas de solidariedade, vai partir um grupo de 13 elementos jovens, entre os 54 e 73 anos, com destino à Guiné, o facto de ir por via terrestre, deve-se  à dificuldade e custo do seu envio por via marítima.
Esta viatura foi oferecida pela empresa BARRAQUEIRO TRANSPORTES SA., que desde o primeiro contacto se mostrou disponível a colaborar em tão nobre missão, tem sido mesmo emocionante, ver o empenho de tanta gente envolvida, desde a direção, escritório, limpeza, documentação, inspeção, mecânicos, eletricistas, pintores e motoristas no aprontamento, criando as condições necessárias para uma viagem sem problemas.
Tem como destino uma associação de surdos mudos de Bissau com cerca de 400 utentes.
Vamos colhendo alguns apoios e estímulos de vária ordem a que desde já agradecemos.
Faremos uma partida simbólica junto da ala sul do convento de Mafra no dia 24.02.2017 pelas 17 horas.
O itinerário será: Portugal,  Espanha, Marrocos, Mauritânia, Gâmbia , Senegal e Guiné.
Contamos ir dando boas notícias ao longo do percurso.
Um grande BEM HAJA a todos quantos nos têm, das mais diversas formas, incentivado e encorajado a levar por diante esta odisseia. (Francisco Filipe, in Grito Rural)

 PROJETOS QUE ESTÃO A SER APOIADOS
Há 28 anos que a Fundação João XXIII/Casa do Oeste percorre os caminhos da Guiné.
- Que vamos fazer à Guiné?
- Não vamos fazer negócios nem turismo, vamos com o nosso voluntariado (e cada voluntário assumindo as suas despesas de viagem e estadia) apoiar pequenos projetos de desenvolvimento local:
1- O primeiro que começámos a apoiar iniciou-se debaixo duma árvore, com o prof. Raúl, em Bissau. Hoje é a Cooperativa de Ensino de São José/CESJ que  tem 3 estabelecimentos de ensino, em três bairros da cidade com mais de 4.500 alunos;
2- Em Ondame, onde construímos a nossa casa, (Centro Social João XXIII) somos parceiros da EducArte- cooperativa de educação que abrange da pré-primária a jovens de 12 anos; da Biblioteca da Fundação; da Rádio N’Djerapa.Có de Biombo; do Infantário de Bissá e do Centro materno infantil “Bom Samaritano”.
3- Em Blom apoiamos o Padre Ernesto que está a fazer uma escola profissional, agrícola e de manutenção de alfaias;
4- Em Quinhamel  criámos a COAGRI- cooperativa agrícola - com 9 jovens e que já agregou a si mais de 60 mulheres que sustentam as suas 60 famílias;
5- Em Canchungo apoiámos uma cooperativa de jovens agricultores - a COAJOQ
6- Em Bissau apoiamos, ainda,  a Casa Emanuel, orfanato, tanto na área da saúde como na educação;  um centro de reabilitação física; o orfanato  Bombarem;  o  hospital de Cumura; a AIDA, que é uma ONG que dá apoio ao hospital central Simão Mendes  e coordena,  em parceria connosco, o projeto de famílias de acolhimento em Portugal que recebem crianças guineenses que vêm para tratamentos hospitalares.                                                                                        
7- Finalmente (o mais recente projeto) apoio à irmã Valéria do centro materno infantil em Nhoma.

 



 


ENCONTRO DE APROFUNDAMENTO DA FÉ
  "IGREJA EM SAÍDA - UM COMPROMISSO PESSOAL COM VISTA A UMA ECOLOGIA INTEGRAL"
 
