EXPLORAÇÕES FAMILIARES AGRICOLAS.

NO OESTE TEMOS MUITOS BONS EXEMPLOS DESTAS EXPLORAÇÕES. AQUI DESCREVEMOS UM CASO EXEMPLAR.

 “O ano 2014 foi proclamado pelas Nações Unidas como o Ano Internacional da Agricultura Familiar para concentrar toda a atenção do Mundo sobre a função da mesma na redução da fome e pobreza, na criação e valorização de emprego, em assegurar um futuro competitivo e uma qualidade de vida comparável com a de outros sectores, motivando a adesão dos jovens, assim como a protecção do ambiente e da biodiversidade.
 
É de crucial importância contar no futuro com uma agricultura dinâmica, moderna e resistente que assegure um futuro viável às explorações familiares. Consideramos que uma das maneiras de o conseguir, passa pelas boas práticas agrícolas, pelo compromisso total, abnegado e confiante das pessoas, das famílias como a breve e exemplar história de vida que se apresenta.

O fruticultor António Martins nasceu em Alvorninha em 1942 numa família de agricultores tendo começado desde cedo (após a instrução primária) a ajudar nas actividades agrícolas familiares. No entanto, já nessa altura se adivinhava uma vontade de fazer diferente, de descobrir e desbravar caminhos que foi pondo em prática nos 10 ha que explora.

1963 - 1966

Tal como a maioria dos jovens da sua geração, o Ultramar foi o seu destino e foi aí que deu início à sua actividade profissional de modo independente. Trabalha como polícia militar em Moçambique e passou algum tempo a trabalhar como carpinteiro na África do Sul.

1966 - 1988

Com o retorno do Ultramar dá-se o início da actividade agrícola numa lógica de continuidade e de rotura com a actividade familiar. Às culturas tradicionais de vinha e de trigo que vinham a ser feitas, junta-se a fruta e a pecuária . Em 1965 planta o primeiro pomar de pêra Rocha e arranca a produção de fruta pela família Martins (António e Maria Celeste).No que toca à pecuária, explora a produção industrial de coelhos, frangos, porcos e vitelos. A produção de trigo é abandonada mas continua a produzir vinho e a adaptar as várias vinhas a uma mecanização crescente da produção.

Com os anos, também a pecuária e o vinho acabam por ser subtituídos gradualmente pela produção de fruta – nomeadamente pêras e maçãs. Várias são as inovações que vão tendo lugar ao longo dos anos – desde o pulverizador das vinhas com um tractor até ao primeiro pomar super-intensivo a ser plantado na zona, passando pelos primeiros pomares a terem rega gota-a-gota no concelho.

Várias são também as suas acções no sentido de melhorar a rede viária que começa a ser feita na freguesia. Estes esforços marcam o início de todo um percurso profissional caracterizado pelo associativismo e pela defesa dos interesses da região, do concelho, da freguesia e do lugar.

Ao nível da comercialização, o destaque vai para os mercados – desde o mercado abastecedor do Barreiro e de Lisboa até ao mercado do Relógio em Lisboa.
 
1988 - 2008

Com a apresentação do primeiro projecto de candidatura a fundos europeus, através do IFADAP em 1988, formaliza-se a opção que já vinha a ser tomada de especialização na produção de fruta. Durante vários anos, vários projectos de investimento foram apresentados e aprovados permitindo a conversão de diversos terrenos para a produção de fruta – através da plantação de novos pomares; optimização da produção de fruta – através da compra de alfaias agrícolas e instalação de sistemas de fertirrigação automática entre outros; assim como uma optimização ao nível da comercialização – através da construção de câmaras frigoríficas.

Este processo levou a uma alteração ao nível da comercialização. Se até então a comercialização da fruta se fazia em mercados, a partir deste momento dá-se início à adesão a cooperativas para comercialização da fruta produzida nomeadamente através do Merco Alcobaça e mais tarde da ObiRocha.

