CRISE É MOTIVO DE MUDANÇA

“Sê tu a mudança que queres ver no mundo” (Gandhi)

Decorreu de 1 a 5 de Agosto, com grande animação, mais uma Semana de Estudos na Casa do Oeste, com a participação de 35 pessoas, desta feita subordinada ao tema: O meu papel na mudança.
















Transcrevemos com adaptação o registo de Teresa Almeida no seu blog:  http://saberesdatiti.blogspot.com
 “Logo no primeiro dia foi fantástico tanto no que respeita ao reencontro com velhos amigos como no acolhimento aos que vinham de novo...
A CASA DO OESTE tem destas coisas faz-nos sentir em casa...As apresentações e o serão predispuseram-nos logo para a colaboração...boa disposição... e criatividade.
Nos 2 dias seguintes fomos convidados a olhar a nossa volta e pôr mãos á obra usando todas as nossas capacidades e os meios que a sociedade ou os apoios do governo põem à nossa disposição usando toda a criatividade para o serviço dos que mais precisam. Para isso tivemos a colaboração do José Manuel Paz e do Brandão Guedes.
A visita ao Centro Social e Comunitário do Landal deu-nos a oportunidades de vermos in loco o que se pode fazer para mudar o que nos rodeia e a pô-lo ao serviço dos outros,  para  bem dos que nos rodeiam.
As refeições foram muito gostosas... praia ali mesmo á espera... tudo para uns bons dias de reflexão e de férias...
As crianças foram animadas por jovens que tão bem os souberam cativar e entusiasmar e estiveram sempre participativas tanto nos serões como nos momentos de oração... A certeza de que o futuro está nas suas mãos.
O jornal do dia foi motivo de muito boa disposição e alegria... foi um reforçar do espírito critico e observador de antigamente e mote para umas boas gargalhadas.
Os momentos de oração... e a Celebração da Eucaristia do ultimo dia... ajudaram-nos a aprofundar os temas propostos... para que nos possamos decidir a pôr em pratica os desafios que nos esperam.

CRISE É MOTIVO DE MUDANÇA

A crise na sociedade
se queremos ver a verdade
é um sinal de mudança
Ao TRABALHO dar VALOR
Aos IRMÂOS dar mais AMOR
À VIDA dar mais ESPERANÇA

É SERVIR sem SERVIDÂO
É GANHAR sem AMBIÇÂO
É dar OPORTUNIDADES
É TRABALHO que produz
É CAMINHO que conduz
Á PAZ nas comunidades

Esta crise em que vivemos
fomos nós que a fizemos
pelo menos «consentimos»
embarcando em consumismos
e buscando comodismos
...foi abismo em que caímos..

Para arrepiar caminho
e mudar nosso destino
temos de nos convencer
gastar menos... criar mais ...
acertar os ideais
para a crise vencer …”





XXXVI SEMANA DE ESTUDOS

Na Casa do Oeste de 1 a 5 de Agosto de 2011

Tema: O MEU PAPEL NA MUDANÇA  
“Todo o mundo é composto de mudança tomando sempre novas qualidades”
Luís de Camões















“Crise” e “isto está cada vez pior” são das palavras que mais se têm ouvido nos últimos tempos no nosso país. “Isto tem que mudar” também se ouve muito, mas ouvir-se dizer “eu vou mudar” ou “vamos mudar” é mais raro. A mudança é quase sempre tarefa para os outros!

Nesta XXXVI Semana de Estudos vamos abordar o assunto de maneira diferente. As mudanças têm que partir de nós. Iremos reflectir sobre o papel de cada um de nós na criação de um mundo mais solidário, amigo da Natureza e com mais igualdade. Esta transformação só acontecerá se nos implicar.