 
A Ação Católica Rural convida-te a vir à Casa do Oeste no dia 5 de Março iniciar de uma forma mais profunda a caminhada Quaresmal.
Queremos rezar a Vida, a nossa vida, de modo a sermos capazes de encontrar maneira de sermos uma "Igreja em saída" que sai ao encontro dos mais pobres e que ajuda a dar passos rumo a uma Ecologia Integral.
PROGRAMA:
9H 15 – Acolhimento
9H30 – Desenvolvimento da temática:
 Igreja em saída - um compromisso pessoal rumo a uma ecologia integral"
  Animador: Padre Joaquim Domingues (Missionário)
13h – Almoço
14. 30- Plenário e conclusões
17h- Eucaristia
Aproximamo-nos, rapidamente, da realização do Encontro de Aprofundamento da Fé (5  de Março de 2017) é pois necessário prepará-lo quer individualmente quer em grupo.
Tendo em linha de conta o lema que abraçámos na última Assembleia Diocesana "A família humana na busca de um desenvolvimento sustentável e integral” propomo-nos neste encontro aprofundar a seguinte temática: "IGREJA EM SAÍDA - UM COMPROMISSO PESSOAL COM VISTA A UMA ECOLOGIA INTEGRAL"
Durante o percurso que fizemos participando na preparação do Sínodo Diocesano, e refletindo na palavra do papa Francisco na Exortação Apostólica, “A alegria do Evangelho”, tomámos uma maior consciência de como é urgente sermos capazes de fazer uma leitura crente e ativa da realidade que vivemos. Crente porque acreditamos que Jesus caminha connosco, ativa porque confiamos que é possível agir para a mudança.
Queremos ser a "Igreja em saída" a que o Papa tanto nos exorta; queremos também trabalhar por uma "ECOLOGIA INTEGRAL" apelo que o  Papa Francisco faz a todos, na   Encíclica Laudato Si.
A preparação do encontro e o Encontro em si serão uma primeira etapa deste refletir/agir nesta questão: ECOLOGIA INTEGRAL.
Questões para reflexão:
1 - Ver/Julgar - Identificar no nosso contexto de vida (familiar, paroquial/comunidade, trabalho, problemas sociais, problemas ambientais...) situações que requerem a presença de "uma Igreja em saída".
2- Agir - Que compromissos devemos assumir individualmente ou em grupo face a essas situações?

 «20. Na Palavra de Deus, aparece constantemente este dinamismo de «saída», que Deus quer provocar nos crentes. Abraão aceitou a chamada para partir rumo a uma nova terra (cf. Gn 12, 1-3). Moisés ouviu a chamada de Deus: «Vai; Eu te envio» (Ex 3, 10), e fez sair o povo para a terra prometida (cf. Ex 3, 17). A Jeremias disse: «Irás aonde Eu te enviar» (Jr 1, 7). Naquele «ide» de Jesus, estão presentes os cenários e os desafios sempre novos da missão evangelizadora da Igreja, e hoje todos somos chamados a esta nova «saída» missionária. Cada cristão e cada comunidade há de discernir qual é o caminho que o Senhor lhe pede, mas todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho.   (Exortação Apostólica “A alegria do Evangelho” do Papa Francisco).

209. A consciência da gravidade da crise cultural e ecológica precisa de traduzir-se em novos hábitos. Muitos estão cientes de que não basta o progresso atual e a mera acumulação de objetos ou prazeres para dar sentido e alegria ao coração humano, mas não se sentem capazes de renunciar àquilo que o mercado lhes oferece. Nos países que deveriam realizar as maiores mudanças nos hábitos de consumo, os jovens têm uma nova sensibilidade ecológica e um espírito generoso, e alguns deles lutam admiravelmente pela defesa do meio ambiente, mas cresceram num contexto de altíssimo consumo e bem-estar que torna difícil a maturação doutros hábitos. Por isso, estamos perante um desafio educativo. (Laudato si- Papa Francisco).




 

 CASA DO OESTE NOMEADA PARA DISTINÇÃO NA CATEGORIA DE ASSOCIATIVISMO E VOLUNTARIADO

Como vem acontecendo há vários anos a Associação de Desenvolvimento da Lourinhã (ADL) organiza uma gala/ evento denominado “Distinções ADL” para premiar com um galardão de mérito, por categorias, instituições, empresas, associações e personalidades do concelho da Lourinhã, que tiveram um desempenho relevante na comunidade, durante o ano anterior.
Este ano foi nomeada a Fundação João XXIII/Casa do Oeste, para categoria Associativismo e Voluntariado pelo facto de ao longo de mais de 40 anos, muitos milhares de crianças, jovens e adultos terem beneficiado desta Casa/Fundação, participando em atividades de formação, convívio e lazer, incluindo cursos, retiros, Semanas de estufo, colónias de férias, etc.
A cerimónia foi muito cuidada e bem organizada, mas o mais importante foi o podermos apreciar e reconhecer o que de muito bom se faz no concelho…
A ADL foi criada em 1997 tendo a Fundação João XXIII- Casa do Oeste, tido uma intervenção determinante para o seu arranque, através dos seus dirigentes na altura, nomeadamente do Pe Batalha e do Acácio Catarino.
Estão de parabéns todos os que têm contribuído para que a ADL se mantenha viva e atuante para bem do desenvolvimento do concelho e região. A.L.