Ao nível de métodos de produção foi notória a crescente sensibilidade para métodos de produção cada vez mais amigos do ambiente. Em 1993, torna-se num dos primeiros fruticultores do país a aderir ao modo de protecção integrada e em 2003 começou o processo de conversão dos terrenos para o modo de produção biológico tornando-se no primeiro produtor de diospiros biológicos do país.

2011 – presente

É sócio fundador da Sabor Bio, onde auxilia a filha no desenvolvimento das diferentes actividades nomeadamente na produção das aguardentes.

A família Martins sempre acreditou que a união faz a força e que nada se faz sem aprendizagem e troca de experiências. O patriarca foi sempre pioneiro no movimento associativo e nunca descurou a sua formação e a busca de novas ideias, técnicas e conhecimentos. É de realçar o seu empenho na criação da Agropal – Sociedade Agro-Pecuária de Alvorninha (1970 – 1993), da Associação de Desenvolvimento Económico e Social da Freguesia de Alvorninha (1971 – 1974), da Associação Recreativa Cultural e Desportiva da Moita (1982 – presente), Merco Alcobaça – Mercado de Origem (1990 – 2000), AVAPI – Associação para a Valorização Agrícola em Protecção Integrada (1993 – presente), ObiRocha (2001 – 2007).

O exemplo do pai ficou patente e marcado nos caminhos de vida de dois dos seus filhos – Octávio e Ana.

O Octávio assumiu a exploração agrícola em modo de produção biológico e, em conjunto com a esposa Sandra, abriu, nas Caldas da Rainha, uma loja exclusivamente dedicada à venda de produtos biológicos certificados (Biológicos da Rainha – BIO.R - http://biorainha.blogspot.pt/) onde comercializa a sua fruta, bem como um conjunto de outros produtos biológicos frescos e embalados.

A Ana criou a Sabor Bio (www.saborbio.pt) que, com os frutos de produção biológica, se dedica à produção de licores e aguardentes, condimentos e temperos bio e ainda possui uma linha de fruta desidratada.

TEXTO DE: Sandra Martins, A. Cristina Rodrigues e José Alexandre Batista

Vem participar no Encontro de Agricultores do Oeste com o Sr Patriarca, dia 12 de março, no teatro Eduardo Brazão das 15,00 às 19,00h.Contamos com a tua presença!

 



INQUÉRITO SOBRE A SITUAÇÃO DOS AGRICULTORES NO OESTE

No âmbito da preparação do Encontro de Agricultores  do Oeste com o Sr patriarca, do próximo dia 12 de março, no Teatro Eduardo Brazão, no Bombarral enviamos hoje um INQUÉRITO SOBRE A SITUAÇÃO DOS AGRICULTORES. As conclusões serão apresentadas no Encontro.
Ficamos muito gratos se nos enviar a sua resposta até ao dia 8 de março. OBRIGADO.
CONTAMOS COM A SUA COLABORAÇÃO.
I. Caracterização Geral

I1. Para efeitos de localização geográfica e análise de resultados, para a sua área de residência, identifique:

I1.1. Localidade ______________________________________________________________________

I1.2. Freguesia ____________________________              I1.3. Concelho _____________________________

I2. Tendo como amostra as pessoas em idade activa, quantos agricultores (proprietários e rendeiros) existem na sua localidade?

I2.1. até 3 _______              I2.2. 4 - 9 ______I2.3. 10 - 15 ______             I2.4. mais de 15 ---------


I3. No seu caso, faz parte de alguma associação ou organização de produtores?

Sim ________                 Não ___________

II. Jovens Agricultores  (até 41 anos)

II1. Na sua localidade há jovens agricultores?

Sim ________                 Não ___________

Se respondeu Não passe à secção III

II2. Nestes últimos 5 anos quantos jovens agricultores se instalaram?

II2.1. 1 _______                     II2.2. 2-4 ______                      II2.3. mais de 5 ______


II3. Os jovens agricultores tem introduzido novas culturas na zona?