Programa da Semana:

2ª-feira, 1 de Agosto
19:00h – Recepção aos participantes
20:00h – Jantar
21:30h – Serão: apresentação do programa

3ª-feira, 2 de Agosto
O CONTRIBUTO INDIVIDUAL NA CONSTRUÇÃO DO COLECTIVO, com o convidado José Manuel Paz
Praia

4ª-feira, 3 de Agosto
CONSTRUIR UMA SOCIEDADE MENOS DESIGUAL E MAIS SOLIDÁRIA com o convidado A. Brandão Guedes (a confirmar)
Passeio pedestre pela zona

5ª-feira, 4 de Agosto
Visita ao CDCL – Centro Desenvolvimento Comunitário do Landal (Caldas da Rainha)

6ª-feira, 5 de Agosto
Avaliação da semana
Eucaristia
Encerramento após o almoço

Inscrições e mais Informações deverão ser enviadas para:
• Luís Nunes: luisnunes16@gmail.com
telef. 262 834 433 / 919 965 036
• Natália Serrazina: natserrazina@gmail.com
telem.968 206 012

Inscrições até dia 26 de Julho

Custo (aproximado) por pessoa:
* crianças a partir dos 6 anos: 60€
* adultos: 70€
Há preços solidários para famílias com filhos.

Não te esqueças de levar:
• instrumentos musicais e jogos que consideres importantes para os serões.
Haverá apoio/animação para os mais novos.

Organização:  Acção Católica Rural
Apoio: Fundação João XXIII - Casa do Oeste

Casa do Oeste, Av. 25 de Abril, 13  2530 - 627 Ribamar LNH
Tel/Fax 261 422 790
casadooeste@sapo.pt
www.casadooeste.no.sapo.pt




FESTA DA CASA DO OESTE

Foi em ambiente de grande alegria e convívio que durante todo o fim-de-semana, 11 e 12 de Junho, celebrámos a Solidariedade com o povo da Guiné - Bissau e a Festa da Família Rural.

A Casa do Oeste (Fundação João XXIII) que nasceu e cresceu do sonho dos militantes dos Movimentos Rurais da Acção Católica é hoje uma grande Instituição com projecção, não apenas na Diocese de Lisboa, mas em todo o país e também a nível internacional, sobretudo na Guiné, fruto dos projectos de Solidariedade que tem vindo a apoiar e onde, em Agosto próximo, será criada uma Delegação.

Mais uma vez a Festa Anual foi um ponto de Encontro de muitos que têm vivenciado estas experiências…novos e velhos…. Alguns que vieram mais uma vez, repetindo um gesto de há muitos anos, outros que participaram pela primeira vez, trazidos pelo convite de amigos ou familiares.


















No final da Celebração foram benzidos os”ramos de espigas” e neste gesto pedida a bênção de Deus para os campos… que eles produzam, pela mão dos homens pão para todos, que a fome em vez de progredir seja banida do mundo… o que será, apenas possível, claro, com o trabalho dedicado e generoso de todos… sem ganância e avareza… sem o ganho escandaloso de alguns a contrastar com o trabalho escravo de outros.

E como o futuro é dos jovens, alguns adolescentes de Ribamar receberam a camisola da ACN-JARC (Acção católica dos mais novos) e prometeram diante de todos ajudar a construir um mundo mais justo, a estarem atentos ao que se passa á sua volta e a contribuírem para melhorar as coisas (VER, JULGAR, AGIR).



















A tarde foi bem animada e muitos aproveitaram para dar um pezinho de dança. O conjunto COTTAS CLUB JAZZ BAND, do Circulo Musical do Bombarral, foi um “ verdadeiro espectáculo”!

O almoço, as filhoses, a quermesse, a loja (com os seus frascos de doce, marca Casa do Oeste) encheram as medidas e…

… no próximo dia 23 de Outubro teremos a FESTA DAS COLHEITAS e a INAUGURAÇÂO DAS NOVAS INSTALAÇÔES… desde já contamos convosco.




FESTA ANUAL


Festa Anual da Casa do Oeste foi no passado dia 12 de Junho, e contou com a presença de muitos amigos e muita animação.
























JORNADAS DE VOLUNTARIADO NA CASA DO OESTE

A Festa Anual da Casa do Oeste é já no dia 12 de Junho, por isso temos vindo a intensificar os preparativos. 