 

AS NOSSAS PROXIMAS MISSÕES NA GUINÉ

1.      Em dezembro saíram do nosso centro de recolha, armazém da família Pedroso, no Sobreiro, mais dois contentores, com destino à Guiné-Bissau, com diversos materiais, nomeadamente uma camioneta, para apoiar os vários projetos em curso nas áreas da saúde, educação e agricultura. Estes materiais foram doados por empresas, paróquias, autarquias e pessoas anónimas. Há uma grande equipa de voluntários que embora alguns nunca tenham ido à Guiné, estão cá, prontos a ajudar na recolha, triagem e carregamento dos contentores. É também importante destacar o espírito de solidariedade manifestado pelas empresas que ofereceram estes dois contentores: a Bombóleo - Sociedade Reparadora de Bombas Injectoras Lda. e o empresário Sr. Vicente, residente em Fátima, ligado à área da construção.
2.      A COAGRI, Cooperativa Agrícola João XXIII, em Quinhamel, quer ser uma Escola Agrícola para ajudar o povo daquela região de Biombo a diversificar a agricultura. A Cooperativa envolve mais de 60 famílias, que encontram ali condições para “ganhar para comer” com o seu trabalho. Tem como objectivos para 2017: criar um espaço de apoio para crianças de colo, para que as mulheres possam continuar a desenvolver a cooperativa; maior abrangência do sistema de rega e furo com sistema de painel solar. Para que este último objetivo seja alcançado é fundamental implantar a Energia Solar que permitia não só o sistema do furo mas também toda a iluminação da Granja, funcionamento dos aviários, sistema de rega e ter mais água. Apesar de já existir um furo para ir buscar água potável a cerca de 150 m de profundidade, porque as águas de superfície são salobras, esta energia vinha permitir que a cooperativa avançasse e se desenvolvesse. É um projeto que custa 7.000 €. Confiantes na colaboração de muitos, acreditamos que é possível implementar este projeto. Se queres e podes colaborar, contacta a Fundação.
3.      Dia 25 de janeiro mais um grupo dos nossos voluntários vai à Guiné-Bissau dar apoio logístico a uma instituição de solidariedade “Mães do Mundo” da Figueira da Foz- Coimbra. São estes exemplos que nos fazem sentir que a Solidariedade vive em rede. Este grupo vai também legalizar um terreno agrícola doado pelo nosso amigo e ilustre guineense já falecido, o Dr. Fernando Cá.
4.      Neste mesmo dia vai também um grupo do Projeto Visão, com médicos do Norte e Centro do País com  um total de 14 voluntários da área da oftalmologia, vão tratar e operar nos hospitais da Cumura-Bissau e Buba.
5.      A 25 de fevereiro parte um grupo de voluntários com o autocarro baptizado com o nome de Bojador, de 51 lugares, doado pela empresa de viação Mafrense (grupo Barraqueiro) da nossa região, e com carro de apoio, via terrestre, até à Guiné-Bissau. O autocarro destina-se a um Hospital-Escola de Surdos-Mudos. Quem se quiser voluntariar nesta aventura “viajar de autocarro” e viver uma experiência única na vida, entre em contacto com a Fundação.
6.      Logo de seguida, dia 2 de março parte outro grupo de voluntários, via aérea. Este grupo e os voluntários do autocarro têm como principais objetivos fazer a entrega do Bojador, visitar os projetos que a Fundação tem vindo a apoiar e participar 1ª Conferência da Comemoração dos 25 anos da Fundação João XXIII nas terras da Guiné-Bissau.
Todas estas dádivas e voluntariado são feitos incondicional e generosamente, como diz o povo, de “Alma e Coração”.
(in Grito Rural)
António Figueira

 