Sim ________                 Não ___________

Se respondeu Sim, identifique as novas culturas introduzidas.

__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

III. Organização da Produção

III1. No caso da sua produção, a venda é feita:

III1.1. Através de uma associação ou organização de produtores ____________

III1.2. Directamente por si ___________

III1.3. Ambas as situações______________

Se respondeu ambas identifique a quantidade da sua produção que é vendida particularmente _______%

III2. Considera que os valores que têm sido pagos:

III2.1. Estão acima dos custos de produção ____________

III2.2. Cobrem os custos de produção ___________

III2.3. Ficam abaixo dos custos de produção ______________

III3. Se considera que os valores pagos não cobrem os custos de produção, identifique, aproximadamente o prejuízo:

III3.1. menos de 10% _____   III3.2. 11-20% ______       III3.3. 21-30% ______ III3.4. mais de 31% ______

III4. Identifique os anos, em que a situação de prejuízo se verificou (pode escolher mais do que uma opção)

III4.1. 2008 _______            III4.2. 2009 ______                  III4.3. 2010 ______                       III4.4. 2011 ______

III4.5. 2012 _______            III4.5. 2013 ______                  III4.7. 2014 ______                       III4.8. 2015 ______

III5. Identifique as culturas em que este prejuízo verifica (pode escolher mais que uma opção):

III5.1. Pêra _______                                                                    III5.2. Maçã ______

III5.3. Vinha ______                                                                     III5.4. Hortícolas ______

III5.5. Outras ______ Quais? ________________________________________________________________

III6. De um modo geral, as suas produções têm sido escoadas na totalidade?

III6.1. Sim _______                                                                      II6.2. Não ______

IV. Venda e Distribuição

IV1. Na sua localidade existem mercearias e/ou minimercados?

IV1.1. Sim _______ Quantos? ________                                           IV1.2. Não ______

IV2. Os produtores locais colocam lá a sua produção?

IV2.1. Sim _______                                                                      IV2.2. Não ______


IV3. Acha importante este comércio de proximidade?

IV3.1. Sim _______                                                                      IV3.2. Não ______

V. A sua opinião

V1. Identifique os principais problemas dos agricultores da sua zona:

__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________

V2. Que medidas considera ser urgente tomar, pelo Governo, para melhorar a situação dos agricultores?

__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

_____________________________________________________________________________

Nota: Envie a sua resposta até ao dia 8 de março para casadooeste@sapo.pt ou Casa do Oeste Av. 25 de Abril, nº 13, 2530-627 Ribamar LNH    OBRIGADO

 

OS PREÇOS DOS PRODUTOS AGRICOLAS NO OESTE E A SOBREVIVÊNCIA DOS AGRICULTORES

No âmbito da preparação do Encontro de Agricultores  do Oeste com o Sr patriarca, no próximo dia 12 de março, no Teatro Eduardo Brazão, no Bombarral voltamos a publicar um texto sobre uma atividade com agricultores que decorreu o ano passado na Casa do Oeste.

"Integrado na Festa anual da Família Rural, conforme programação já habitual da Fundação João XXIII, decorreu dia 18 de Maio na Casa do Oeste em Ribamar da Lourinhã, um colóquio subordinado à temática seguinte ” os preços dos produtos agrícolas no Oeste e a sobrevivência dos agricultores”

O número de participantes ultrapassou as 50 presenças. O tema de enquadramento da agricultura portuguesa na perspetiva do mercado interno e da exportação foi apresentado com algum detalhe pelo Eng.º Paulo Monteiro, responsável pela Delegação Regional do Oeste da Direcção Regional de Agricultura e Pescas de Lisboa e Vale do Tejo.