As obras das novas instalações e os trabalhos de manutenção têm vindo a avançar em força.




















Nas últimas semanas (dias 4, 11 e 18) realizámos umas Jornadas de trabalho voluntário para intervenções diversas: arrumações, decoração e manutenção de equipamento. 

Várias equipas distribuíram-se pelos seguintes trabalhos: limpeza e arrumação dos telheiros, corte e arrumação de lenha para o forno, arrumação da garagem, arranjo de “camarim” e tratamento de roupas para utilização nos serões, reparação e pintura de móveis, trabalhos diversos de costura, mudança de despensas, etc.

Os próximos dias 25 e 1 já estão reservados para continuar com os trabalhos.
Pretendemos manter, no mínimo, uma JORNADA DE TRABALHO por mês. 

Participaram nestas Jornadas: Hirminia Rebelo, Luisa David, Lurdes Portela, Filomena Alfredo, Helena Raposo, António Miranda, Batista Reis, A. Ludovino, José Antunes, Abílio Salvador, Joaquim Augusto, Rosário Batalha, Augusto Henrique, Celina Fernandes, São Dionísio, Narcisa e Joaquim Cordeiro.
 

























Se tens algum tempo disponível para fazer trabalho voluntário na Casa do Oeste, contacta-nos.

Para além destes trabalhos de manutenção necessitamos de voluntários para apoios ao secretariado, centro de documentação e outros projectos.

Alguns destes trabalhos poderão ser feitos on line.

BALANÇO DO ECO-JANTAR E CONFERÊNCIA

No do dia 16 de Abril a Fundação João XXIII - Casa do Oeste acolheu mais uma actividade como já vem sendo hábito, mas desta vez nuns moldes um pouco diferentes. Foi integrada no âmbito da actividade do CREIAS Oeste organizada por 3 dos parceiros: Biofrade, Fundação João XXIII - Casa do Oeste e MPI - Movimento Pró-Informação para a Cidadania e Ambiente, e a refeição seguiu muitos dos critérios do conceito da eco-gastronomia, tema central da conferência proferida por Alexandra Azevedo do MPI intitulada “Vencer a Crise com a Eco-Gastronomia”.



Durante o jantar Alexandra Azevedo foi explicando os ingredientes, respectiva preparação e as receitas. Antes de ser servida a sobremesa deu-se então início à conferência.

O tema da Eco-Gastronomia tem sido uma das prioridades do MPI desde logo porque o sector da alimentação é um dos maiores responsáveis por muitos problemas ambientais, como uso de pesticidas, uso intensivo da água, poluição da água (por pesticidas, efluentes de pecuárias, fertilizantes químicos) ou a desflorestação, conforme espelhado em inúmeros relatórios de entidades oficiais (FAO – Organização para a Alimentação e Agricultura, UNEP – Programa de Ambiente, ambas das Nações Unidas).

O CREIAS Oeste – Centro Regional de Educação e Inovação Associada ao Oeste, o RCE – Regional Centre of Expertise, em português, CRE – Centro Regional de Excelência, da Região Oeste, em Portugal, está integrado na rede mundial de RCE desde 2007. Os RCE são uma rede de organizações educacionais formais, não formais e informais mobilizadas a levar a Educação pelo desenvolvimento sustentável às comunidades regionais.

Dentro do sector da alimentação a pecuária é o maior responsável, pois já consome actualmente cerca de metade de toda a produção agrícola, ocupa 70% da superfície agrícola mundial e mais emite gases com efeito de estufa, no entanto apenas alimenta uma pequena percentagem da população mundial, ou seja, as populações dos países mais industrializados e as classes mais favorecidas dos países das economias emergentes (com o a China).