LEVADOS À SRª DIRETORA REGIONAL DE AGRICULTURA

No dia 21 de Novembro ocorreu uma reunião com a Diretora Regional da Agricultura de Lisboa e Vale do Tejo Dra. Elizete Oliveira com elementos da Acão Católica Rural, da Fundação João XXIII –Casa do Oeste e da COOPSTECO (Cooperativa de Serviços Técnicos e Conhecimento CRL).
Houve ocasião para fazer um breve resumo do envolvimento histórico da Ação Católica Rural da Diocese de Lisboa, nas temáticas Rurais e Agrícolas do Pais e da solidariedade inerente à sua natureza Cristã com os pequenos agricultores do Oeste.
Resumiram-se os recentes trabalhos  com a COOPESTECO no acompanhamento de temas como a reforma da PAC;  a alteração da lei das Plantações de crescimento rápido, e por fim da preparação e realização do encontro de agricultores do Oeste com o Sr Patriarca de Lisboa dia 12 de Março de 2016, no Teatro Eduardo Brazão no Bombarral, que contou com a presença de cerca de duas centenas de participantes, agricultores de pequena e média dimensão, técnicos, dirigentes agrícolas e associativos, autarcas e comunicação social.
Neste contexto foi explicado o envolvimento das fileiras numa reflexão dos estado do sector e da transversalidade desta análise que se pretendeu realizar em defesa dos pequenos agricultores e dos problemas de subvalorização dos preços na comercialização.
A realidade de constrangimento financeiro dos agricultores, na deficiente organização da distribuição que não permite a chegada dos produtos de qualidade a preços razoáveis ao consumidor e tendo como objectivo dar voz aos pequenos agricultores colocando na ordem do dia os problemas de diferentes fileiras (fruticultura, horticultura, vitivinicultura, florestas e suinicultura).
Explicou-se ainda a oportunidade desta discussão à luz da nova encíclica Ludato SI do Papa Francisco e da atenção ao “ cuidar da nossa terra” e da importância da bio diversidade, conseguida pela pequena produção local em detrimento da produção intensiva e da monocultura.
Foi entregue à Srª Diretora Regional um dossier completo com todas as intervenções e documentos de preparação, e um dossier síntese  com os documentos de referência e as conclusões principais do Encontro.
- destacou-se novamente a necessidade de um regime de exceção legal e fiscal  para os trabalhadores contratados sazonais ( jovens, desempregados e reformados).
- destacou-se a necessidade de alterar o regime florestal de crescimento rápido, invertendo a situação atual.
- destacou-se a necessidade de inverter a politica atual que privilegia ajudas aos grandes produtores e penaliza os pequenos agricultores.
- questionou-se o papel do Ministério na imposição, há muito desejada, de uma maior  da concentração de OP´s e das fileiras.
- reforçou-se a necessidade de extensão rural e experimentação pela DRAPVT, para apoio aos agricultores. A reativação dos centros de experimentação saiu da alçada da DRAPLVT pelo que não é uma prioridade ou competência atual desta Direção Regional.  A Sra Diretora sugeriu que se endosse a questão à Secretaria de Estado.
Pretende-se agora fazer chegar as conclusões do Encontro e as suas propostas às instâncias governamentais quer a nível local quer nacional, pelo que está prevista  uma apresentação  ao grupo parlamentar da agricultura.
Relembra-se que do encontro dos Agricultores com o Sr Patriarca foi destacado o seguinte:
A região Oeste é uma região muito interessante a nível de clima, paisagem, diversidade agrícola e potencial agronómico. 60% da SAU é explorada por produtores singulares, 38% por sociedades agrícolas e 2% por outras formas (terras do estado). Encontra-se no Oeste 41% da área nacional de frutos frescos, 21% da área nacional de vinha e 24% da área nacional de outras culturas. De realçar a existência na região de 88% da superfície nacional de pomares de pereiras e 35% de macieiras com os concelhos do Cadaval, Bombarral e Caldas da Rainha a dominarem a produção de pêra e o de Alcobaça a produção nacional de maçã. No que diz respeito à vinha, na região encontramos 62% da superfície nacional de vinhas para uva de mesa sendo que, comparativamente a outras regiões, apresenta pouca produção de uva destinada a vinhos DOP.