Percebeu-se que não há uma economia forte sem uma agricultura forte. Registámos que a produção vegetal em percentagem do PIB andará por 1,87% e na produção animal 1,35%. Quanto ao Valor Acrescentado Bruto de Portugal=VAB Agrícola valores na ordem de 1,43% quando na Espanha é 2,47%. E que a partir de 2006 o “consumo intermédio” com o aumento dos valores do petróleo, dos fitofármacos e adubos, entre outros factores de produção, interferiu no VAB provocando a sua descida, mais acentuada na produção animal. (caso dos preços para as matérias primas para as rações)

Pela apresentação da conta de exploração tipo dos frutos frescos, confirmou-se, aquilo que a realidade atual não esconde: “que os custos de produção tomam conta dos lucros”.

O Eng.º Paulo Monteiro desenvolveu também um pouco os fatores críticos de sucesso:

condições edafo-climáticas/excecionais em épocas especificas, (criando janelas de oportunidades concorrências óptimas com outros países e mercados, especialmente na horticultura). Portugal em relação ao resto da Europa dispõe em média de mais três meses e em relação à Espanha de 4 meses, em virtude das temperaturas excessivamente altas no Verão em Espanha que comprometem a produção. Outras condições: a existência de água, o domínio do conhecimento cientifico-tecnológico; as estratégias de acrescentar valor à produção; a estrutura de custos; as estratégias de diferenciação / exploração de nichos de mercados e a concentração de oferta / economias de escala, que poderá ainda se muito potenciada.  

Deu muito enfase ao fator concentração de oferta e economia de escalas, ou seja em termos de organização do sector Portugal continua longe das médias Europeias.

Informou que no caso das exportações de frutos frescos Portugal cresceu 12 % e as hortícolas 8,4%.

A terminar a interessante conferencia, referiu certas ameaças à agricultura portuguesa, com a concorrência na U. E, os acordos na Bacia mediterrânica, a concentração a jusante da fileira, pressionando os preços face ao fraco poder negocial dos pequenos agricultores e reconhecendo que acabará por ser mais fácil importar os produtos agrícolas do que trabalhar    e valorizar a produção nacional.

No período de debate, a participação dos agricultores foi grande e intensa com realce e convicção da importância da necessidade da agricultura para a sobrevivência humana. Daí que o modelo só será sustentável e respeitador da igualdade humana se se atendar também à economia local.

Em face de debate foi apresentada uma reflexão/resumo de um  encontro de agricultores no Valcovo (Bombarral) para preparação deste colóquio:

“Após a entrada de Portugal na CEE, a agricultura Portuguesa e em especial a do Oeste sofreu grandes alterações por forma a tornar-se mais produtiva e mais competitiva.

A necessidade de aumentos de produtividade e de baixa de custos de produção, levou a que a maioria dos agricultores optasse pela monocultura, como é o caso da pera rocha.

Os produtores fizeram um grande esforço para produzir mais, aumentando as áreas de produção, utilizando técnicas de cultivo que levaram a um grande aumento de produtividade, aumentaram muito a mecanização e o regadio, no entanto a monocultura e a intensificação, leva a uma baixa de qualidade dos produtos. Fomos perdendo algumas das características diferenciadoras dos produtos da nossa região, como é o sabor.

O comércio também se alterou radicalmente, passámos de mercados locais e pequenas mercearias para grandes cadeias de distribuição e um mercado global. O consumidor tem disponíveis durante todo o ano todos os tipos de produtos, deixámos de ter os produtos da época, os primores. Temos uvas, melão, ameixas e a maioria dos produtos sempre disponíveis para o consumidor, o que parece uma coisa maravilhosa, veio alterar muito a relação entre o consumidor e o produtor nacional.