São profundas as transformações que têm ocorrido na agricultura nas últimas décadas. O domínio de um modelo industrializado / intensivo tem provocado uma rápida diminuição das agrobiodiversidade, ou seja, variedades de espécies de plantas (e animais) cultivadas. As gerações mais antigas recordam a imensa variedade de frutas e cereais que eram cultivadas na nossa região. Em contrapartida, foram introduzidas variedades transgénicas, sobretudo milho e soja (cujo principal mercado são as rações para animais), há pouco mais de uma década, variedades essas que só podem ser obtidas em laboratório e cujos efeitos na saúde (entre outros) não são ainda suficientemente conhecidos, e apesar de alguns estudos independentes terem detectado vários problemas, tal não impediu que continue o seu cultivo comercial.

As desigualdades no acesso à comida entre os países mais industrializados e do 3º Mundo são profundas, com cerca de mil milhões de pessoas com excesso de alimentos e com fome crónica respectivamente. As doenças crónicas não transmissíveis, como o cancro, diabetes e problemas cardiovasculares são a maior causa de morte nos países mais industrializados e entre as principais causas estão os maus hábitos alimentares e a inactividade física.

Os portugueses têm infelizmente um padrão alimentar semelhante a outros países mais industrializados com excesso de consumo de carne e carência no consumo de cereais integrais, legumes e frutas.

Para resolver muitos destes problemas temos de reduzir o consumo de carne voltando à nossa tradição alimentar baseada na dieta mediterrânica, ou segundo a opção individual adoptar um regime vegetariano desde que de forma correcta para evitar também consequências negativas na saúde.

Outras componentes fundamentais da Eco-Gastronomia são o consumo de alimentos produzidos localmente, biológicos, de variedades tradicionais, silvestres, da época, sem embalagens e comprados directamente aos produtores, e, claro, rejeitar os transgénicos e a Fast Food!

Alexandra Azevedo demonstrou ainda pelo seu caso pessoal que uma alimentação mais cuidada pode ser mais barata! Reduzir o consumo de carne e peixe é um importante passo e para compensar o custo mais elevados dos alimentos biológicos temos de saber aproveitar os recursos alimentares que a natureza nos proporciona de forma tão generosa, como as ervas silvestres comestíveis, e cultivar pelo menos alguns alimentos.

Para recuperar os bons e variados alimentos há duas associações que merecem referência: O Movimento Slow Food, uma referência mundial na promoção da Eco-Gastronomia, resume muito bem o conceito com a defesa do alimento “bom, limpo e justo”. Bom (que saiba bem, nutritivo, fresco, da época, Limpo (sem pesticidas, sem transgénicos) e Justo (a preço remunerador para os produtores e equilibrado para os consumidores); e a Colher para Semear – Rede Portuguesa de Variedades Tradicionais que tem realizado levantamentos das variedades tradicionais de hortícolas, cereais e fruteiras ainda cultivadas nos nossos dias e através da sua rede de associados garantir que estas variedades continuem “vivas nos campos”!

É preciso pois recuperar muito da sabedoria popular, religar as pessoas entre si e à Natureza que nos sustenta, assim o MPI tem realizado inúmeras actividades como oficinas de fabrico tradicional de pão, oficinas de cozinha sustentável e oficina das ervas comestíveis.
As potencialidades da Eco-Gastronomia são enormes:
- O turismo gastronómico atrai cerca de 14% dos turistas estrangeiros a Portugal, os inúmeros eventos gastronómicos, como festivais, tasquinhas são muito importantes para valorizar produtos variados que necessariamente terão de ser produzidos a uma escala local/regional, o que atrairá ainda mais turistas na busca de sabores únicos.
- Restauração sob o conceito da Eco-Gastromia, em que os produtos utilizados são fornecidos por uma rede de vários produtores locais.
- Medidas públicas, como a obrigatoriedade das ementas escolares incorporarem uma determinada percentagem de alimentos produzidos localmente, podem também contribuir para relançar a nossa produção.

Em conclusão, com a Eco-Gastronomia poderemos resolver / enfrentar muitos dos problemas actuais, não apenas a crise económica, mas as crise social (problemas de saúde e desemprego) e a crise ecológica, que infelizmente pouco é falada.

O balanço final deste Eco-Jantar é bastante positivo a avaliar pelos comentários dos participantes.