Cerca de 66% da área de produção de hortícolas no continente situa-se na região sendo o concelho da Lourinhã o maior produtor nacional de abóbora (70% da produção nacional) e o 2º município, a nível nacional, com maior área de cultivo de batata de conservação (cerca 1 000ha) e aquele em que a batata primor ocupa a maior área (341 ha) produtiva.
Embora o regadio ainda não seja predominante na região é de realçar que, no concelho do Cadaval, cerca de 99% da superfície regada correspondem a culturas permanentes e que Alcobaça tem a maior área regada de frutos frescos (2 116 ha) do país.
Também a nível da produção animal a região tem um peso significativo no panorama nacional. 45% do efectivo nacional de suínos concentra-se em 6% de explorações situadas na região, onde encontramos as maiores suiniculturas do país. A região é ainda a maior produtora nacional de galinhas poedeiras e reprodutoras e também se destaca a dimensão das explorações avícolas.
Os resultados de um inquérito efectuado a agricultores na preparação deste evento realçaram-se as seguintes conclusões:
- Os jovens agricultores não têm introduzido, na sua maioria, novas culturas;
- Na horticultura o associativismo é praticamente inexistente;
- Os valores pagos à produção, na maioria dos casos da fruticultura e viticultura, não cobrem os custos de produção. Esta tendência tem vindo a ser recorrente e a agravar-se desde 2012;
- As burocracias junto da segurança social para contratação de pessoal para as campanhas são muito grandes e impedem os jovens que pretendem trabalhar nas férias de usufruir de benefícios escolares no ano lectivo subsequente;
- Os agricultores recebem os valores que lhe são devidos muito tarde;
- Os agricultores não têm capacidade negocial para fazer frente à distribuição.
No final do encontro, o Sr. Cardeal Patriarca referiu que é necessário centrar a tónica destas problemáticas no consumidor que não é apenas a consequência desta cadeia com um peso exagerado na distribuição mas o elemento determinante não só da produção mas também da distribuição. Aludindo à encíclica do Papa Francisco D. Manuel Clemente afirmou que, para fomentar o emprego, é necessário promover uma economia que favoreça a diversificação produtiva e a criatividade empresarial e que se não as fomentarmos e preservarmos não teremos futuro para a humanidade.
As principais conclusões foram as seguintes:
Perante os novos desafios com que se deparam actualmente os produtores agrícolas é notória a necessidade contínua de formação, sobretudo ao nível da área da comercialização.
O associativismo é uma mais-valia no escoamento e distribuição das produções mas a sua organização numa estratégia comum de venda e de valorização dos produtos é deficiente.
Existe a necessidade de apoio técnico.
Os preços pagos aos produtores não cobrem, na maioria dos casos, os custos de produção. Os prejuízos são comuns a todas as fileiras e têm vindo a acumular-se de modo constante nos últimos anos.
É necessário fazer cumprir a directiva que estipula o prazo máximo de pagamento aos produtores.
É necessária uma estratégia de valorização e promoção dos produtos de origem nacional e um controlo de preços dos produtos importados.
É necessário criar condições de escoamento, divulgação e venda das diferentes produções de modo a que a exploração agrícola possa ser auto-sustentável e rentável, assegurando a manutenção dos jovens agricultores que se têm instalado com base nos subsídios existentes.
É necessário fazer cumprir a legislação e fiscalizar a rastreabilidade e a rotulagem dos produtos agrícolas de modo a que a sua origem seja perfeitamente identificada pelo consumidor.
É necessário agilizar a contratação sazonal e permitir que jovens estudantes possam trabalhar sem perder direito a bolsas de estudo e/ou benefícios sociais que aufeririam se não tivessem registo de actividade laboral sazonal na Segurança Social.
É necessário resolver alguns constrangimentos decorrentes da implementação da legislação em vigor para o plantio de eucalipto e da revogação/alteração do actual Regime Jurídico das Ações de Arborização e Rearborização (RJAAR).
O Agricultor é por natureza Homem de esperança, portador do secular saber de trabalhar a Terra e dela colher o Pão de cada dia para si e seus semelhantes. É confiante mesmo na dureza do seu lavor, não desistirá no entusiasmo que lhe vem da consciência da sua acção na valorização do meio.
David Gamboa