A grande distribuição alterou radicalmente a relação de forças entre a produção e o comércio. Portugal tem meia dúzia de cadeias de distribuição, que dominam cerca 80% do comércio agro-alimentar e que lhes confere uma capacidade negocial muito grande. A produção também se organizou em OP’s (organizações de produtores), cooperativas e sociedades comerciais, mas não conseguem ter dimensão para conseguir melhorar a sua capacidade negocial com a grande distribuição. Este desequilíbrio de forças levou a uma baixa de preços a pagar á produção, mas o consumidor não paga menos, pelo contrário, os preços estão exageradamente altos nas prateleiras dos supermercados conforme os exemplos referidos:

Pera rocha: custos de produção – 0,28

                      Preços à produção – 0,11 e os 0,15

                     Preços médios nos híper – 1,30 / 1,80

Batata: Custos de produção – 0,15 a 0,20

Preços à produção actualmente 0,20 mas na campanha passada foi 0,05

Preços nos híper – 0,50 a 1,00

Vinho: custos de produção – 0,20

Preços à produção – 0,14 a 0,20

Preços ao consumidor – 1,00

A produção tem de ter a capacidade de manter e melhorar a qualidade dos nossos produtos, termos cada vez mais produtos certificados, para conseguirmos uma diferenciação junto dos consumidores.

Lembrando uma citação do Papa Francisco na exortação “A alegria do Evangelho” : “uma economia que mata”.

Foram abordadas, ainda, pelos presentes outras questões como as sementes transgénicas; os pousios e a utilização de  boas áreas para produção de eucaliptos; a nova lei da simplificação das áreas de plantação de espécie de crescimento rápido; as áreas de agricultura convencional em territórios confinantes com produções biológicas que acabam por invadir com os seus produtos a concepção natural de  pomares de produção biológica.

De maneira transversal a todos, a preocupação dos preços baixos dos produtos, que  preocupa e angustia tanto mais velhos como mais novos, estando em  risco eminente, de pequenos agricultores do oeste, falirem e muitos jovens empresários perderem o interesse pelo sector, daí que a solução passe pelo debate forte, conclusivo e virado para a ação."      

 

ENCONTRO DE AGRICULTORES DO OESTE COM O SR. PATRIARCA                                          

A Acção Católica Rural (ACR), a Fundação João XXIII-Casa do Oeste e a COOPSTECO (Cooperativa de Serviços Técnicos e Conhecimento CRL) promovem um ENCONTRO DE AGRICULTORES DO OESTE COM O SR. PATRIARCA,  no dia 12 de março, no Bombarral, no Teatro Eduardo Brazão das 15,00 às 19,00h.

OBSEVAÇÃO DA REALIDADE

Partimos da observação da seguinte realidade:

1-      O agricultor encontra-se numa situação muito precária, com grandes dificuldades na sua atividade profissional;

2-       O nosso país tem grande carência de produtos agrícolas de qualidade, diversificados, que satisfaçam o consumidor e a preços mais razoáveis.

Se, de fato, houver condições para uma atividade agrícola digna protege-se e cria-se mais emprego, melhor economia.

OBJETIVOS DO ENCONTRO

Alguns dos objetivos do Encontro:

1-      Dar voz, especialmente aos pequenos agricultores e aos seus problemas;

2-       Ser um encontro de objetividade e identificar situações concretas;

3-      Colocar na mesa da discussão os problemas do setor que se resumem na questão chave: “as fileiras de produção agrícola, constrangidas por diversos fatores, não estão a conseguir criar riqueza para os produtores;

4-      Fazer chegar as preocupações, os desafios e as propostas dos agricultores do Oeste á hierarquia da Igreja diocesana;

5-      Contribuir para que sejam tomadas medidas pelas instâncias governamentais que respondam aos problemas identificados pelos agricultores.

A QUEM SE DESTINA

O Encontro destina-se:

- em primeiro lugar a agricultores individuais,

- mas também: a representantes de associações agrícolas e a

- entidades representativas das fileiras e do setor,

- Ops, Cooperativas e outras associações

- técnicos e serviços públicos do Ministério da Agricultura na região

 Câmaras Municipais

 Juntas de freguesia …etc

PROGRAMA:

15.00h- Abertura dos trabalhos

15,15h - Panorâmica geral da agricultura no oeste - Ana Cristina Rodrigues - Profª Universitária/consultora

16.00h- Intervenções das fileiras de produção:

 fruticultura (José Alexandre Batista – presidente da direção -COOPSTECO); horticultura (António Rodrigo- diretor geral da Louricoop/Biofrade); vitivinicultura (Manuel Arsénio, enólogo /produtor do Cadaval); florestas (Rute Santos - coordenadora da APAS-Florestas); pecuária (Jorge Serrazina – diretor técnico da Cooperativa Agrícola– Benedita).

16,45h - Depoimentos e intervenções do público

17.00h - pausa

17,30h- Intervenção do Sr Cardeal Patriarca

18,30h- Apresentação de conclusões e encerramento

CONTAMOS COM A SUA PRESENÇA E A DIVULGAÇÃO DESTE ENCONTRO JUNTO DE AMIGOS E FAMILIARES.

Por questões organizativas pedimos que nos confirme a sua presença até ao dia 10 de março para o email: casadooeste@sapo.pt ou por telefone 915779037.

Ribamar, 2 de fevereiro de 2016

A Organização

Ação Católica Rural     Fundação João XXIII-Casa do Oeste     COOPSTECO

Dina Franco                   Pe Joaquim Batalha                     José Alexandre Batista

 

POLÉMICA NA LEGISLAÇÃO DO PLANTIO DE EUCALIPTOS

Na sequência de reuniões anteriores, a última das quais na Casa do Oeste, resultado de uma parceria entre a Fundação João XXIII Casa do Oeste e a COOPSTECO, realizou-se dia 12/1/2016, no Circulo de Cultura Musical do Bombarral, mais uma reunião de agricultores para abordar a temática do DL nº96 de 2013 sobre o plantio de eucaliptos. A palestrante foi a Eng florestal Rute Santos.

Um dos aspetos mais polémicos do Decreto Lei.96 de 2013 relaciona-se com o facto de ser omisso relativamente à distância a respeitar nas culturas vizinhas, anteriormente na ordem dos 20 a 30 metros.

Trata-se duma lei liberal e por outro lado, sem uma verdadeira estratégia agro-pecuária e florestal motivadora, que levou muitos proprietários a aproveitar as facilidades da lei para plantar indiscriminadamente. Assim durante 2 anos surgiram imensos pedidos de licenciamento que foram aprovados.

As reações e indignação surgiram, tendo desencadeado uma luta jurídica que concluiu haver uma lacuna na lei em causa que não revogou uma disposição anterior de 1927 que impunha a obrigatoriedade de deixar uma faixa de proteção em relação a culturas vizinhas. Pressionado, o Ministério acabou por determinar que, a partir de Outubro de 2015, se o terreno encostasse a campo agricultado seria obrigatório respeitar os 20 metros de afastamento, previstos na lei de 1927.

A confusão instalou-se com projetos aprovados e em implementação segundo a nova legislação de 2013 e outros recusados devido às normas emanadas do Ministério em Outubro passado.

A propósito desta acesa temática dos eucaliptos o Eng António Rodrigo chamou a atenção que não menos importante que as distâncias em causa é a definição exposta numa lei de 2008 de que a cultura do eucalipto é uma cultura agrícola, permitindo assim  a sua plantação na RAN e REN, em ótimos terrenos de várzea, facilitando a invasão desta cultura, podendo tornar-se hegemónica e ocupar terrenos de excecional  qualidade para produtos agrícolas de grande qualidade e em que não somos excedentários.

A sessão decorreu de modo muito animado com grande participação dos presentes. Gerou-se um consenso no sentido de que o resultado da nossa reflexão possa contribuir para a exigência de elaboração de nova legislação que defenda simultaneamente, de uma forma equilibrada  e com bom senso, os produtos florestais e agrícolas.

José Alexandre Batista

 

CAMPO DE FORMAÇÃO E FÉRIAS DA ACN


Na primeira semana de Agosto realizou-se na Casa do Oeste o Campo de Formação e Férias da ACN (Ação Católica dos Novos). Uma semana com muita diversão e alegria, onde aprender é uma constante.