DEUS QUER SALVAR O HOMEM ATRAVÉS DO HOMEM

 Duas figuras protagonistas do Natal: Maria e José.
Deus quer salvar os homens através do homem. Entre os maiores colaboradores encontram-se Maria e José. Nem tudo foi fácil na resposta ao plano de Deus.
Pensemos em José, homem justo, que descobre a gravidez daquela que lhe estava prometida em casamento. O anjo de Deus intervém esclarecendo o acontecido: «José Filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela foi gerado é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados».
Pensemos em Maria, em que se cumpriu o que o Senhor havia dito pelo profeta: «Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um Filho». Ela disse o seu ‘Sim’ com todas as suas consequências.


 Como estas pessoas colaboraram para a realização do plano de Deus pelo mistério da Encarnação, hoje este mesmo mistério da Encarnação pede a colaboração dos homens, a nossa colaboração, a colaboração da comunidade cristã.
Também hoje Jesus Cristo deseja nascer. Toda a Igreja e cada cristão são chamados a serem mães de Jesus.
Vejam o que diz S. Francisco sobre a maternidade dos cristãos: «Somos suas mães, se com amor e consciência pura e sincera O trazemos em nosso coração e o damos à luz por obras santas que sirvam de luminoso exemplo aos outros».
Pe Batalha, in “Farol”

UMA VIDA AO SERVIÇO DOS MAIS POBRES

Título - "Tudo é Graça. A revolução de Dorothy Day"
Autor - Jim Forest
Editora - Paulinas 
Recentemente decorreu na Universidade Católica de Lisboa o congresso dos Profissionais Católicos. Muitas pessoas e movimentos apresentaram as suas experiências e inquietações específicas de cada setor profissional. 
Escolhemos este livro, porque também nos remete, nas suas 479 páginas, para um tempo longo de intervenção comunitária no mundo do trabalho, calcorreando um percurso de fé muito determinado e sofrido.
Esta é ainda uma oportunidade para conhecer, em contextos muito próprios, os trilhos da vida de Dorothy Day (1897-1980) na fundação do Movimento do Trabalhador Católico, apoiado por um jornal, desdobrado em centros de acolhimento urbanos e rurais, suportado em voluntários que se foram juntando e construindo espaços de igreja muito heterogéneos.
O convívio próximo e prolongado do autor (*) com Dorothy Day (agora em processo de beatificação), tornaram-no uma das pessoas mais competentes para dar a conhecer o perfil desta mulher determinada e empenhada na defesa dos mais desprotegidos e injustiçados, guiada pela certeza da fé e pela confiança que depositava na vida dos santos e do seu impacto sobre o mundo.
Dorothy Day foi portadora de uma mensagem muito forte para o seu tempo. Foi nos anos trinta do século XX, com a Grande Depressão Americana e em muitos outros contextos sociais e políticos agrestes, suportada em vários saltos de fé, que reconheceu  nos homens o " Cristo que está no meio de nós - não um Cristo limpinho, bem esfregado, domingueiro, mas um Cristo para os dias de semana, um Cristo com roupa remendada, um Cristo dos bairros de lata e das casas degradadas, um Cristo sem casa nem emprego, um Cristo da sopa dos pobres".
A complexidade e riqueza do seu percurso de vida, levou o Papa Francisco a reconhecer publicamente durante a sua recente visita aos Estados Unidos que "o seu ativismo social, a sua paixão pela justiça e pela causa dos oprimidos foram inspirados pelo Evangelho, pela sua fé e pelo exemplo dos Santos".

 O leitor poderá ainda ficar surpreendido com  o depoimento de José Manuel Pureza, que fez o prefácio à edição portuguesa, reconhecendo a dada altura "que o que marca esta vida,  o que dela fica de profundamente interpelador, o que anima a consideração de Dorothy Day como uma referência para a comunidade dos/as crentes é a essencial continuidade da sua paixão pelos pobres, pelos marginalizados, pelos desconsiderados".
Dorothy alimentou a convicção de que o mundo melhoraria de forma significativa se os cristãos estivessem dispostos a procurar o rosto de Cristo nos outros, sobretudo nos pobres e nos condenados e nas pessoas que tantos de nós tendemos a evitar.

 (*) Jim Forest - escritor, teólogo leigo, educador e ativista pacifista, nasceu no Utah (EUA) em 1941. Conheceu Dorothy Day quando visitou a sede do movimento do Trabalhador Católico e aderiu de forma imediata ao movimento e às suas causas.


Manuela Ludovino – in Jornal “Grito Rural”