O tema desta semana foi “História de Portugal”, onde os “nossos meninos” foram levados a recordar o passado para derrubar o vilão “Malefic Future”, que queria apagar quaisquer vestígios deste e apenas concentrar-se num futuro onde só existiam novas tecnologias.

Começamos com a invasão Romana, onde aprendemos a cultura, a língua, os números e a religião deste povo que tão semelhante é com o nosso. Estes novos conhecimentos foram postos à prova através de jogos. Durante a tarde foi a diversão que tomou conta do tempo, uma pequena competição na praia, com direito a coroas de louro para os vencedores.

Na terça – feira debruçámo-nos sobre o caso de D.Pedro e de D.Inês de Castro. Dirigimo-nos até ao Moledo, local onde possivelmente partilharam alguns anos num pequeno Paço Real que lá existia. Descobrimos as diferenças entre o passado e o futuro através da visita aos moinhos e aos aerogeradores.

Já estamos a meio da semana e é tempo de abordarmos as invasões Francesas, e como tal fomos até ao Vimeiro, visto que foi ali que se deu uma das batalhas mais importantes da 1º invasão. A noite deu lugar a um primeiro Peddy-Paper, mais curto e simples, mas que levou as crianças a superar alguns desafios em equipa.

Demos um pequeno salto no tempo no dia da piscina, quinta – feira, e desta vez os descobrimentos foram o mote do dia. Através duma pequena caça ao tesouro aprenderam um pouco mais sobre esta época tão importante e gloriosa para o nosso país. Como tudo isto é uma realidade distante, decidimos aproxima-la das crianças, e por isso o jantar foi servido numa folha de couve, e de talheres só existia a colher.

É chegada a sexta – feira e é a vez do 25 de Abril. Após um acordar militar, todos os participantes foram encaminhados para salas de trabalho, onde poderam não só divertir-se como também aprender o que era a censura, a PIDE, entre outros termos mais difíceis de entender.

Deu-se da parte da tarde uma guerra de balões de água e posteriormente a preparação da eucaristia. Os grupos, com a ajuda e encaminhamento do Padre Batalha dirigiram-se para algumas casas da comunidade, onde nos receberam e ajudaram a ler e refletir sobre diferentes temas bibílicos. Regressando todos os grupos à Casa do Oeste, realizou-se a eucaristia, presidida pelo Padre Batalha, na qual foi animada por violas e pelas crianças, tendo a participação de todos em cada parte.

O jantar foi substituído por um churrasco onde todos participaram na organização de diversas formas: decoração, danças, música… Dançaram, conversaram e a alegria imperou nesta noite. Para terminar este dia em grande, realizamos um Peddy-Paper. Cada grupo com o seu animador recebeu as pistas necessárias para começar e seguir para uma noite onde os desafios se superam com espírito de equipa e animação.  

Apesar das poucas horas de sono, no sábado de manhã energia não faltou para fazermos as limpezas e arrumar as malas já com alguma tristeza, pois a semana está mesmo no fim.

Depois do último almoço todos juntos, os pais foram chegando e já as saudades apertavam. Vimos com muito orgulho os mais velhos a deixar este campo de férias e a prepararem-se para “subir” mais um patamar. Trocaram-se contactos e experiências vividas, com muitos abraços e algumas lágrimas pelo meio.

Já com a casa vazia é a vez de nos despedirmos dela e dizer um grande “até já”.

 

Ana Rita Teles

CONSTRUIR UM FUTURO COM ESPERANÇA


CONSTRUIR UM FUTURO COM ESPERANÇA
A Acção Católica Rural do Patriarcado de Lisboa reuniu em Conselho Diocesano na Casa do Oeste em Ribamar da Lourinhã no domingo 19 de julho de 2015. Foi tempo de avaliar o trabalho desenvolvido ao longo deste ano, à luz das linhas orientadoras do triénio que termina em 2016 que nos convidam a Construir agora um futuro com esperança.
Demos início aos trabalhos com um momento de oração que apelou ao nosso compromisso com os mais pobres e à preocupação com o mundo em que vivemos, através de um excerto da Encíclica Laudato Si do Papa Francisco.
Os grupos de base, na sua avaliação ao trabalho do ano, manifestaram como bastante positivas as reflexões dos guiões preparatórios do Sínodo Diocesano. Todo este percurso e a consciência que vamos adquirindo dos problemas que existem à nossa volta levam-nos a ter atitudes mais equilibradas e de maior humanidade. Somos desafiados:
A denunciar as injustiças;
A colocarmo-nos de facto ao lado dos mais fracos;
A passar das palavras aos atos e a viver a fé comprometida com a vida;
A despirmo-nos de juízos e preconceitos;
A desinstalarmo-nos, sair da vida rotineira e fazermos opções;
A repensar que papel pode ser o nosso na vida da comunidade;
A descobrir permanentemente o que é estar ao serviço;
A estar continuamente em reflexão.
Depois da apresentação destes documentos tivemos a preciosa ajuda da Dra. Teresa Vasconcelos que nos apresentou alguns pontos pertinentes e desafiantes da Carta apostólica Evangeli Gaudium, do Papa Francisco. Ficou para nós mais clara a urgência de tornar Deus presente no mundo em que vivemos, de deixar que o Espírito sopre em nós, com a sua criatividade infinita e nos ajude a desfazer os nós das vicissitudes humanas, designadamente no atropelo constante que fazemos aos nossos irmãos e à própria Natureza, abusando dos recursos. Ainda a necessidade de promover a justiça, de sairmos de nós para acolher o irmão que precisa de apoio, que não tem trabalho.
 O anúncio como experiência cristã provoca consequências sociais. Anunciar é dizer que a construção de um mundo melhor tem que incluir os pobres, tem que incluir uma economia que vise a distribuição dos rendimentos por todos e não só enriquecendo alguns, deixando todos os outros à margem. Sabemos que a nossa casa comum é o mundo inteiro, mas também sabemos que a maioria vive na pobreza…
Somos convidados a dar razão à esperança, a esta esperança que possuímos de que é possível, através da ação do Espírito em nós, transformar estas realidades em que vivemos, repletas de expectativas e necessidades falsas. Há alguns sinais e experiências de formas alternativas ao modelo económico vigente, e aqui falámos de economia social e solidária, do comércio justo, do banco do tempo, dos produtos em 2ª mão…
 Demos continuidade aos trabalhos reunindo em grupos por zonas para partilhar o que sentimos de mais importante na reflexão e ainda identificar os desafios que ela nos colocou e apresentar os compromissos que queremos assumir a nível regional e diocesano.
Do conjunto das propostas e compromisso dos grupos para 2015/2016 destacamos:
  • Promover a cooperação com outros grupos e instituições;
  • Promover encontros de agricultores, nomeadamente jovens sobre problemas do setor;
  • Criar grupos de ação social nas paróquias, se ainda não existirem;
  • Dar lugar, nas paróquias, ao acolhimento, às relações de proximidade;
  • Promover a formação (catequese adultos, escola paroquial ou escola de leigos);
  • Realizar visita de estudo para tomar conhecimento de experiências enriquecedoras;
  • Ter particular atenção às questões do desemprego e da pobreza.

O Conselho aprovou ainda o Plano de atividades ao nível diocesano e que são as seguintes:
Festa das Colheitas 25/10/2015;
Encontro de aprofundamento da fé 14/02/2016;
Festa da Casa do Oeste (colaboração com a Fundação João XXlll) 08/05/2016;
Férias 3ª idade 30/06/ a 10/07/2016.
Semana de Estudos agosto 2016 (data por definir). 
De seguida celebrámos a eucaristia, fechando assim um dia pleno de sonho, trabalho e partilha que nos impulsiona e dá esperança para os desafios que já vislumbrámos e nos esperam.